CENSURA

Universidade do Rio demite professoras por participação em ato contra Bolsonaro e imagem de Marielle

Professoras foram alvo de perseguição e intimidação por parte da base bolsonarista. A direção da universidade endossou a perseguição proibindo as professoras de participarem de atos contra o governo, e diante da recusa, demitindo as funcionárias.

sábado 10 de agosto| Edição do dia

Duas professoras da Universidade Estácio de Sá relatam que tiveram calendários seus com a imagem de Marielle Franco arrancados de suas salas. Após o ocorrido, a professora Amanda Mendonça foi chamada, em 17 de maio, para uma reunião com Jorge William Yoshida, o diretor do campus. O diretor ao invés de oferecer apoio a professora pela clara tentativa de intimidação pediu que a professora se desculpasse e garantisse que não participaria novamente de greves e manifestações, como a de dois dias antes, em 15 de maio, contra os cortes na Educação. Mendonça se recusou a atender aos pedidos e entregou o cargo de coordenadora.

No dia seguinte, em 18 de maio, as cenas se repetiriam com outra professora, Laila Domith. Ela também usava um calendário com a foto de Marielle e havia participado do protesto contra o governo Bolsonaro. Por se recusar a seguir as orientações, ela também foi demitida e entrou com uma denúncia no Ministério Público do Trabalho.

O caso demonstra como as tentativas de censura e perseguição ideológica ,que vemos repetidas vezes nas declarações e iniciativas de Bolsonaro, fomentam em sua base um ativismo e uma patrulha ideológica que buscam intimidar e atacar qualquer expressão a esquerda e em oposição ao reacionário governo de extrema-direita do presidente.

Aprovada a reforma da previdência vimos a verdadeira metralhadora de declarações reacionárias acionada pelo presidente, com o objetivo de capitalizar a vitória para empurrar ainda mais a direita a conjuntura. Diversas expressões de censura começaram a se seguir, por parte da base de Bolsonaro - incluindo forças policiais - legitimada pelo discurso de seu capitão, como a invasão do sindicato de professores em Manaus, quando organizavam uma manifestação contra a presença do presidente na cidade; a censura ao show de Bnegão, após manifestações políticas suas; a proibição de um debate com Boulos no IFPR.

Mais uma vez a imagem de resistência da vereadora Marielle Franco é alvo da ira bolsonarista. Contra a escalada autoritária do governo, que busca se apoiar na força e na intimidação para aprovar uma agenda de duros ataques, é preciso novamente tomarmos as ruas. No dia 13 de agosto está sendo convocado mais um ato em defesa da educação, contra os novos cortes do governo e o programa de entrega ao capital financeiro, Future-se, que quer acabar com a educação pública de qualidade.




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