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Venezuela: “A crise do Covid-19 veio para aprofundar os padecimentos do povo, autoritarismo do governo e o papel criminoso das sanções imperialistas”

Esta frase abriu o discurso de Angél Arias, sociólogo venezuelano e militante da Liga de Trabalhadores pelo Socialismo (LTS), durante o ato virtual internacional do 1º de Maio organizado pela Fração Trotskista pela Quarta Internacional. Arias expõe a situação dramática por qual passa a Venezuela em meio a crise do coronavírus.

sexta-feira 1º de maio| Edição do dia

Esta frase abriu o discurso de Angél Arias, sociólogo venezuelano e militante da Liga de Trabalhadores pelo Socialismo (LTS), durante o ato virtual internacional do 1º de Maio organizado pela Fração Trotskista pela Quarta Internacional. Arias expõe a situação dramática por qual passa a Venezuela em meio a crise do coronavírus. A crise sanitária aumenta ainda mais o desastre gerado pelas sanções imperialistas e pelas ofensivas golpistas empresariais gestadas pelos EUA por um lado, ao mesmo tempo que fortalece a repressão estatal do governo Maduro por outro. Arias mostra como a escala da crise já estava sendo preparada muito antes da chegada do vírus:

“Antes da pandemia, esta crise já tinha sido descarregada em nós tanto pelos empresários, quanto pelo governo Maduro, falsamente chamado de ‘socialista’. Aplicando durante anos ajustes severos para pagar a dívida externa, deixando o país sem recursos para alimentação e medicamentos, deixando a educação pública, as universidades, as empresas públicas e os serviços, incluindo a saúde na ruína: levaram o sistema público de saúde à falência.”

“A isso se somaram as sanções imperialistas, com o objetivo de impor um governo fantoche de Washington em Caracas. Confisco das empresas nacionais, retenção da renda da Venezuela, bloqueio petroleiro, sanções a países e a empresas que comercializem com o país. Uma política criminosa, que com o mais miserável descaramento imperialista, reconhece que seu objetivo é terminar de estrangular a economia venezuelana e aprofundar as penúrias do povo, para forçar as condições para uma mudança de regime na medida dos Estados Unidos.”

Além do desastre gerado pela crise sanitária e pela crise política e social que já se desenvolvia, a Venezuela também é profundamente afetada pela queda do preço do petróleo, principal mercadoria venezuelana, o que expõe o país aos efeitos da crise capitalista de forma ainda mais acelerada. A Venezuela já vive uma grave crise de combustível e de produção e distribuição de alimentos, gerando inclusive pequenas explosões sociais que se intensificam conforme a fome se alastra. Diante dessa situação calamitosa, Arias expressa a necessidade dos trabalhadores buscarem uma saída própria:

“Hoje é decisivo lutar contra o açoite da fome que ameaça se alastrar, e para isso é imprescindível exigir com muito mais força o fim incondicional das sanções imperialistas e forjar uma aliança operária e popular, lutando por comitês de bairros e de trabalhadores que lutem para tomar em suas mãos a distribuição dos alimentos e o congelamento dos preços, com a perspectiva de que sejam os próprios trabalhadores das empresas de alimentação que controlem a produção. Abrindo caminho para um verdadeiro poder operário e popular contra os empresários que lucram com a fome do povo e contra a burocracia corrupta e autoritária deste governo capitalista.”

Diante desses enormes desafios e da debilidade atual da classe operaria da Venezuela, Arias enfatiza a importância do internacionalismo operário que este ato do 1º de Maio quer impulsionar:

“Desses combates a serem travados na América Latina e em nosso país podem surgir as condições para uma recuperação da capacidade de luta da classe trabalhadora venezuelana e as possibilidades para reorganizar forças de uma esquerda verdadeiramente anticapitalista e dos trabalhadores.”




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