ELEIÇÕES 2016

Urnas devem confirmar grande derrota do PT no ABC Paulista e avanço de tucanos

Após perder prefeituras importantes já no 1º turno, o PT pode tomar uma derrota histórica hoje no ABC Paulista, berço do partido. Hoje nem Lula, nem Dilma, votaram.

Fernanda Peluci

São Paulo

domingo 30 de outubro| Edição do dia

Após perder as prefeituras já no 1º turno das duas mais populosas cidades do Estado de SP (São Paulo e Guarulhos) o PT pode tomar uma derrota bastante grande no dia de hoje com a definição da eleição para prefeito no ABC Paulista, berço do partido. Caso as pesquisas de intenção de voto se confirmem, a partir de 2017 nenhuma das 7 cidades do ABC Paulista será governada por petistas, o que não acontece desde 1982.

Os dois únicos candidatos do PT que ainda neste segundo turno concorreram nesta região são Carlos Grana, em Santo André, e Donizete Braga, em Mauá. Hoje, com pouquíssimas chances de ganhar, ambos completam um quadro político bastante desanimador para o PT: derrota, enquanto os tucanos avançam. Todos os municípios do ABC poderão ser governados a partir do ano que vem por candidatos do PSDB e partidos aliados ao governador Alckmin (em Sto. André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Gde. da Serra). Desta forma, Geraldo Alckmin avança nos seus planos de se candidatar à presidente da República em 2018 forjando uma base agora mais fortalecida.

Alckmin visitou a região do ABC nesta semana, e quanto os candidatos se utilizavam fortemente do discurso de "vamos tirar o PT daqui" para angariar votos, o Governador se utilizou de um tom mais ponderado, afirmando ser "uma mudança histórica", em entrevista ao Estadão.

A crise do PT é tanta que nem ao menos Lula foi votar no dia de hoje, em São Bernardo, como uma "forma de protesto ao atual cenário político no Brasil", segundo o site Broadcast Político. Sequer Lua acompanhou a agenda dos candidatos da região neste segundo turno, como fez no primeiro. Tarcisio Secoli, candidato do PT, ficou em terceiro lugar no 1º turno em São Bernardo. Além de seu descontentamento com a situação no país, o fato de ter ficado fora do 2º turno na sua cidade natal pesou na decisão do ex-Presidente da República. A informação oficial é de que Lula decidiu não comparecer às urnas hoje porque tem 71 anos, o voto é facultativo para as pessoas acima dos 70 anos. Dilma, em visita à sua mãe em BH, também não foi votar em Porto Alegre.

Em meio à crise do PT, o presidente do diretório estadual em São Paulo, Emídio de Souza, em entrevista ao Estadão, assumiu a crise histórica pelo qual o partido passa hoje "O PT teve uma derrota política importante, sabemos reconhecer isso, mas não é uma situação específica do ABC. É um processo nacional".

O retrocesso histórico do PT a nível nacional foi escancarado nestas eleições municipais, como desenvolvemos neste artigo. Além de ter perdido a prefeitura em São Paulo para o tucano Dória, em muitos lugares seus antigos prefeitos foram para partidos golpistas buscando manter seu "pedaço do bolo" de alguma forma. Em lugares teve êxito, como em João Pessoa, em outros sem sucesso, como Marta Suplicy em SP. O PT entrou nas eleições municipais já muito menor que em 2012, e saiu menor ainda. Em 2012 competiu em 1759 municípios, este ano em 989 (nesta ocasião conquistou 650 prefeituras, esse ano 256 por enquanto). Do 3º partido com mais prefeituras, agora o PT ocupa o 10º lugar. Até mesmo no nordeste, "bastião" do lulismo, onde cientistas políticos imaginavam que o fenômeno perduraria décadas, o PT elegeu 114 prefeitos frente a 183 quatro anos antes.

O partido que passou pelo mensalão, que foi arrastado pela Lava Jato, que sofreu um forte golpe da direita no Parlamento, hoje tem consolidada a pior eleição em décadas. Perderam o apoio da direita que tanto conciliaram, que escolheu o PT como exemplo de "combate contra a corrupção" e porque frente à crise este partido não foi até o final na implementação dos ajustes que a burguesia achava tão necessário contra os trabalhadores; e perdeu também o apoio da esquerda com o aumento da precarização do trabalho, um avanço sem precedentes da terceirização, privatizações, grandes acordos com as bancadas do boi, evangélicas e da bala, e, por fim, e não menos importante, sua inatividade contra o golpe da direita, que não somente foi contra si mesmos, mas contra o conjunto da classe trabalhadora.

PT, um partido sempre aberto à conciliação com a direita e com os empresários. A batalha contra eles e contra a direita golpista segue, assim contra as reformas que querem nos impor (Trabalhista, Política, da Previdência e tantas outras). É necessário organizar uma verdadeira luta contra os ajustes, e fazer com que os capitalistas paguem pela crise que produziram, e não os trabalhadores. Para isso é preciso tirar lições de como o PT abriu caminho à direita em seus governos, e numa resistência ao golpe "sem incendiar o país", como desejou Lula, e assim manteve durante todos estes meses, deixando engessadas as lutas dos trabalhadores desde a direção das maiores centrais sindicais do país CUT e CTB, ou a estudantil UNE. É necessário seguir o exemplo da juventude que hoje resiste ocupando as escolas contra a Reforma na Educação de Norte à Sul do país.

Fotografia: Oglobo.com




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