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CRACOLÂNDIA

Unidades de atendimento para usuários são fechadas na Cracolância após 5 meses da repressão

Após os cinco meses da repressão aos usuários de drogas e as pessoas em situações de rua, agora Unidades de atendimento aos usuários de drogas estão fechadas ou operando parcialmente.

Rafaella Lafraia

São Paulo

quarta-feira 11 de outubro| Edição do dia

(Foto: Werther Santana/Estadão)

Faz quase cinco meses das ações higienistas – leia-se brutal repressão como parte da ação da Policia Militar (PM) e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) - combinadas com o governador Geraldo Alckmin, da gestão do prefeito João Dória (PSDB-SP) para expulsar os dependentes químicos e pessoas em situação de rua que da região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo.

Relembre: O fracasso da política higienista de Doria

Para o prefeito, tal ação fazia parte de um projeto, que já era anunciado em sua campanha eleitoral, que previa a reinserção social dos usuários de droga da região, por via de emprego e moradia nos hotéis do bairro. Mas, como apresentado em matéria do G1, parte das unidades de atendimento aos usuários de drogas mantidas pelo município no local estão fechadas ou operando parcialmente.

A justificativa para tal é que há necessidade de espaço para a construção de prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva, mas não se coloca a brutalidade e os danos causados por esta megaoperação repressiva na ocasião. Além disso, ressalta-se que a própria prefeitura coloca que o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e que por isso os “serviços estão temporariamente suspensos”, comprovando que a ação foi tomada para favorecer o mercado imobiliário e a parcerias público-privadas, que aguardam ansiosamente para desfrutar também de mais esta região.

O fechamento destes locais e com a intensificação das revistas pessoais, feitas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Polícia Militar, mudou a cara da região, onde antes se via a presença maior de profissionais da saúde e da assistência social. Aqueles que ainda persistem relatam uma maior dificuldade ao abordar os usuários, que estão mais arredios. Estas informações só pioram a lacuna de um programa que tem como menor preocupação a garantia de condições básicas para a superação desse problema, uma vez que permanecem a criminalizar os dependentes e usuários de drogas, bem como suas condições de vida. Ou seja, longe de extinguir tal questão, a gestão tucana só tem por interesse a “reurbanização da Cracolândia”, que só tem causado o caos e aprofundado ainda mais este problema de saúde pública, afim de atender os anseios da especulação imobiliária.




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