CORONAVÍRUS

Unicamp mostra capacidade para baratear testes: trabalhadores do HC precisam ter acesso

Na Unicamp, centenas de testes para diagnóstico do Coronavírus são produzidos semanalmente e estão em processo de averiguação sobre sua eficácia.

Faísca Unicamp

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segunda-feira 13 de abril de 2020| Edição do dia

Foto: Liana Coll/Unicamp

Testes, EPI’s, contratações e liberação dos grupos de risco na saúde

Frente ao governo Bolsonaro que odeia as universidades e a ciência, esse fato nos mostra sua potencialidade para combater a Covid-19 e como essa capacidade deve ser ampliada ao máximo. Junto a isso, é preciso garantir que os trabalhadores, a começar pelos do Hospital das Clínicas (ligado à Unicamp), que seguem sem ser testados, tenham acesso a esses diagnósticos.

Os testes são totalmente fundamentais no combate ao coronavírus para que possamos saber o número real de mortes e dos infectados, e assim garantir uma quarentena racional, planificada, junto com a garantia de todas as condições necessárias àqueles que não têm moradia ou vive em condições precárias. A quarentena “vertical” de Bolsonaro (isolar apenas idosos e grupo de risco) é verdadeiramente absurda. Sem os testes, mesmo a quarentena defendida por Mandetta, os governadores e os militares é uma medida para navegar sem GPS, pois impede de saber de fato como vencer o vírus. Junto com insumos básicos de prevenção, os testes massivos são urgentes e essenciais.

Mesmo após anos de cortes e ataques à educação, a Unicamp é uma das universidades públicas que tem desenvolvido pesquisas sobre a pandemia de coronavírus, que está se intensificando no Brasil e já conta com mais de 22 mil casos confirmados e mil mortes registradas com uma taxa de letalidade difícil de se aferir, uma vez que não há testagens massivas, nem mesmo dentre os trabalhadores dos chamados serviços essenciais. Mandetta depois de um mês mentindo diz que agora vai testar os profissionais da saúde. É urgente que todos tenham acesso imediatamente, pois embora Dória e Bolsonaro tenham prometido milhares de testes, não se sabe onde estão, o que torna o método de quarentena e isolamento social, que Bolsonaro combate, menos eficaz.

Foi montada uma equipe com estudantes, pesquisadores e trabalhadores a frente para o combate do vírus, que por enquanto já realiza centenas de testes por semana, mas afirma ter a meta de conseguir realizar até 5 mil testes por dia. Segundo informes oficiais, os testes estão em processo de averiguação para ter garantia de que serão eficazes. Mas desde já é necessário levantar a urgência de que os trabalhadores, principalmente os do Hospital das Clínicas que não foram testados ainda, tenham acesso a eles. Junto a isso, é preciso exigir prioridade à análise dos testes de universidades públicas frente aos de empresas privadas e internacionais.

Os trabalhadores do Hospital estão trabalhando sem saber se estão infectados ou não, racionando alguns insumos básicos de proteção, como álcool em gel, e os grupos de risco, efetivos e terceirizados, estão encontrando resistência em serem liberados, com casos já confirmados de trabalhadores de Hospital - na semana em que dois trabalhadores da USP faleceram vítimas de Coronavírus.

Ao mesmo tempo em que a universidade reafirma a capacidade de produzir centenas de testes semanais, que deve ser ampliada ao máximo, é necessário que primeira medida a ser tomada quando os testes forem liberados seja disponibilizá-los aos trabalhadores que estão na linha de frente de combate ao vírus, para que estejam seguros de que não estão infectados. No Brasil 7 mil profissionais da saúde foram afastados das suas funções na última semana. Dos que que conseguiram fazer testes (não foram todos), 1400 estão infectados por coronavírus e 18 já morreram. O número de enfermeiros e técnicos possivelmente infectados e afastados aumentou 660% - passou de 158 para 1.203 casos. A maioria dos profissionais de enfermagem afastados tem entre 31 e 40 anos, sendo 83 % mulheres.

Reivindicar o potencial da universidade agora também é parte de ver que na maioria delas existem hospitais que servem à população e estão cumprindo um grande papel nessa crise. Frente a isso, precisamos também exigir EPIs, para que nenhum trabalhador dos hospitais universitários (e dos demais) trabalhe sem máscara, álcool em gel, luvas. Além de novas contratações emergenciais, colocando os estudantes de medicina à disposição e liberando imediatamente efetivos e terceirizados que são grupo de risco com licença remunerada, como sabemos que o HC na Unicamp vem resistindo em fazer.

Na USP já morreram dois trabalhadores que eram grupo de risco por causa disso, o reitor está esperando que isso aconteça também na Unicamp para tomar alguma medida? As universidades podem produzir material para abastecer o hospital e dar um suporte aos trabalhadores e é para isso que devemos batalhar, para que as pesquisas e a organização econômica estejam a serviço de salvar vidas.

Ampliar a capacidade da universidade para produzir testes aos trabalhadores e à população

Partindo disso, seria possível organizar comissões que realizem também testagem para quem quiser nos bairros pobres e periferias de Campinas e na população que é atendida pelo HC, de amplitude que vai além da cidade.

A maior dificuldade para a ampliação de testes é a obtenção de reagentes importados que hoje são disputados pelas economias imperialistas. Porém, pesquisadores, estudantes e trabalhadores da Unicamp foram capazes de produzir testes que utilizam reagentes produzidos nacionalmente (pelo menos as enzimas e oligos) barateando o custo dos testes. Este custo poderia ser reduzido ainda mais se estas empresas que produzem os reagentes, que inclui “empresas-filhas” da Unicamp, fundadas por ex-alunos da universidade e que apenas em 2019 tiveram um lucro de R$ 7,9 bilhões, fossem colocadas sob controle dos trabalhadores em conjunto com a força-tarefa, já que esta não precisaria pagar pelos lucros privados na produção dos reagentes.

Apesar de os reitores como Marcelo Knobel da Unicamp estarem se aproximando da política de governadores como Doria, que busca aparecer como setor sério e responsável, mas aplaudiu a MP de Bolsonaro que permitia suspender contrato dos trabalhadores por 4 meses, iniciativas como a dos estudantes e trabalhadores da Unicamp poderiam ser a verdadeira alternativa à política desses setores, pois mostram o enorme potencial das universidades para desenvolver pesquisas e produzir uma série de insumos básicos para combater a pandemia, em falta hoje para a população.

Nossa batalha é para que os trabalhadores e pesquisadores da área da saúde estejam à frente dessas iniciativas e controlem as empresas que possuem os recursos necessários para que os testes massivos sejam assegurados, pois só assim teremos garantia que chegará em nós. É preciso questionar quem comanda esses projetos e para quem eles vão servir. Hoje, se isso vai chegar para os trabalhadores e em que ritmo será, são as empresas que vão ditar. Nesse sentido, é necessário se contrapor à lógica do mercado e do lucro que comanda as pesquisas e exigir nenhuma porta aberta às empresas na universidade. Essa é a nossa batalha por uma universidade à serviço dos trabalhadores e do povo pobre.




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