Política

LAVA JATO

Palocci delata Lula e o PT. Depois do fiasco com JBS e Temer, novo alvo

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

quarta-feira 6 de setembro| Edição do dia

Pedro Kirilos / Agência O Globo

Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda e um dos homens fortes do PT como administrador de privatizações e interesses dos banqueiros sob um governo a serviço dos interesses dos capitalistas, pela primeira vez confessou ser parte dos esquemas de corrupção bilionários da Petrobrás. E, diferente dos depoimentos anteriores que tinha prestado, de palavra e sem provas, envolveu os ex-presidentes do PT, Lula e Dilma, nos desvios da Petrobrás no que ele chamou de um pacto de sangue de Emílio Odebrecht com Lula.

O ex-ministro que está preso desde 2016 abriu seu depoimento dizendo que “os fatos desta denúncia dizem respeito a um capítulo de um livro um pouco maior do relacionamento da Odebrecht com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos, em forma de doação de campanha, de benefícios pessoais, em forma de caixa 1 e caixa 2." Palocci confessou ser parte do esquema de corrupção na Petrobras, mas disse ser uma engrenagem. Segundo ele, o beneficiário maior era Lula. Ouvido como réu em um processo criminal, o petista citou acerto de R$ 300 milhões de Emílio Odebrecht com Lula. E que na troca dos governos Lula e Dilma, em 2010, Emílio Odebrecht buscou Lula e fez um "pacto de sangue" com ele.

O motor do conflito entre os políticos capitalistas e a Lava Jato não é a corrupção mas sim qual esquema favorecer. Essa bomba na política nacional surge após o fiasco da estratégia do partido do judiciário em utilizar as denúncias acerca da JBS para implementar um golpe dentro do golpe, mirando como alvo a retirada de Temer da presidência. Visavam com isso o objetivo de mudar mais profundamente o regime para favorecer ataques e privatizações mais globalmente. Derrotados nessa sua empreitada e com Temer gastando milhões para sair impune, Janot e a Lava Jato voltam de novo à nova ofensiva: desfile de gravações e de delações sem ninguém saber se são verdadeiras, a conta gotas e conforme interesses. Essas arbitrariedades do judiciário que atingem um ex presidente pode ser muito mais danosa contra os trabalhadores.

Esse conflito entre a casta política e o partido do judiciário só é possível graças a uma situação de intensa crise política no país e da traição das direções das grandes centrais que permitiram a manutenção de Temer, das reformas e das privatizações que se intensificaram após o boicote da greve geral. Está mais que claro que não é a Lava Jato que vai responder à corrupção inerente entre os políticos da burguesia, empresários e a casta política; é preciso questionar o regime político de conjunto atacando os capitalistas. Por isso é necessário impor pela luta uma nova assembleia constituinte que tenha como primeiro passo revogar a reforma trabalhista e apurar todos esses esquemas tomando como medida o confisco dos bens de todos os corruptos e a expropriação das empresas tomadas pela corrupção, como parte da luta por um governo operário em ruptura com o capitalismo.




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