Internacional

Uruguai: greve geral expressa o descontentamento com a situação econômica

A paralisação chamada pelo PIT-CNT teve uma alta adesão expressando o descontentamento com a situação econômica, os baixos salários e as más condições de trabalho.

quinta-feira 23 de agosto| Edição do dia

Autor: Hernán Yanes

Com a palavra de ordem “se o trabalhador está bem, o povo está bem” e no marco das negociações dos Conselhos de Salários e a Prestação de Contas, ocorreu hoje a greve geral de 24 horas convocada pelo PIT-CNT.

De acordo com seus dirigentes, a paralisação teve um altíssimo nível de adesão. Centros acadêmicos, oficinas públicas, serviços de saúde majoritariamente fecharam suas portas, enquanto a adesão também foi notável nas fábricas, empresas e comércios. O transporte só funcionou em serviços de emergência operados por patrões em algumas horas do dia.

Um sinal para o governo e para o próprio PIT-CNT

A central operária convocou esta paralisação geral logo após ter suspenso a paralisação que tinha sido definida para final de julho, e definiu que não fosse acompanhada por uma mobilização nem concentração.

Por sua vez, além de que em sua plataforma reivindicam a prestação de contas, os dirigentes colocaram o foco nos Conselhos de Salários e no posicionamento das patronais.

As tênues críticas ao governo, apontando que aumentaram os impostos aos trabalhadores sem tocar no setor mais poderoso da sociedade, não passam de uma declaração sem nenhum tipo de consequência, já que a medida da paralisação não é parte de nenhum plano de luta e se ocorre de maneira isolada.

Os mais de 400 mil trabalhadores que ganham salários miseráveis são consequência dos interesses dos empresários, que negam aumentos ou melhores condições de trabalho, e estão avalizados pelos sinais que o próprio governo deu para estes conselhos de salários. Os aumentos propostos pelo poder executivo praticamente implicam em perdas de salário real, quando os índices de inflação tendem a subir por fora dos dados apontados pela equipe econômica.

A alta adesão à paralisação, apesar da falta de continuidade que os dirigentes da central impõem às medidas de luta, mostra o descontentamento dos trabalhadores com a situação econômica, com os baixos salários, com o desemprego que ameaça os postos de trabalho.

A adesão também é um sinal para o próprio PIT-CNT, ao mostrar que os trabalhadores estão dispostos a tomar medidas de luta, a exigir do governo que mude sua política econômica e que estão fartos de que o custo da crise recaia sobre os trabalhadores.

Por um verdadeiro plano de luta

Ainda que a burocracia sindical pretenda preservar o governo, deixando a independência política de lado, e ao mesmo tempo tente não perder prestígio com estas medidas isoladas e passivas, é inegável que a paralisação foi contundente.

Este tipo de medida não é suficiente para alterar a situação econômica social do país. Para que haja uma saída, os trabalhadores têm que impor um verdadeiro plano de luta votado em assembleias em todos os locais de trabalho, que unifique as diversas reivindicações, que lute pelo salário, contra os fechamentos de fábricas e as demissões, e por aumento de verbas para a saúde e a educação.
Tradução: Luciana Vizzotto




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