Política

Vazamentos a conta-gotas: Bolsonaro teria mexido na PF para blindar seus filhos

A Folha de São Paulo divulgou nessa terça-feira (12), conteúdos que teriam sido informados a ela da gravação da reunião ministerial citada por Sergio Moro, que confirmam que Bolsonaro queria interferir na PF (Polícia Federal) para blindar investigações ligadas a sua família.

quarta-feira 13 de maio| Edição do dia

Segundo relatos de pessoas que assistiram a gravação, e segundo a grande mídia, durante a reunião Bolsonaro se colocou contra as investigações envolvendo seus familiares, chamando de perseguição. Ameaçando trocar o quadro da PF do Rio de Janeiro e segundo interpretações ameaçando o então ministro da Segurança Sergio Moro, caso fosse preciso para barrar essas investigações. Bolsonaro ainda teria dito que não poderia ser "surpreendido", por que a PF não repassava as informações para ele.

O vídeo da gravação foi exibido nessa terça-feira (12), para integrantes da PGR (Procuradoria Geral da República), Sergio Moro, advogados do ex-ministro e integrantes do governo federal e da PF. A declaração contrapõe o declarado por Bolsonaro, de que não teria nenhum parente investigado.

Hoje ocorreram depoimentos dos generais Heleno, Braga Netto e Ramos. Toda a mídia relata, segundo suas fontes, que os generais teriam negado as acusações de Bolsonaro, seguindo em sua aliança. Por outro lado o depoimento de Braga Netto, já publicado na íntegra pela mídia confirma que Bolsonaro reclamava, da atuação da PF em relação ao caso do porteiro do condomínio, mas o general negou que haveria reclamação sobre a família ou de ter testemunhado qualquer intervenção.

Em outro vazamento, a conta-gotas, feito pela mídia há notícia de que no vídeo haveria relato de Bolsonaro se queixar de que não poderia divulgar seu exame de Covid, pois se não haveria impeachment. Segundo esse relato, ele estaria admitindo, no vídeo ter feito falso testemunho, o que o vice-presidente Mourão já havia deixado claro em entrevista à mídia várias semanas atrás que seria uma “linha-vermelha” que não poderia ser cruzada.

Relembre algumas das acusações do clã Bolsonaro

Em março de 2019, foi aberto um inquérito pelo STF para investigar a existência de Fake News sobre membros da corte. Em setembro desse mesmo ano a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) de Fake News foi instalada no Congresso, da qual a família Bolsonaro é contra, e que investiga perfis que fazem parte do arco de apoio de Bolsonaro.

No dia 25 de Abril (sábado) em matéria da Folha de São Paulo, foi revelado que o vereador Carlos Bolsonaro , seria um dos articuladores dos esquema criminoso das Fake News segundo a PF e investigação sigilosa do STF.

Além disso o entorno do presidente está sendo investigado por discursar em manifestação no dia 19 de março que pediam a volta do AI-5 e o fechamento do Congresso.

O caso Queiroz, deflagrado em agosto de 2019, que revela um caso de "rachadinha" entre ele e Flávio Bolsonaro, que também era alvo de um procedimento sobre falsidade ideológica eleitoral por suposta ocultação de patrimônio na declaração de bens à justiça eleitoral em 2014.

Não podemos esquecer também toda a relação da família Bolsonaro com o assassinato político de Marielle Franco, em 2018, a partir do depoimento de um porteiro onde vivia o presidente antes de assumir o Palácio do Planalto em janeiro de 2019. Posteriormente o mesmo porteiro testemunhou o contrário do que havia testemunhado antes.

Todas essas investigações, em andamento ou abafadas, colocam a família Bolsonaro no meio de milícias, e operações ilícitas, que desde o período eleitoral levantavam fortemente a bandeira contra a corrupção.

Nenhuma confiança no STF

A demora dessas investigações só demonstram mais uma vez a arbitrariedade do judiciário que veem posicionando suas peças no jogo do poder, desde o golpe institucional de 2016, e as move com a intensidade e rapidez que for conveniente politicamente. Enquanto o assassinato de Marielle permanece um mistério, Bolsonaro reposiciona suas peças no tabuleiro em base a ameaças e muito investimento público para aprovar emendas de deputados e voltá-los para a sua base. Esse esquema vinculado a "velha política" tão atacada por Bolsonaro se mostra como uma tática do próprio para estabelecer seus interesses, enormes ataques a classe trabalhadora em prol do lucro dos capitalistas. Bolsonaro também se apoia numa aliança com parcela do alto comando militar em seu governo, uma aliança que implica que os militares tenham maior tutela sobre diversas instituições e ao mesmo tempo que prestam apoio institucional ao líder de extrema-direita, não significa uma adesão a seu projeto político.

Esta nota será complementada por novas notícias, análises e posicionamentos nas próximas horas e dias, reafirmando desde já que nosso ódio ao negacionismo e reacionarismo de Bolsonaro não pode significar um apoio a um defensor da ditadura e do corte de direitos dos trabalhadores como Mourão e exige a batalha por uma posição de independência de classe, de lutar por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, sem prestar nenhuma confiança no STF, Moro e nos governadores. Uma saída que possa oferecer uma resposta política, econômica e sanitária favorável aos trabalhadores.




Tópicos relacionados

Fora Bolsonaro, Mourão e os militares   /    Eduardo Bolsonaro   /    Flavio Bolsonaro   /    Governo Bolsonaro   /    Jair Bolsonaro   /    Política

Comentários

Comentar