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Venezuela recebe aviões de guerra russos em meio às tensões entre potências imperialistas

Dois aviões militares com capacidade nuclear chegaram no país na segunda feira (10), acompanhados de um avião cargueiro e mais um de passageiros. Segundo o Ministério da Defesa venezuelano, exercícios militares serão para "preparar a defesa do país caso seja necessário".

quarta-feira 12 de dezembro de 2018| Edição do dia

Nicolás Maduro e Vladimir Putin. (Yuri Kadobnov/Reuters)

Em meio a crescentes tensões entre imperialismos no cenário mundial, e em particular com relação à Venezuela e sua relação com os EUA, Vladmir Putin, presidente da Rússia, enviou à Venezuela dois bombardeiros Tu-160 para participarem de manobras militares conjuntas entre os dois países. Além dos dois aviões supersônicos, capazes de carregar mísseis convencionais e nucleares a uma distância de até 5,5 mil quilômetros, foram, também, um avião cargueiro An-124 e um avião de passageiros Il-62.

Segundo o Ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, os exercícios em conjunto com a Russia são um de várias áreas onde os dois países cooperam, e que também estão se "(...) preparando para a defesa da Venezuela até o último palmo de terra caso seja necessário". Os bombardeiros estratégicos Tu-160, mandados para os exercícios militares são os mesmos já usados pela Russia em operações militares na Síria, em defesa do governo sanguinário do ditador Bashar al-Assad.

Os exercícios vêm uma semana depois de uma visita de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, à Russia, onde garantiu grandes investimentos para a Venezuela, especialmente em obras relativas ao setor petrolífero. Essa reaproximação se dá nos marcos de uma acirramento nas relações entre potencias imperialistas no cenário mundial. Sendo a Venezuela de grande interesse estratégico para os Estados Unidos (que além de já financiar há décadas a oposição de direita no país, vem dando sinais de que poderia querer recorrer a meios mais agressivos para retomar controle integral de seu "pátio traseiro", conforme o presidente dos EUA, Donald Trump, acirra relações com a nação cada vez mais isolada, e já fala abertamente da possibilidade de invasão militar da região) potencias concorrentes se preparam para ter a Venezuela como o próximo campo de batalha por influência hegemônica na geopolítica mundial.

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Atualmente, a Russia é uma aliada estratégica impostante da Venezuela justamente por se contrapor à influencia yankee agressiva no país, aliando-se à fração burguesa "nacionalista" apoiada na casta militar que governa o país desde a ascensão de Hugo Chávez, no fim dos anos 90. Contra isso, os EUA aliam-se a (e financiam) uma oposição entreguista neoliberal, pronta para receber uma invasão americana de braços abertos, com o propósito explícito de deixar aos conglomerados capitalistas que deitem e rolem nas amplas reservas de petróleo do país. Além de aumentar ainda mais o poder ostensivo de repressão e subjugação dos Estados Unidos no cone sul.

Em face desse cenário, e em meio a uma crise econômica de grandes proporções, agravada pela ingerência imperialista feita a serviço da sede de sangue dos abutres do mercado financeiro, não pode ser apoiando-se no bonapartismo de Maduro junto à burguesia e ao exercito para vender petróleo venezuelano ao imperialismo americano ao qual ele alega se contrapor, nem tampouco no poderio militar do imperialismo russo, que só tem olhos para as riquezas naturais e na exploração dos trabalhadores venezuelanos, que a classe trabalhadora na Venezuela e no mundo pode se libertar do jugo da exploração e rapina do "primeiro mundo". Os trabalhadores e trabalhadoras devem confiar em suas próprias forças, e construir uma alternativa revolucionária com total independência de classe, para lutar contra a opressão burguesa e do grande capital tanto no cenário nacional, como internacional. Essa via independente é vital para enfrentar a enorme crise que assola o povo venezuelano e se defender realmente contra qualquer ameaça à soberania popular e autodeterminação dos venezuelanos, seja contra o imperialismo de Trump, seja contra repressão de Maduro apoiado por Putin.




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