Juventude

4 ANOS DO CRIME EM MARIANA

Veja a intervenção da Faísca no ICB da UFMG pelos 4 anos do crime ambiental em Mariana

Denunciando a Samarco/Vale, os governos de Bolsonaro, Zema e o antigo governo Pimentel, além do judiciário, a Juventude Faísca inaugura varais no hall do ICB UFMG com imagens de Mariana e declarações de políticos sobre o meio ambiente.

terça-feira 5 de novembro| Edição do dia

Hoje, dia 5 de novembro de 2019, se completam 4 anos do crime ambiental e social cometido pela Samarco/Vale em Mariana. A Juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, em razão da data, fixou varais com fotos tiradas nos locais que a lama tóxica devastou. Se chocando com as imagens estão frases ditas tanto por Fernando Pimentel, governador na época do crime em 2015, quanto por Bolsonaro, Zema, Ricardo Salles, atuais governantes, parte da nova (e extrema) direita que quer acelerar a destruição ambiental, mostrando que a Vale e outras grandes empresas terão cada vez mais facilidade para seguir devastando o meio ambiente e centenas de vidas.

Os varais têm também um QRCode que leva o espectador a um texto preparado pela Faísca para esta data, publicado aqui, e uma imagem de divulgação do evento que encerrará a intervenção. Este evento será a exibição do documentário “LAMA - o crime Vale no Brasil”, de Carlos Pronzato e Richardson Pontone, que trata do crime da Vale em Brumadinho e contou com a participação do Esquerda Diário através de Flavia Valle, além de diversos professores da UFMG, ambientalistas e militantes pelos direitos dos atingidos por barragens. Após a exibição, acontecerá uma roda de conversa para que estudantes e profissionais das áreas biológicas, e outras, possam discutir o que é necessário fazer para que não hajam mais Marianas, Brumadinhos, queimadas na Amazônia, derramamentos de óleo nas praias do Nordeste, etc.

A Juventude Faísca – que se inspira na juventude chilena, que enfrenta um governo tão neoliberal quanto o de Bolsonaro, e reivindica os milhões de jovens que, em todo o mundo, fizeram parte das manifestações em defesa do meio ambiente e contra o aquecimento global – também expôs nos varais imagens da última Greve Global pelo clima, que aconteceu em 20 de setembro deste ano, e marcou essas imagens com uma proposta para todas e todos que se indignam com a crise ambiental que vivemos hoje: “o capitalismo destrói o planeta, destruamos o capitalismo!”.

Nas redes sociais, o coletivo de juventude postou as fotos que foram impressas para a exposição no prédio da UFMG que abriga o curso de Biologia, e, com uma descrição para cada imagem, contextualizou e problematizou cada uma das frases escolhidas. Reproduzimos abaixo:

A barragem do Córrego do Feijão se rompeu em 29 de janeiro de 2019, em Brumadinho. No mesmo dia o governador Zema declarou que só seriam encontrados corpos, demonstrando sua enorme insensibilidade e livrando o Estado da responsabilidade de disponibilizar todos os meios necessários para tirar as vítimas com vida do local. Vimos que mais de uma centena de pessoas foram resgatadas com vida, e hoje ainda há corpos não resgatados na lama. Até hoje não se fez justiça pelos 19 mortos de Mariana e pelas famílias de Bento Rodrigues (na foto) que tiveram suas vidas brutalmente transformadas pela lama.

Bolsonaro, em um discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro deste ano, proferiu absurdos sem critério de tema. E no tema do meio ambiente fez questão de culpabilizar os povos indígenas pelas queimadas na Amazônia, livrando de responsabilidade os grandes latifundiários e seu “dia do fogo”. Enquanto isso, no Rio Doce os indígenas até hoje sofrem com a morte do que consideram um parente, e se veem impedidos de pescar e usar a água do rio para suas atividades.

O crime da Vale/Samarco em Mariana foi o maior desastre contra o meio ambiente da história do país. Hoje é possível ver denúncias contra as barragens destas mineradoras, a composição dos rejeitos que despejam na natureza e as condições de preservação de áreas que deveriam ser preservadas. Mesmo as leis ambientais flexíveis que existem a ganância capitalista não pôde respeitar. Mas, ignorando este fato, o Ministro do Meio Ambiente, que é condenado por improbidade administrativa por favorecer mineradoras, em entrevista ao “Poder360” declarou que as leis ambientais do Brasil precisam ser ainda mais flexíveis, sem nenhuma preocupação com que Brumadinho e Mariana (na foto) se repitam.

