Mundo Operário

Uma tristeza que assolou agosto

Homenagem a jornalista Maria Alice Machado que nos deixou no último mês.

quarta-feira 2 de setembro| Edição do dia

Alice era integrante do Comitê do Esquerda Diário no ABC. Participante ativa dos grupos de trabalho, contribuiu grandemente, com maestria e afinco, nos conteúdos e revisões dos textos para o diário. E sua atenção em cada parágrafo expressava também sua maestria na vida.

Sua contribuição, inclusive material, faz parte de alguns dos pontos de apoio fundamentais sobre os quais erguemos e mantemos a nossa rede internacional de diários. E sua confiança neste projeto se expressou na dedicação com a qual tomou cada tarefa, assim como tudo em sua vida.

Em sua mocidade, Alice já mostrava suas veias revolucionárias, confrontando as ideias patriarcais, primeiro dentro de sua família, quando seu pai insistia em dizer que trabalhar fora era só para os homens, e que às mulheres não restava nada mais do que cuidar da casa e da família.

Mas Alice disse não! Disse não às pressões do patriarcado, disse não para a ideia de que as mulheres não podem, e se jogou no mundo. Com sua inteligência irreverente, enveredou pelo jornalismo, casou-se e teve um filho e uma filha.

O casamento não foi fácil, tampouco conciliar sua vida, seu trabalho e o cuidado dedicado aos filhos.

Sua filha, a professora Maíra Machado, é o fio de continuidade da força e coragem de sua mãe, Alice. Maestrina na vida, Alice se esforçava a cada dificuldade, chorava a cada momento triste, amou intensamente cada um dos filhos e todos que a cercavam, confiante na humanidade reivindicava toda a sensibilidade que um ser humano pode ter.

Alice trazia em seu DNA o que é ser de fato o que chamamos de tribuno do povo, se colocando à frente junto conosco, na luta contra as repressões policiais, o racismo, o machismo, LGBTfobia, feminicídios, sempre disposta a combater as mazelas que o capitalismo nos impõe diariamente.

Alice amava a música popular brasileira, poemas e poesias, ria das rimas e se emocionava com os musicais. Alice foi uma uma mulher lutadora, de esquerda, mãe, livre e reivindicava a liberdade feminina. A liberdade que Alice expressava em suas histórias é o que fica marcado em meio à sua partida, tão repentina e dolorosa.

Alice compreendia profundamente que o mundo deveria ser visto com o olhar das mulheres, e Alice também soube ser poesia mesmo em meio a tanto caos.

Nós do Esquerda Diário nos sensibilizamos demasiadamente com essa perda, e enviamos por meio de nossas palavras todo o afeto e carinho aos filhos, familiares e amigos de Maria Alice Machado.




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