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Crime racista | Velório de Durval, assassinado por vizinho militar é marcado por protestos

Familiares e amigos de Durval, assassinado por um militar racista que alegou tê-lo confundido com um bandido, protestam em velório realizado hoje (04) e exigem justiça

sexta-feira 4 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Lívia Torres/TV Globo

Empunhando cartazes dizendo “vidas negras importam!” e “queremos justiça”, familiares e amigos de Durval Teófilo Filho transformaram seu velório em protesto, motorizados pela revolta e o ódio que transbordam com mais esse caso odioso de racismo. Durval foi assassinado a tiros pelo militar da marinha Aurélio Alves Bezerra, seu vizinho de condomínio. O militar racista alegou em depoimento à polícia que havia confundido Durval com um bandido e de dentro de seu carro efetuou disparos que acertaram fatalmente a vítima.

Uma semana depois da morte violenta do imigrante congolês Moïse Kabagambe que foi brutalmente espancado pelo proprietário do quiosque Tropicália e seus amigos, na Barra da Tijuca, quando foi cobrar o direito elementar de ser pago pelos dias trabalhados no local. O espancamento seguido de morte foi uma resposta a cobrança de 200 reais feita por Moïse.

No Rio de Janeiro, cidade dominada e permeada de milícias cuja ligação venal com os militares e a polícia é amplamente conhecida, não é coincidência que Durval seja assassinado por um militar da marinha enquanto Moïse tenha sido espancado até a morte, em plena luz do dia por homens investigados de ligação com as milícias no RJ. Justamente na cidade do Clã Bolsonaro onde sistematicamente negros e negras, adultos e crianças são assassinados cruelmente Durval é mais uma vítima do racismo estrutural fortemente motorizado pelo governo de extrema direita e Bolasonaro e seus comparsas milicianos.

Depois das trágicas mortes, que levam sofrimento e revolta para amigos e familiares, segue a batalha por justiça e as dificuldades em lidar com investigações realizadas por um estado racista que acoberta assassinos racistas, protegendo esses reacionários eintimidando as famílias como a de Moïse que tem sofrido abordagens policiais desde sua morte na tentativa de desencorajá-los a levar a frente as investigações e ao mesmo tempolhes é negado o acesso aos autos do processo numa atitude clara do estado em dificultar a busca por justiça por parte dos familiares. Ou mesmo no caso de Durval em que o assassino militar foi indiciado por homicídio culposo, que é quando o criminoso não teria a intenção de matar.

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A própria mídia tem identificado o assassinato de Durval como um “engano”, mas matar pela cor da pele não é engano ou confusão, é racismo, um ato consciente.

Amanhã, ocorrerá em diversas cidades pelo país em protesto contra a morte de Moïse e exigindo justiça aos atos de racismo que pipocam no país e vitimam sistematicamente trabalhadores negros. Veja abaixo a relação de cidades e horários dos atos, participe fortaleça essa luta. Não foi confusão, foi racismo!

Os atos ocorrerão nesse sábado, de forma simultânea, às 10 horas da manhã, nas cidades abaixo:
Rio de Janeiro (RJ)
Quiosque Tropicália (Posto 8, Barra da Tijuca) - 10h
São Paulo (SP)
MASP - 10h
Belo Horizonte (MG)
Praça Sete - 10h
Salvador (BA)
Casa Jorge Amado - 10h
Brasília (DF)
Palácio do Itamaraty - 10h
Porto Alegre (RS)
Parque da Redenção, 10h
Natal (RN)
Cidade Alta - 9h
São José dos Campos (SP)
Praça do Sapo - 10h
Santos (SP)
Igreja do Embaré - 10h
Taubaté (SP)
Praça Santa Terezinha - 10h
São José do Rio Preto (SP)
Júpiter Olímpico Rio Preto - 10h
Carapicuíba (SP)
Calçadão, em frente ao Banco do Brasil - 10h
Pindamonhangaba (SP)
Cascata - 9h
Divinópolis (MG)
Camelódromo - 10h30
No período da tarde, outras cidades começam a aderir a mobilização:
Recife (PE) - 16 horas
Em frente ao Shopping Boa Vista




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