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Venezuela: Polícia e grupos paraestatais reprimem protestos por água e eletricidade

Diante do colapso do sistema elétrico, que aumenta o sofrimento do povo venezuelano, o governo respondeu com repressão e uso de forças paraestatais para acabar com os protestos.

terça-feira 2 de abril| Edição do dia

A agoniante situação do povo venezuelano está apenas aumentando. A tragédia cresce para uma população em um país em colapso e um regime político que aplica medidas que só significam calamidades, recorrendo à repressão e ao uso de forças paraestatais para acabar com os protestos.

Isso foi o que se viu domingo em várias partes do Caracas e outras cidades no país com um governo que responde aos protestos enviando capangas de grupos paramilitares e outras forças especiais para bater ou atirar nos manifestantes em favelas. Uma população que reclamou dos constantes cortes de energia e da escassez de água potável após dois grandes apagões gerais neste mês.

A falta de água causada por prolongadas semanas de interrupções têm empurrado os setores populares, que sofrem deste problema, para protestar nas ruas contra esta situação e contra o Governo do Maduro, no mesmo dia que este anunciou um plano de racionamento de energia.

Como já dissemos, mesmo quando o governo fala de sabotagem, é incapaz de tomar as medidas anti-imperialistas mais elementares. Mas esconde sua responsabilidade nesta catástrofe, em que serviços elementares como eletricidade e água sofrem uma grande deterioração e colapso.

Na Avenida Forças Armadas, em Caracas, foram detonadas bombas contra uma centena de manifestantes que protestaram durante horas exigindo o retorno de energia e, assim, o fornecimento de serviços como água potável, telefone e internet. Eram grupos paraestatais armados agindo para expulsá-los das ruas.

No oeste da capital, havia também numerosas concentrações em diferentes pontos que exigiam a restituição do fornecimento de eletricidade e água. Perto do palácio presidencial, Miraflores, que é protegido por dezenas de agentes e tanques da Guarda Nacional (GNB), se encheram protestos de vizinhos que cortaram as ruas e armaram barricadas.

Na área de El Valle houve forte repressão, e o mesmo foi observado também em outras áreas populares como Catia e na Av. Sucre e até o bairro 23 de Janeiro. Nestas manifestações, os galões vazios mostraram que a água não escorre pelos canos das casas durante três, cinco ou oito dias. O governo procura responder com paliativos de caminhões-tanque como parte de seu plano de contingência, mas eles não chegam a todos os lugares nem atingem a toda população.

Durante o domingo, ao longo da Avenida Francisco Fajardo, do alto de San Agustín em direção ao sudoeste, havia multidões e longas filas de pessoas bebendo água dos canos que correm paralelos ao rio Guaire. Há casos de desespero em que se abrem ruas procurando um cano de alta distribuição para quebrá-lo e beber água lá, como aconteceu na área de El Valle. A imagem é um aumento das calamidades. A cena é repetida em muitas áreas populares, retirando água de riachos poluídos, com famílias inteiras (incluindo crianças pequenas) carregando galões e garrafas d’água.

Protestos semelhantes ocorreram em outras partes do país, incluindo o estado central de Carabobo, onde os manifestantes queimaram pneus e bloquearam estradas, similarmente em Aragua, Lara e Zulia.

Trata-se de protestos legítimos contra o aumento nas calamidades, com trancamento de ruas, e o governo respondeu com repressão, com as FAES e grupos para-estatais ("coletivos"), disparando balas de chumbo, em alguns casos no ar, em outros nem tanto.

Em sua primeira aparição nas telas de televisão após sete dias de apagões, Maduro anunciou no domingo o início de um plano de racionamento de energia que vai durar 30 dias, tempo em que "espera restaurar" o fluxo normal de energia. Ao mesmo tempo que irá implementar a partir de amanhã um dia de trabalho reduzido até às 14:00 e foi suspenso pela décima primeira vez em um mês as atividades escolares.

Diante desse absurdo e das reivindicações legítimas, a direita busca se aproveitar. "É hora de protesto organizado a fim de proteger os nossos vizinhos e proteger nosso país (...) Não deixe ninguém ficar em casa! A ditadura nos quer apaziguados. Eles não podem gerir a eletricidade, a água e nem a economia", disse Guaidó na rede social Twitter. E, se for depender do seu Plano País, a primeira coisa que traz é que a situação atual seria o produto do fracasso das políticas de um suposto "socialismo", como se em algum momento na Venezuela tivessem sido tomadas medidas neste sentido.

De fato, aponta contra a propriedade pública e a administração estatal. Diz que o fracasso das políticas como os serviços de luz, gás e água é porque estão nas mãos do Estado, e que a solução é que passem para mãos privadas. O velho argumento dos anos noventa, quando a onda neoliberal iniciou todas as privatizações.

Como escrevemos em um artigo recente, "A única política verdadeiramente progressiva é que as empresas desses serviços permaneçam propriedade pública, mas não geridas por esta casta de burocratas corruptos e anti-operária, civis e militares, mas gerido diretamente pelos trabalhadores, usuários populares e, de modo que eles realmente estejam a serviço das necessidades do país e das pessoas, em que grandes áreas sofrem com a falta desses serviços básicos de trabalho, estando em um país com vastos recursos naturais de todos os tipos, e vindo de um período de muitos recursos pela renda do petróleo. Nem nas mãos da burocracia estatal corrupta que as usa para lucrar e enriquecer, nem nas mãos do capital privado para estar a serviço de seus lucros, submetendo as pessoas a altas tarifas."

É por isso que enfatizamos que "A administração de empresas públicas por essas castas burocráticas funcionam como grandes negociatas do Estado, em que surgem novos grupos econômicos, como vimos no país, que não trazem nada de bom para os trabalhadores. Mas as políticas privatizantes da direita nada mais são do que enriquecer os de sempre, um punhado de ricos que se aproveitam das altas taxas em detrimento das grandes maiorias populares, como vemos em outros países onde governos neoliberais, como Macri na Argentina, que condena as pessoas com alto custo de vida".




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