Política

DELAÇÃO OAS

Vazamento de citação a Toffoli em delação abre crise entre STF e MPF

Além de defender que seja investigada a possibilidade de os próprios procuradores terem vazado a citação a Toffoli, Mendes faz criticas contundentes a algumas das dez propostas de combate a corrupção elaborada pelo Ministério Público. ‘’Eles estão defendendo até a validação de provas obtida de forma ilícita, desde que de boa fé. O que isso significa. Que pode haver tortura feita de boa fé para obter confissão. E que ela deva ser validada’’. Continuando ele afirma ‘’Já estamos nos avizinhando do terreno perigoso de delírios totalitários. Me parece que [os procuradores da Lava Jato] estão possuído de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço’’.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 23 de agosto| Edição do dia

Sobre a citação a Toffoli feita pela OAS, ele afirma ‘’Não é de se excluir que isso esteja num contexto em que os próprios investigadores tentam induzir os delatores a darem a resposta deseja ou almejada contra pessoas que, no entendimento deles, estejam contrariando seus interesses’’.

De um lado, a citação do ministro Toffoli na delação premiada da OAS mostra que o judiciário está longe de ser uma instituição ‘’neutra’’ e ‘’integra’’ como a ideologia burguesa sempre pregou. O ‘’partido judiciário’’ que tenta se aparecer nesta crise política como uma instituição que está separada das demais, o Judiciário faz parte desta democracia do suborno e por isso também participa do toma – lá – da – cá da política burguesa.

Gilmar Mendes sente a necessidade de defender o Ministro Tofoli, porque este faz parte da ala do Judiciário que defende o PSDB. Se a corrupção não é fruto apenas do PT e sim de todos os partidos, podemos dizer também que todas as instituições participam dos acordos espúrios de corrupção. Este caso mostra também que o nível de atrelamento desta ala do ‘’partido judiciário’’ com o PSDB faz com que os ‘’paladinos da moral’’ participem dos esquemas de corrupção.

Quando o Gilmar Mendes ataca o Ministério Público Federal e a Lava Jato, é porque este tem interesse em manter a imagem do Judiciário como uma instituição diferente das demais. Ao fazer isso, ele quer defender seus privilégios e seu alto salario, além mais de defender uma instituição que é autoritária e arbitrária. Num momento onde se discute atacar os trabalhadores, manter esta instituição fortalecida significa esmagar qualquer tentativa de organização dos trabalhadores contra estas medidas.

Do outro lado, este conflito entre o Supremo Tribunal Federal e o MPF é fruto das divergências que ocorrem dentro do partido Judiciário. Mostra que mesmo o Michel Temer esteja prometendo passar a ‘’reforma da previdência e trabalhista’’ e entre outras medidas, a Lava Jato ainda não descartou a possibilidade de substituir a atual casta política por uma nova que seja capaz de fazer passar os ataques.

Não podemos confiar em nenhum momento na Lava Jato, pois neste caso querem fortalecer a ala do ‘’partido judiciário’’ que quer avançar contra o PMDB. Esta ala do judiciário também tem a característica de ser autoritária e arbitrária.




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