LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Veja absurdos que a Frente "pró-vida" falou na audiência pela descriminalização do aborto

Acontece hoje a segunda audiência no STF da ADPF da descriminalização do aborto. Em meio ao debate, figuras reacionárias, religiosas e conservadoras dão as caras para destilar ódio e apoiar a morte das mulheres por abortos clandestinos.

segunda-feira 6 de agosto| Edição do dia

Durante a parte da manhã, a audiência contou com líderes religiosos e parlamentares que juntos formam a frente "pró-vida", que na realidade nada mais é do que defender que mulheres sigam morrendo no Brasil por abortos clandestinos. As falas eram repletas de ódio às mulheres que abortam, mostrando a verdadeira face reacionária, baseada em conceitos religiosos, destilando toda forma de apoio à 4ª causa de mortes maternas no Brasil.

A taxa de morte materna por aborto no Brasil é de 10 mulheres mortas a cada mil nascidos vivos. É importante ressaltar que dados sobre mortes por abortos clandestinos no Brasil são subestimados, uma vez que por ser crime e ilegal, muitos casos permanecem escondidos nas estatísticas distribuídos em outras causas de óbito. Ainda sim, os dados são alarmantes.

Durante o último dia da audiência, o pedagogo Douglas Roberto da Convenção Geral das Assembleias de Deus, chamou as mulheres que lutam pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito de "militantes da cultura da morte", ignorando completamente as 1300 mulheres que morrem por abortos clandestinos só no Brasil. Douglas Roberto também ignora que as mulheres que fazem aborto não possuem uma característica específica, não há nenhuma associação com qualquer tipo de "questão moral religiosa": segundo dados publicados no El País, 56% das mulheres que realizaram abortos eram católicas e 25% protestantes ou evangélicas.

Compondo a ala dos parlamentares, o senador Magno Malta (PR) que está na "Frente Parlamentar em defesa da vida e da família", não poupou misoginia para se referir às mulheres: "se o corpo é da mulher e ela faz o que quiser, que corte o dedo". A argumentação de Magno beira o ridículo: compara a morte de centenas de mulheres por ano, que na grande maioria são negras e pobres, que recorrem a dezenas de métodos abortivos que custam suas vidas, à liberdade de "cortar um dedo". Magno é um dos maiores entusiastas do projeto "Escola Sem Partido", se colocando sempre contrário ao debate de gênero nas escolas, o que é fundamental para que as jovens tenham acesso à educação sexual e possam de fato decidir sobre seu próprio futuro.

Leia também: Último dia de ADPF é marcado pela participação de grupos contrários a descriminalização do aborto

O direito ao aborto legal, seguro e gratuito se conquista nas ruas: dia 8 de agosto, acontecerão atos por todo mundo, em apoio e luta ao lado das mulheres argentinas. A mobilização das mulheres pelo direito à educação sexual para decidir, contraceptivos gratuitos para prevenir, aborto legal, seguro e gratuito para não morrer é o que pode impedir que todos os dias morram mais mulheres em tais condições.




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