O governo Bolsonaro é o primeiro a enviar representação brasileira a uma conferência de negacionistas do aquecimento global, nos EUA. Capacho de Trump, um negacionista assumido, Bolsonaro já ameaçou seguir os mesmos passos do imperialista e romper o Acordo de Paris, que prevê limites para a emissão de gás carbônico. Bolsonaro não cumpriu com sua ameaça porque é subordinado a todos os imperialismos, inclusive ao francês, que têm seus interesses econômicos com esses acordos e em supostamente “defender a Amazônia” (ao mesmo tempo que têm empresas explorando as riquezas naturais no Brasil e devolvendo poluição). A postagem do filho de Bolsonaro em julho deste ano, mais trágica do que cômica, questionando a existência do aquecimento global só demonstra o nível de obscurantismo anticiência desta extrema direita terraplanista. O crime ambiental de Mariana (na foto) matou aceleradamente um enorme contingente de biomassa, cuja decomposição libera grandes níveis de gases do efeito estufa para a atmosfera.

Na última quinta (31) nos chocamos com um vídeo absurdo de Bolsonaro ao lado de seu secretário. Questionando a inteligência de qualquer ser humano, tentou convencer a população de que o derramamento de óleo nas praias do nordeste não é um grande problema ambiental e social, e que os pescadores podem continuar a pescar e a população continuar a comer os peixes, como se os números de notificações de pessoas hospitalizadas em razão deste evento de poluição não provassem o contrário. Esta declaração se torna mais absurda quando, há 4 anos, um dos rios mais importantes do país para o abastecimento hídrico e para a pesca (Rio Doce, na foto) não tivesse sido completamente destruído pela Vale/ Samarco, que até hoje não tomaram medidas efetivas para recuperar este habitat.

Ao lado de seu secretário da pesca, Bolsonaro completa a fatídica declaração sobre a inteligência dos peixes. Ele parece referendar a informação obviamente falsa, faz o adendo de que nem todos os animais marinhos são suficientemente inteligentes, e, para fechar com chave de ouro, diz que “tudo bem” se alguns animais morrerem devido ao óleo nas praias do nordeste. Esta é uma extrema direita ecocida e anticiência que não se importa com a intensa poluição marinha causada pela Samarco/Vale há 4 anos com o crime em Mariana, cuja lama tóxica chegou ao Espírito Santo pelo Rio Doce e intoxicou populações com grande importância ecológica, como a de corais marinhos.

O governador empresário, alguns dias após o crime da Vale em Brumadinho, que foi o maior “acidente” de trabalho da história do país, demonstrou que nem isso o sensibilizou. Segundo ele, a comoção causada estava “além do recomendável”. Para Zema apenas não era além do recomendável a ganância capitalista assassina dos donos e acionistas das mineradoras, meses depois ele deu sinal verde para um mega-empreendimento de mineração no Norte de MG, e há poucos dias os órgãos de seu governo foram favoráveis à concessão de uma nova licença para a Samarco minerar no Complexo do Germano – o mesmo lugar onde estava a barragem do Fundão em 2015, e onde hoje se localiza a maior barragem a montante da América Latina. A foto é de Mariana, 2015.

A barragem do Fundão se rompeu em 5 de novembro de 2015. Três dias depois, na sede da Vale, o então governador de MG, Fernando Pimentel, do PT, disse que era preciso flexibilizar o licenciamento ambiental. Em janeiro de 2016, ainda sob seu governo e o governo federal de Dilma Rousseff, mesmo após o maior crime ambiental da história do país, foi sancionada uma lei que flexibilizava as licenças ambientais no Estado. Hoje enfrentamos governos de extrema direita, capachos dos empresários e dos imperialistas, obscurantistas e ecocidas. Bolsonaro é fruto do golpe institucional e se elegeu graças à arbitrária prisão de Lula, um processo contra o qual lutamos. Mas é preciso lembrar que os governos do PT nunca foram responsáveis com o meio ambiente, ao contrário, sempre deram isenções milionárias às mineradoras, nunca deram nenhum passo no sentido de reverter a privatização da Vale, ao contrário, avançaram em privatizações e na terceirização do trabalho. A foto é de Mariana, 2015.

O governador Zema, do Partido Novo, há poucos meses do crime da Vale em Brumadinho, amenizou para a mineradora: não foi crime, foi “incidente”. O vice presidente de seu partido também saiu em defesa da mineradora: “é uma baita empresa, não podemos demonizar”. A “baita empresa” até hoje não cumpriu com suas responsabilidades para recuperação das áreas que destruiu no “incidente” de Mariana (na foto), e até hoje as vítimas deste crime cobram providências para que a mineradora pague tudo o que deve a cada família, que hoje convivem com doenças diversas, desde infecções até depressão, muitas perderam seus empregos, suas casas, e hoje vivem com uma vida mais precária do que antes do rompimento em 2015.




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