Gênero e sexualidade

CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARÇO - FALTAM 2 DIAS

Vamos por um forte ato internacionalista no dia das mulheres!

Daqui a dois dias é o 8 de março, além de um grande ato internacionalista, queremos construir uma forte agrupação nacional de mulheres anticapitalistas, revolucionárias, classistas e internacionalistas. Muitas de nós, em diferentes países, estarão no ato internacional deste 8 de março e queremos que muitas mais estejam!

segunda-feira 6 de março de 2017| Edição do dia

Em primeiro lugar, o feminismo do Pão e Rosas, defende que a luta contra o machismo deve ser levada adiante por todos, mulheres ou homens, pois nós que reivindicamos a tradição revolucionária de luta dos trabalhadores, vemos a batalha pela organização das mulheres e a luta contra a opressão como estratégica para a construção de um partido revolucionário que poderá levar toda classe trabalhadora à emancipação do jugo burguês que, apesar de não criar, se utiliza como nenhuma outra classe antes da opressão às mulheres para dividir os trabalhadores e intensificar a exploração.

A organização feminina em luta por direitos (para se expandirem ou para não se perderem) tem sido um dos fatores mais dinâmicos da luta de classes nos últimos anos, especialmente entre os estudantes, e parte central da politização massiva internacionalmente, apesar de no nosso país ainda não ser grande.

No Brasil, frente ao gritante cenário de violência às mulheres, em especial as negras e trans, e sob o governo golpista de Temer, o 8M poderá ser um dia explosivo, onde se unirá as jovens ativistas com as mulheres trabalhadoras, e trazendo atrás de si todos os jovens e trabalhadores, num grande dia de paralisação nacional e internacional contra a violência de gênero e os ataques dos governos que recairão duplamente nas costas das mulheres. Para isso é importantíssimo que as principais centrais sindicais que organizam diversos sindicatos e, consequentemente, milhões de trabalhadores, a CUT e a CTB, construam efetivamente esse dia, discutindo em assembleias sua importância em cada local de trabalho.

Lamentavelmente, não é isso que se mostra até agora e sim uma completa resistência à construção do 8M. Em categorias como de professores, uma categoria majoritariamente de mulheres, terão assembleias e atos no 8 de março, mas se negam a levantar a pauta das mulheres ligadasaos ataques às professoras, ou seja, como a luta concreta que é pelos direitos enquanto mulheres, pois a vida das mulheres dentro dos seus trabalhos e fora deles requerem os mesmos direitos que lhes concedam mais autonomia rumo à luta pela total emancipação. Para ficar claro, levantar bandeiras de não fechamento das salas de aulas e escolas, efetivação de todas as contratações precarizadas (categoria O) que são uns dos principais problemas da Rede Estadual de Educação, por exemplo, são sim pautas da luta de igualdade de gênero, pela conquista ou manutenção dos direitos das mulheres (que são maioria na categoria) assegurando um trabalho digno, algo que, claro, também beneficiará os homens que lá estão se conquistados. Este exemplo também ilustra como a luta contra o machismo abarca os homens.Em todas as assembleias e reuniões da categoria de professores nós estamos fazendo essa disputa, assim como no metrô e outras categorias que estamos.

Muitos setores da esquerda como sempre não estão cumprindo um papel que poderiam.O PSOL não faz qualquer exigência a partir de seus parlamentares e pelos sindicatos do funcionalismo que dirige para pressionar a CUT, que é a principal central sindical do país, a construir esse 8 de março. O MAIS que parece a cada dia mais adaptado pra entrar no PSOL, não faz nenhuma política de exigência nem à CUT nem ao próprio PSOL. Imaginem o que seria o Freixo se dirigindo a seus mais de 1 milhão de eleitores no Rio de Janeiro e convidando a construírem, pressionando outros parlamentares progressistas, sindicatos onde o PSOL atua (no Rio de Janeiro até compõem o sindicato dos professores da rede estadual, poderiam dar esse exemplo por lá!). Certamente somariam força humana e política a esse dia e essa luta.

O PSTU atua de forma vacilante com sua política golpista, pois todos os demais setores a construírem o ato acreditam que os trabalhadores, as mulheres sofreram um golpe (para nós, um golpe institucional) e segue apenas fazendo propaganda, sem colocar seu peso sindical pra dar o exemplo com as trabalhadoras e trabalhadores de sua base, e menos ainda buscando unificar essa fração com o conjunto da classe operária por uma real paralisação no 8 de março.

