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CORONAVÍRUS

Unicamp obriga terceirizadas a trabalhar mesmo suspendendo aulas devido ao coronavirus

Em nota, reitoria da Unicamp expõe seu papel reacionário anunciando que mesmo sem aula, os trabalhadores terceirizados da universidade continuarão trabalhando.

sexta-feira 13 de março| Edição do dia

Nessa quinta-feira (12) a reitoria da Unicamp anunciou a paralisação da universidade por duas semanas, do dia 13 a 29 de março, devido à pandemia do Coronavírus. Em nota, a reitoria informa que algumas atividades “essenciais” serão mantidas, como o HC (Hospital das Clínicas), o Cecom (Centro de Saúde da Comunidade) e, entre essas atividades, também serão mantidos todos os serviços terceirizados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o total de casos relatados fora da China - onde a doença teve origem - aumentou quase 13 vezes e o número de países afetados quase triplicou. A OMS declarou que a classificação do vírus como pandemia se deve à rapidez de sua transmissão e também ao fato de que mesmo com alertas, alguns países não tratam o caso com o devido nível de compromisso político.

Mesmo a par dessas informações, a Unicamp se nega a liberar os trabalhadores terceirizados, que são os que mais têm contato com o público e, portanto, estão mais expostos ao vírus. A reitoria, que recebe U$1000 de banco para parcerias público privadas, com o objetivo de aprofundar os projetos de privatização da universidade, escancara seu perfil contraditório ao demonstrar que estão a serviço das empresas, mas que não têm responsabilidade com seus próprios trabalhadores.

Entretanto, não é segredo que a reitoria de Marcelo Knobel não trata os trabalhadores terceirizados com seus devidos direitos. Desde o ano passado o Esquerda Diário vem expondo o papel reacionário da reitoria em ameaçar 330 trabalhadoras terceirizadas do bandejão de demissão, o que ainda se sustenta, e de demitir um dos trabalhadores ameaçados por expor essa ação da reitoria publicamente em uma assembleia. Frente a isso, essas trabalhadoras precisam se expor ao vírus, ir à universidade sem que se tenha aula ou sequer pessoas circulando, sem saber se terão um emprego mês que vem.

Sabemos que a terceirização é um dos meios para avançar sobre a privatização das universidades, transformando os serviços internos que sustentam a universidade em uma mercadoria para ser explorada por empresas. As consequências imediatas da terceirização é a precarização da própria universidade, junto à superexploração e precarização dos trabalhadores, que, além dos salários de fome, não recebem os mesmos direitos dos trabalhadores efetivos, dividindo-os e enfraquecendo, praticamente impossibilitando, sua organização política e sindical.

Confira a declaração da Juventude Faísca

Nós exigimos que as terceirizadas sejam liberadas de seus postos de trabalho contando com seus direitos, refeição e salários garantidos pela Unicamp e também com o mesmo apoio médico e hospitalar que a universidade oferece aos estudantes, funcionários efetivos e professores. Também lutamos pela sua efetivação imediata, já que trabalham em condições extremamente precárias, sem necessidade de concurso público, para que tenham os mesmos direitos que um trabalhador efetivo e sejam reconhecidos como trabalhadores da universidade.

Também é preciso que medidas básicas em relação a estudantes bolsistas devem ser tomadas pela reitoria. Em primeiro lugar, é necessário garantir que esses estudantes não tenham que cumprir as horas de bolsa trabalho nem durante e nem depois do período de suspensão das atividades. Além disso, a reitoria deve oferecer auxílio financeiro para estudantes que não têm condições de voltar para suas casas no período de suspensão, e que dependem do bandejão para se alimentar. O DCE e associações de professores (Adunicamp) e trabalhadores (STU) têm urgentemente que exigir com toda força essas medidas.




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