Vale já havia recusado duas propostas de monitoramento das barragens

A mineradora, responsável pelos desastres de Mariana e Brumadinho, que rifou a vida dos trabalhadores em prol meramente do seu lucro, recusou monitoramento de barragem em tempo real ao afirmar absurdamente que já tinha sistema estruturado.

segunda-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

A mineradora, responsável pelos desastres de Mariana e Brumadinho, que rifou a vida dos trabalhadores em prol meramente do seu lucro, recusou monitoramento de barragem em tempo real ao afirmar absurdamente que já tinha sistema estruturado. Menos de um ano depois ocorreu o desastre em Brumadinho e as sirenes nem dispararam para avisar a população e os trabalhadores que a barragem estava rompendo.

Foi colocada a necessidade de monitorar as barragens e foram oferecidos novos sistemas de monitoramento, mas a mineradora recusou para priorizar o lucro. A tecnologia que foi propositalmente ignorada pela Vale combinaria satélites, drones e sensores para monitorar as barragens por imagem, com emissão de alerta em tempo real. Segundo documento do Instituto de tecnologia da Califórnia, “a configuração de alta resolução do radar pode ser usada para detectar mudanças de pequenas escalas antes de elas serem visíveis a olho nu”.

Segundo a geóloga e mestre em sensoriamento remoto Carolina Athayde, “ainda não se sabe o que culminou nessa ruptura da barragem em Brumadinho. Caso tenha sido uma movimentação lenta na estrutura, o radar poderia ter detectado”. Quando questionada em relação as ofertas que foram recusadas, a Vale respondeu de forma absurda que já possui um sistema estruturado de gestão de barragens e que investe continuamente na melhoria dos seus processos.

Esse escândalo escancara qual é a prioridade das empresas: sempre o lucro. Os trabalhadores sentiram na pele as consequências da negligência proposital da Vale em relação ao monitoramento para ter menos custos: o desastre de Brumadinho teve mais de 90 mortes, 250 desaparecidos e devastou um rio e toda uma região, acabando com a vida de inúmeras pessoas. A empresa, além de construir barragens com risco de romper e oferecer condições ultra precárias para os trabalhadores, não se responsabiliza nem por um sistema de segurança digno.

A Vale precisa ser re-estatizada sob gestão dos trabalhadores, arrancada das mãos dos empresários, ou seja, precisa ser expropriada sem indenização para enfrentar a atividade predatória da mineração e a contaminação ao meio ambiente, com controle popular. Se a Vale fosse estatizada e controlada pelos trabalhadores, mineradores e pela população, não visando o lucro, isso poderia ter sido evitado.




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