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"Unicamp Livre": os filhotes de Bolsonaro na universidade para atacar o movimento estudantil

Com uma cara de liberais no costumes e na economia, o grupo Unicamp Livre (que existe em outras universidades) está comprometido com a cobrança de mensalidades nas universidades e com ataques aos trabalhadores. Muito estardalhaço para velhas ideias pintadas de novidade, o Unicamp Livre, grupo impulsionado pelo MBL, são os filhotes de rato deixados pelo movimento bolsonarista na Unicamp, que por trás da farsa de democráticos querem coibir o movimento estudantil e avançar na privatização da universidade.

Faísca Unicamp

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segunda-feira 19 de novembro| Edição do dia

O Unicamp Livre foi um grupo que se formou como reação à direita à massiva greve de estudantes em 2016, que lutava contra o golpe, os cortes da reitoria e pela conquista das cotas raciais e permanência estudantil. Suas pautas iam diretamente contra o amplo movimento que lutava por uma maior entrada de estudantes pobres e negros na universidade, falando de “coitadismo” e dizendo que nosso movimento, com dezenas de cursos em greve, atacava e oprimia professores e alunos, defendendo até os dias atuais a cobrança de mensalidade nas universidades e trazendo, em uma recente mesa, Kim Kataguiri, o jovem da direita que surge como reação aos protestos de 2013.

Na mesma época em que ocorria o golpe, defenderam abertamente as manobras de todo o golpismo como a Lava-Jato e da extrema direita, que abriram espaço para aplicar ataques econômicos ainda mais profundos do que o PT já vinha fazendo, como a Reforma Trabalhista, a Lei de Terceirização irrestrita e a tentativa de aprovar a Reforma da Previdência.

Parabenizaram a vitória do reacionário Bolsonaro nas eleições mais manipuladas da história pelo Judiciário, que prendeu e vetou arbitrariamente Lula, sequestrou o voto de milhões de nordestinos com o argumento da biometria e com direito a delações vazadas pela Lava Jato uma semana antes da votação. Chegaram até mesmo a ameaçar assembleias estudantis que se colocavam contra Bolsonaro e agora se colocam como os defensores da democracia nas eleições estudantis do DCE.

São apoiadores do Partido Novo, os que de novo não têm nada e defendem o mesmo projeto escravista de Bolsonaro. Também querem organizar um “movimento estudantil diferente”, com o argumento de forjar estudantes ideológicos para acabar com a “doutrinação” em sala de aula, reforçando o ataque do escola sem partido à educação que irá colocar uma mordaça na boca de professores e alunos.

Por trás da cara de defensores da democracia, propuseram e votaram para que as eleições de representantes discentes do CONSU fossem realizadas pela reitoria, sendo que na última, por falta de quórum, os estudantes perderam uma cadeira. Hoje questionam as eleições do DCE com o único objetivo de atacar o movimento estudantil, já que afirmam abertamente, assim como Bolsonaro que defende “aparar os centros acadêmicos”, que as entidades estudantis como a UNE devem se tornar “obsoletas”.

Entretanto, se hoje os grupos da direita entram cada vez mais em cena, sem nenhum medo de colocar suas posições reacionárias, é também porque as gestões burocráticas da UJS e do Apenas Alunos abrem espaço para que essa direita se coloque enquanto uma voz que parece “séria” frente aos problemas pelos quais passa a nossa entidade, mesmo não passando de uma piada.

O processo eleitoral deste ano já ocorre com problemas absurdamente burocráticos e nós da Faísca não nos furtamos de denunciar e exigir a completa lisura do processo. A gestão do Apenas Alunos e UJS divulgou o edital das eleições apenas um dia antes de se encerrar a inscrição de chapas e essa inscrição foi prorrogada de última hora, sem nenhuma divulgação mínima aos estudantes, que têm o direito de debater e refletir o que querem da sua entidade em um tempo hábil para que qualquer um que quiser tenha o direito a formar chapa e disputar suas ideias.

Além disso, o burocratismo da UJS e Apenas Alunos foi construído durante o ano inteiro, basta lembrar que propuseram, sem nenhum debate com os estudantes, o Clube DCE, oferecendo dados dos alunos para empresas privadas como forma de financiar a entidade estudantil e atrelando-a aos interesses de empresas como o MC Donald’s.

Mal convocaram espaços amplos de debates, reuniões e assembleias para que os estudantes pudessem ver no DCE uma ferramenta de luta e o movimento estudantil estar melhor preparado para enfrentar hoje os ataques de Bolsonaro. Também não se colocaram a apoiar a greve de trabalhadores que ocorreu por mais de 50 dias na universidade. Não fazem isso porque a juventude do PcdoB, que hoje compõe a chapa “Pro dia nascer feliz”, junto ao PT, tem como estratégia frear a mobilização independente dos estudantes e trabalhadores, e assim se colocar como a única oposição ao golpismo e agora a Bolsonaro, canalizando para a via institucional e ao terreno parlamentar a vontade de luta dos estudantes.

Mas para entender como a UJS e o AA encontraram espaço na Unicamp e no DCE, também é preciso olhar para o legado deixado no DCE pelo PSOL, da chapa “Coragem Para Vencer o Medo”. Foram mais de 10 anos em que o “Domínio Público” (hoje Enfrente) estiveram a frente da entidade, e em 2017 a chapa “Lutar sem Temer”, composta pelos grupos: Afronte (na época Mais), Vamos à luta, Juntos e Enfrente, também estiveram na gestão da entidade, e foram incapazes de fazer do DCE uma entidade viva para mobilizar os estudantes na grande crise pela qual passa o Brasil e que tem nas universidades uma trincheira que demonstrou ao longo do segundo turno sua vontade para enfrentar os ataques contra os trabalhadores e a juventude.

