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"Vamos trabalhar sem álcool em gel no hospital" diz trabalhador do HC da Unicamp

O Esquerda Diário recebeu denúncia de que o HC da Unicamp, que já vinha com relatos de falta e racionamento de materiais para os trabalhadores da saúde, agora retirou álcool-gel de todos serviços administrativos e ambulatoriais, deixando apenas na UTI e unidades de internação.

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

Como viemos denunciando a partir de relatos de enfermeiros do HC, a situação no hospital já estava bastante grave, com falta de funcionários e de materiais de proteção adequados para os próprios trabalhadores da saúde usarem, e com promessa de que iria chegar na semana passada. Agora, trabalhadores do Hospital de Clínicas da Unicamp, um dos principais hospitais de atendimento aos casos na região, comunicou aos trabalhadores que vai retirar álcool em gel de todos os lugares, deixando apenas na UTI e internação. Um trabalhador do HC disse ao Esquerda Diário:

“Chegamos hoje para trabalhar, já num clima de tensão por toda a crise do coronavírus, e nos foi informado que os coordenadores retiraram os refis de álcool em gel de todos os setores que não fosse a UTI e internação. Ou seja, além de trabalhar com medo de ser contaminado, vamos ter que trabalhar sem nem mesmo poder higienizar as mãos corretamente, sem álcool em gel no hospital, é assim que a Unicamp e os governos estão tratando os trabalhadores da área da saúde”

Essa situação do HC da Unicamp, se multiplica nos hospitais do país, já que anos de precarização da saúde, que se intensificaram sobretudo no governo Temer e agora com Bolsonaro, vem cobrando o preço na crise do coronavírus. São milhares de trabalhadores da saúde que vem sofrendo com sobrecarga de trabalho por falta de trabalhadores, escassez de materiais, se expondo ainda mais aos riscos de contaminação, sem nem mesmo fazer testes para saberem se já não estão contaminados.

Enquanto isso, Bolsonaro segue negando o nível absurdo da crise do coronavírus e mesmo Dória não diz nada sobre a falta de testes e materiais para os trabalhadores da saúde. É urgente que a Unicamp e os governos tome providências para que nenhum trabalhador dos hospitais, que são os que estão à frente hoje de salvar vidas, tenha que se expor mais aos riscos.

A reitoria da Unicamp se coloca como grande produtora de conhecimento frente a coronavírus, mas enquanto seguir negligenciando as condições do hospital e atacando a vida desses trabalhadores, não pode dar nenhuma resposta à crise. É preciso que a universidade coloque toda sua estrutura para de fato dar uma saída aos trabalhadores da saúde e que eles mesmo possam decidir o que fazer com os recursos, como por exemplo com o R$ 1,4 milhão que recebeu agora do Ministério Público do Trabalho.

Assim, poderia produzir produzir álcool-gel em seus laboratórios, máscara, contratar mais trabalhadores e colocar toda a estrutura da pesquisa para acelerar os testes para que sejam massivos e de acesso à população. Medidas que algumas universidades no país e internacionalmente já estão fazendo. A falta de materiais para os trabalhadores da saúde, só mostra que é necessário que sejam os próprios trabalhadores que controlem a produção desses materiais e de respiradores, já que enquanto sua produção estiver a serviço dos lucros, não vai atender aos que mais precisam.




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