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TEORIA E POLÍTICA

[VÍDEO] Atualidade da revolução permanente e a encruzilhada política brasileira

Debate realizado na Universidade Federal de Campina Grande (Paraíba) sobre a teoria da revolução permanente de Trotsky, seu caráter de "grande estratégia" da revolução mundial, e sua atualidade para a encruzilhada política brasileira.

quinta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Na terça-feira, 25 de setembro, realizou-se a oficina: “Atualidade da revolução permanente e o programa de transição a 80 anos de fundação da IV Internacional” na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), organizada pelo Terceiro Seminário Discente do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais dessa mesma instituição.

A oficina contou com a apresentação do professor Gonzalo Rojas da UFCG pelo Esquerda Diário e integrante do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) e André Augusto Acier, do Esquerda Diário e integrante do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT).

Segundo Trotsky: “A luta da oposição comunista de esquerda por uma política justa e um regime saudável na Internacional Comunista está intimamente ligada à luta por um programa marxista. A questão do programa, por sua vez, é inseparável da questão das duas teorias opostas: a da revolução permanente e a do socialismo em um só país. São duas concepções completamente distintas, e contraditórias, do socialismo. Delas se depreendem estratégias e táticas radicalmente diversas”.

Em sua primeira lei do “desenvolvimento desigual”, Trotsky parte justamente da expansão do modo de produção capitalista ao conjunto do globo, para estabelecer os processos de diferenciação mais básicos. O capitalismo não apareceu simultaneamente em todos os lugares a partir das mesmas condições sociais e culturais. Teve seu centro na Europa, e desde ali se expandiu e se impôs sobre sociedades preexistentes, cuja evolução havia sido diferente. Assim, a Inglaterra não representava o modelo de desenvolvimento capitalista para todas as nações. O “modelo” de extensão planetária do capitalismo obriga os países atrasados a avançar aos saltos. Daí que do desenvolvimento desigual, se depreende o desenvolvimento combinado, que estabelece a integração das etapas a escala nacional: “a aproximação de distintas etapas históricas, o amálgama de formas arcaicas e modernas”.

Isto significa que para além das distintas fases de desenvolvimento econômico em cada país, a economia mundial, que subordina suas partes componentes, está madura para a transição socialista. Se o aspecto desigual do desenvolvimento estabelece os países atrasados como “elos débeis” na cadeia de domínio imperialista, é possível que o proletariado destes países se veja obrigado a tomar o poder antes que o proletariado dos países centrais. Se o aspecto combinado do desenvolvimento integra a economia mundial num todo orgânico, é necessário um programa revolucionário internacional que acabe com a separação entre países maduros e não maduros para a revolução, conectando o Oriente e o Ocidente. Esta é a dinâmica permanentista da revolução para Trotsky.

O que Trotsky havia feito originalmente em 1905 era integrar a revolução russa ao processo da revolução no Ocidente. Com a generalização da revolução permanente em 1928-1930 consegue uma integração dos cenários oriental e ocidental em uma teoria unificada.

Nesse ponto de vista, a teoria da revolução permanente elaborada por Trotsky nos fornece uma refletir importante em meio à crise orgânica do capital que vivenciamos anos dias atuais. A noção de uma revolução socialista de cunho internacional, em oposição à burocracia stalinista revigora a necessidade de uma internacional comunista para a formulação de táticas e estratégias pertinentes ao proletariado mundial.

Além de mostrar a relevância desse tema, a oficina foi seminal no sentido de evidenciar a atualidade do pensamento de Marx e Engels, que ao contrário do desvirtuamento burocrático e conciliatório de classes feito pelo stalinismo, reforça a necessidade da formação de um partido proletário independente, que construa uma força material a nível internacional para derrotar a burguesia em seus “centros de gravidade”, os países imperialistas, para com essa força expansiva alcançar uma sociedade de produtores livremente associados: o comunismo.




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