Sociedade

CASO MARIANA-MG

Vale, Samarco e acionistas buscam acordo para ’recuperar’ Rio Doce

A Samarco e seus acionistas, Vale e BHP Biliton, informaram que foram definidos, nesta terça-feira, 19, os grupos de trabalho para atuação imediata, para negociar com as autoridades federais e estaduais um acordo para recuperação da bacia do Rio Doce. "O objetivo é estabelecer os termos para executar os planos de recuperação com eficiência e transparência", informa a Vale, em nota.

quarta-feira 20 de janeiro de 2016| Edição do dia

Nessa segunda, 18, após uma reunião com o presidente da Vale, Murilo Ferreira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que os detalhes do possível acordo ainda estão sendo costurados, mas que há a chance de ele ser selado.

A Vale, junto com a BHP Billiton, controla a mineradora Samarco, é responsável pelo rompimento de duas barragens no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG),
ocorrida em novembro do ano passado.

A iniciativa da Vale de preparar um programa de recuperação dos danos ambientais não passa de uma tentativa de costurar um acordo mais barato com o governo federal e com os governos estaduais mineiro e capixaba. A extensão das obras, desassoreamentos, replantio de árvores, descontaminação e demais ações necessárias para recuperar a bacia do Rio Doce só pode ser medida pelos operários da Vale e pela população local, de forma independente dos responsáveis pelo rompimento das barragens ( executivos da empresa e seus agentes políticos).

Para que crimes como o ocorrido em novembro passado não voltem a acontecer, é preciso re-estatizar a Vale, e colocá-la sob controle de seus trabalhadores. Não podemos permitir que vidas humanas e o ambiente estejam sob risco iminente para enriquecer empresários brasileiros e estrangeiros. Mas para que os operários da mineração e os moradores do entorno das jazidas (geralmente os próprios operários) não estejam sob tal risco de vida, é preciso que esses mesmos trabalhadores exerçam o controle sobre a extração de minérios. Só assim será possível uma extração que respeite o meio ambiente (que não esteja orientada pelo lucro) e que ofereça condições de trabalho seguras.

Foto: Christophe Simon- AFP




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