Cultura

CENSURA A ARTE

Vereadores de São Paulo pedem investigação e mais censura para a exposição “Queermuseu”

Depois do escândalo que foi a ação do Movimento Brasil Livre (MBL) para impedir que uma amostra sobre a cultura Queer fosse realizada, o que gerou uma grande mobilização contrária a tal ação nas mídias sociais, vereadores de São Paulo pedem que ocorra uma investigação da amostra cancelada.

sexta-feira 15 de setembro| Edição do dia

Essa semana, uma exposição de artes sobre a cultura Queer em Porto Alegre patrocinada pelo Santander foi cancelada depois de protestos do MBL. A exposição chamada “Queermuseu”, era composta por uma série de obras de artes de diferentes épocas em torno da temática LGBT, suas lutas e resistências ao longo da história.

Essa medida claramente LGBTfóbica impulsionada pela direita conservadora brasileira, mostrou que os ataques a comunidade LGBT não cessam em nenhum momento. Como prova disso, a bancada evangélica de vereadores da Câmara Municipal de São Paulo encaminhou ao Ministério Público Federal um pedido de investigação para apurar “ilícitos penais” e “atos de improbidade administrativa” por parte do Ministério da Cultura, além de executivos do Santander e do curador responsável pela exposição “Queermuseu”.

Segundo os 14 vereadores que encabeçam tal pedido, a exposição desrespeito o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal e caracterizaram-na também como uma “desrespeitosa difusão da ‘causa gay’”. Eles pedem que exibição da amostra seja proibida. Na câmara dos deputados, Hidekazu Takayama (PSC-PR), líder da bancada evangélica, declarou apoio à ação do MBL.

Em um país onde a cada 25 horas ocorre um homicídio motivado por homofobia e onde somos um dos países que mais matam transsexuais é uma brutalidade impedirem a comunidade LGBT de ter acesso aos artistas que os representem e que tentem colocar na arte toda a luta contra a LGBTfobia. Os vereadores acusam a exposição “Queermuseu” de difundir de maneira desrespeitosa a “causa gay”, mostrando uma postura reacionária que insiste em negar a condição da comunidade LGBT no Brasil. Além disso, reduzem as demandas por direitos desta comunidade, que sofre constantemente com violências psicológicas e físicas.

Pra Takayama, “Vemos jovens que estão atentos a essas vergonhas”, exaltando a ação do MBL. As bancadas evangélicas mostram estar prontos para massacrar a subjetividade da comunidade LGBT, junto com sua história de luta. É o retrocesso escancarado, movido pelas classes burguesas e conservadoras deste país.




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