Um exemplo é o Congresso dos Estudantes, um importante espaço que decide os rumos do movimento estudantil na Unicamp a cada 2 anos e que não é realizado desde 2015, quando foi completamente burocratizado pela UJS, mas que nos anos de 2016 e 2017, quando o PSOL esteve à frente, não propôs nenhuma medida para retomá-lo. Motivos para sua realização, em face às mudanças do país, não faltaram.

Além de não ter como concepção de entidade uma entidade tomada pelos estudantes e aliada aos trabalhadores, já que nem mesmo assembleias convocavam, não tiveram nenhuma política séria de financiamento da entidade, deixando o DCE sem verbas, o que retira a autonomia financeira e política, que hoje é reforçada pela reitoria com a repressão da vivência e que abre espaço para propostas como a do Clube DCE. Além disso, a chapa também não tinha um claro posicionamento contra o golpe e o autoritarismo judiciário, já que Enfrente, Vamos à luta e Juntos aplaudiram a Lava Lato diversas vezes e se negavam a dizer que foi um golpe o que vivemos em 2016.

Por um DCE que organize a luta pela base, juntos aos trabalhadores, para enfrentar as ideias asquerosas de Bolsonaro e do autoritarismo judiciário, apoiados pelo Unicamp livre

Não apenas com os métodos mais democráticos para com o conjunto dos estudantes iremos combater o Unicamp Livre, mas também com um programa radical. Bolsonaro representa os anseios por saídas radicais de uma parte da população, e oferece um programa radical de direita, com mais censura e pagamento de mensalidades. A esquerda precisa apresentar um programa radical que capitalize todo o descontentamento com o regime político vigente, e na Unicamp queira defender uma universidade que de fato sirva aos trabalhadores e à população.

Para isso, precisamos retomar nossas entidades de luta. A juventude do PCdoB e do PT não pode ser uma saída, pois mostra que sua oposição será estritamente parlamentar, enquanto se utiliza dos movimentos sociais e de lutas parciais para fazer o governo de Bolsonaro “sangrar” frente à população e se preparar para novas eleições em 2022. No entanto, apesar disso, a classe trabalhadora poderá amargar diversos ataques, como a reforma trabalhista e a reforma da previdência sem ter a frente uma direção que aposte na sua luta para barrar esses ataques, que se comprovam na paralisia da CUT e CTB (centrais sindicais dos trabalhadores) e da UNE (maior entidade estudantil da América Latina).

Queremos nos defender dos ataques de Bolsonaro, Dória e o Unicamp Livre. Mas para isso, não podemos defender a “universidade pública” tal como é hoje, como também diz defender a reitoria de Knobel, que fala em “defesa da universidade” e “autonomia” enquanto gere a Unicamp de costas à população e aos trabalhadores e de braços abertos às empresas. È preciso defender a universidade pública levantando que universidade nós queremos.

Por isso, nós da Faísca estamos fazendo parte dessas eleições para o DCE com a chapa “Katendê”, junto a estudantes independentes, e defendemos que o DCE rompa com toda essa lógica burocrática sustentada há anos e possa ser tomado pelo conjunto dos estudantes, contra os ataques de Bolsonaro e do golpismo à educação e previdência. Para isso, também queremos debater com cada um qual programa precisamos levantar para subverter essa universidade para poucos.

Queremos lutar pela radicalização do acesso da população à universidade, por isso defendemos o fim do vestibular, que é um filtro que deixa milhares de estudantes fora da Unicamp anualmente. Para isso também é necessário a estatização das universidades privadas, que se enriqueceram através do endividamento de milhões dos estudantes fazendo o maior monopólio de educação no mundo a Kroton-Anhanguera. Essa política foi fomentada pelo PT, e hoje abre espaço para que essas universidades privadas estejam na linha de frente para colocar EAD no ensino médio e fundamental, ao lado de Bolsonaro.

Se queremos transformar a universidade, precisamos questionar para onde vai o conhecimento produzido nela. Longe de ser “lunático”, como nos chamou o Unicamp Livre, é cada vez mais real enfrentar a presença das empresas dentro da universidade que guiam a produção de conhecimento. O Inova na Unicamp literalmente vende pesquisas feitas com o dinheiro público para a iniciativa privada. Por isso não concordamos com a lógica das empresas-juniores na universidade, que alimentam a concepção das pesquisas e o conhecimento servirem para o lucro das empresas, e não para os trabalhadores e a população.

O MBL e o Unicamp Livre querem coibir o movimento estudantil e sua luta, e precisamos responder à altura fazendo um movimento estudantil que dê medo nos setores reacionários. Queremos que os estudantes organizem sua revolta contra Bolsonaro, por isso sempre defendemos e exigimos da UNE a criação de comitês e espaços de base para os estudantes organizarem sua revolta e darem uma resposta contundente à situação política. A nossa auto-organização nunca foi tão necessária, e agora se reforça para mandarmos de volta os ratos do Bolsonaro aos esgotos de onde vieram.

Venha conhecer e construir a chapa “Katendê” nessas eleições para DCE!




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