Opinião

EXPOSIÇÃO MAM

Vereadores de Campinas fecham com MBL e aprovam moção contra a exposição do MAM

Na sessão dessa segunda-feira, dia 02/10, o vereador Pastor Elias propôs uma moção de apelo ao Ministério Público de São Paulo para que se investigue sobre a exposição e sejam cobradas as providências do MAM sobre a exposição.

quarta-feira 4 de outubro| Edição do dia

O vereador justificou a sua proposta trazendo que a exposição incita a pedofilia e retirando completamente de contexto, como já explicou muito bem a própria nota do Museu de Arte Moderna.

O fato que ocorreu na 35ª Panorama de Arte Brasileira - 2017 do MAM foi em torno de uma intervenção artística de Wagner Schwartz onde ele fazia uma releitura da obra Bicho de Lygia Clark. Ele estava pelado em sua intervenção, e conforme todas as normas do Museu, estava sinalizado anteriormente o que seria e que haveria nu artístico. As crianças que ali circularam estavam acompanhadas de seus responsáveis.

Desde então, o MBL e a direita mais reacionária com figuras como Bolsonaro e Alexandre Frota vem fazendo campanha aberta contra a exposição, e é nisso que se apoia o Pastor Elias para pedir a sua moção.

O vereador faz coro com aqueles que buscam censurar a arte e mais que isso, ainda afirma que os conceitos de Arte precisam ser revistos. Isso mostra um controle e uma censura que o pastor e o conjunto dos vereadores que aprovou a moção ecoam.

Pastor Elias distorce o que foi a exposição fala que as crianças eram incitadas a tocar no homem nu, e usa isso em base para justificar que seja feita uma investigação sobre a exposição e que a sua moção seja um auxílio para a investigação do crime de pedofilia e incitação. Denúncias completamente ilegítimas.

O Vereador pede também esclarecimentos sobre os critérios para a classificação das obras para a amostra de artes, querendo decidir e incidir diretamente na autonomia e na livre expressão que se expressa na arte.

Citando diretamente o vereador:
“Na minha página do Facebook, com mais de 4 mil visualizações, abordei o assunto como cristão e defensor da família brasileira, objetivando o fim de situações como estas. Como cidadão e parlamentar vou lutar contra todos aqueles que atentem contra os bons costumes e especificamente neste caso, dizer um basta a esses crimes que se escondem atrás da modernidade”, enfatiza.

Curioso como o pastor começa afirmando que ele defende a família brasileira e que lutará para combater esses crimes que se escondem pela modernidade. Com isso, diretamente, ele reforça que a arte deva ser censurada. Logo devem ter limites e controle sobre a arte, algo que não é nem um pouco concebível, os artistas devem poder produzir e criar de forma livre, sem amarras que os colocam, não com o que um pastor quer lhes dizer para criar. O que é muito diferente de ter "liberdade" para reproduzir ódio, violência, às mulheres, aos negros, aos lgbts, aos trabalhadores.

O pastor Elias que se diz um defensor da família, não explica que família ele defende; a família branca e heterosexual, a família tradicional, excluindo todas as outras livre expressões de gênero e sexualidade. É engraçado se dizer que quer defender as crianças mas apoiou projetos que tiram vários dos conteúdos essenciais da sala de aula. Ele quer combater a pedofilia, mas fecha os olhos para o machismo que mata, para a lgbtfobia, não tolerando que esses debates fundamentais ocorram nas escolas. Não quer que as mulheres possam falar sobre os seus direitos, é dessa forma demagógica que o pastor defende um projeto claro para a arte e para a Cidade.

É bom ressaltar também que o Vereador Tenente Santini, autor e defensor do Escola sem Partido em Campinas, já havia publicado em sua página embasando todo o discurso de ódio e censura que está posto. Inclusive indo além, balbuciando sobre a inversão de valores, comparando com a exposição a imagem de um bebê com cassetete e algemas. Um completo desrespeito e incitação a violência. Crianças deveriam estar brincando, poderem passear com os pais, e não estarem desde cedo sendo iniciadas na violência. O tenente distorce isso, e coloca como inversão de valores. Absurdo completo por parte de Santini que quer transformar nossas crianças em pequenos soldados.

Campos Filho também permeou a sua página com o ódio a exposição e chega a defender inclusive a prisão do artista. É curioso como o cuidado dos vereadores com as crianças é intensificado nesse momento, que se dizem tão defensores, mas no dia a dia militarizaram ainda mais a cidade, sucateiam a saúde e a educação e retiram os conteúdos fundamentais das escolas.

E nessa lógica, os vereadores de Campinas fecham com essa ideia de Elias, e não poderia ser diferente para a Câmara que foi contra a Simone de Beavouir, quis retirar os debates de gênero gênero sexualidade das escolas, quis implementar o escola sem partido, votou a criminalização dos usuários de droga, e todos os outros reacionarismos que viemos acompanhando. Nisso, nos colocamos contrários a qualquer censura da arte e defendendo sua livre expressão. Não pode ser essa direita que defende as propagandas e a veiculação de imagens altamente sexualizadas das mulheres, mas condena o nu artístico que nos diga o que deve ser exposto ou não.




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