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Vereadores de BH negam verba para comunidade LGBT

Vereadores da bancada evangélica impulsionam a aprovação dos gastos para o próximo ano em Belo Horizonte excluindo verbas para as políticas de apoio e visibilidade à comunidade LGBT, ignorando a situação em que vivem em um dos estados mais perigosos para a população LGBT no país.

quinta-feira 7 de dezembro| Edição do dia

Nessa terça-feira, 5 de dezembro, foi aprovada na Câmara Municipal de Belo Horizonte a Lei de Orçamento Anual (LOA), que define o destino do dinheiro público municipal no ano seguinte e que deve ser gasto com toda a população para diversas necessidades. Sob pressão da bancada evangélica, reacionária e conservadora foi vetada a destinação de verbas para políticas que favoreçam os LGBTs.

Apesar do apelo da ala progressista que intervinha em favor da destinação da verba para as políticas, a ala conservadora dominou a votação, garantindo o conservadorismo que tem imperado na política em BH, inclusive com o aval do prefeito Kalil que assinou o ataque às políticas de gênero e diversidade nas escolas da cidade, retirando a possibilidade de uma importante ferramenta de discussão e conscientização nas escolas, em uma manobra bizarra que retirou a palavra “gênero” das atribuições da Diretoria de Educação Inclusiva e Diversidade.

Durante a votação, os apelos de vereadoras como Áurea Carolina e Cida Falabela do PSOL pela consciência dos vereadores diante da necessidade da destinação da verba para a causa não foram suficientes.
A restrição da verba não foi suficiente, também houve o show de reacionarismo com declarações absurdas e mentirosas como Fernando Borja (Avante) que afirmou que a cidade já tem muitas políticas destinadas aos LGBTs, Jair de Gregório (PP) que afirmou não ter nada contra mas que não aceita esse projeto de família e se colocou a frente de impulsionar o projeto Escola sem Partido que representa um claro ataque ao direito de expressão e pensamento e disse que vai “barrar políticas que promovam debate sobre a diversidade nas escolas da capital”.

Devemos lutar por uma sociedade livre de preconceitos e opressões que virá com o fim desse sistema e uma transformação estrutural e cultural na sociedade, mas as políticas públicas podem ajudar a população LGBT que vive em risco no país que bateu em 2017 o próprio recorde de assassinatos homofóbicos e transfóbicos, e na capital do estado que é o segundo no país em violência LGBT e onde 6% da população de rua declara sua sexualidade fora dos padrões impostos e grande parte desses declaram que foram parar na rua por problemas com a família por assumir essa sexualidade.

A bancada evangélica não tem o direito de utilizar a verba municipal de Belo Horizonte para beneficiar empresários e bancar privilégios de vereadores enquanto condena à morte aqueles que ousam viver fora do padrão por eles imposto.




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