Nesse sentido, discutimos de que nós estudantes devemos ser tribuno dessas trabalhadoras, e denunciar em cada oportunidade que no dia 8 não poderemos estar ao lado delas por conta da política do PT que, à frente da maioria desses sindicatos, quer manter a passividade no país praconciliar novamente com a direita como historicamente fez, construindo uma possível campanha do Lula residente em 2018. Isso pra luta das mulheres é um grande golpe, não podemos acreditar que uma pessoa no poder possa resolver o feminicío, precarização do trabalho, misoginia, etc no nosso país, e não a mobilização real, nas ruas, com os trabalhadores paralisando seus locais de trabalho e a juventude nas suas escolas e universidades.

O que se configura é que no geral as trabalhadoras brasileiras terão seu direito de lutar contra a opressão e a exploração arrancado das suas mãos pelas burocracias. Nas fábricas de todo o país onde trabalham milhares de mulheres será um dia comum, onde não se ouvirá a voz daquelas que mais sofrem com a opressão de gênero. No máximo vão ganhar um bombom da patronal e mais tarde seguirão para suas casas trabalhar pra família até o fim do dia, em sua clássica segunda jornada de trabalho. Para combater a estagnação criminosa das burocracias sindicaisestamos realizando panfletagens de estudantes nas portas das fábricas para levar o 8 de março.

Contrariamente a vários setores da esquerda com sua política reformista que propaga ser possível canalizar toda a luta contra a opressão para a disputa parlamentar, como se por essa via, e a partir daí com reformas graduais dentro desse espaço, pudéssemos emancipar as mulheres ou mesmo acabar com o capitalismo, nós do Pão e Rosas acreditamos firmementeno potencial revolucionário das mulheres, como as trabalhadoras russas em greve contra a grave exploração em 1917 que desencadearam a maior revolução da história, a Revolução Russa, e as dirigentes revolucionárias deste exemplo histórico para os trabalhadores de hoje e que, neste ano, completa 100 anos.

Ainda que leis podem e devem ser propostas pra melhorar a situação das mulheres hoje, não podem acabar com a dupla e tripla jornada de trabalho, com a indústria da beleza que faz com que odiemos nosso corpo, pele, cabelo, com a violência de gênero em seus mais variados exemplos. Apenas leis criadas dentro desse sistema político e econômico chamado capitalismo, baseado no lucro, não podem chegar até o fim pra nos emancipar. Frente a crise no nosso país, temos visto melhor quem são essas pessoas que aprovam as leis e como confiar nessa corja para qualquer avanço mesmo que parcial? Nesse sentido nosso feminismo é anticapitalista e revolucionário, combatendo qualquer ilusão na justiça ou da democracia dos ricos, ligando a luta pelos nossos direitos aos de todos os trabalhadores a partir de uma revolução socialista.

Também acreditamos que um feminismo de fato revolucionário não pode excluir as mulheres trans nem acreditar que nossos inimigos são em si os homens ao nosso redor. È a sociedade capitalista que os educa de forma machista, separando também a luta das mulheres da do conjunto dos explorados. Assim como nossa emancipação não pode ser completa apenas por um empoderamento individual, por fora de superar a estrutura social machista na qual vivemos e de uma transformação social profunda. Feminismos esses que não tem qualquer potência revolucionária e ignoram a realidade das mulheres trabalhadoras, não universitárias que têm milhares de amarras para se “auto emanciparem” de seus maridos, chefes, etc.
Para quem quiser entender melhor esses debates, sugerimos o vídeo da nossa camarada Diana Assunção, fundadora do Pão e Rosas no nosso país.

Esses e outros debates estão se expressando no nosso Especial Contagem Regressiva do Esquerda Diário, com enfoque para o machismo que a mulher negra sofre.

Na USP, onde atuamos, dia 8, vai acontecer um ato das trabalhadoras com corte de rua, pelos direitos das mulheres, pelas creches, contra a terceirização (https://www.facebook.com/events/374802519571711/), convidamos todos e todas a participarem.

A partir dos cursos que lá estudamos, propomos construir uma frente única o mais ampla possível com as estudantes e suas diferentes concepções, os coletivos e as entidades em torno desse ato, e que todas que acreditarem em nossa perspectiva anticapitalista e revolucionária, convidamos a compor o bloco do Pão e Rosas, às 17h na praça da Sé, estudantes e trabalhadoras, ao lado também de nossos aliados homens.

Quando dizia Trotsky que "os que mais sofrem com o velho lutarão mais bravamente pelo novo", dizia também da potência que há no debate das opressões para a construção de ferramentas tribunas do povo, levando a frente demandas de amplos setores da sociedade. Com esse espírito vamos retomar com tudo a moral das mulheres russas, e construir um forte 8M.

Todas as novas ideias para que seja forte esse dia, para além dessas, são bem vindas, pedimos a opinião de todas e todos sobre essas propostas, pra que cheguemos no melhor possível e possamos construir com tudo. Chamem todas a nosso evento nacional!




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