Política

CONGRESSO PTS

Uma nova etapa da situação mundial

Em sua primeira sessão o XVI Congresso do PTS abordou as principais mudanças na situação internacional a partir da chegada de Donald Trump ao governo do EEUU, retomando para eles os debates iniciados na reunião extraordinária da Fração Trotskista pela Quarta Internacional de março deste ano.

sexta-feira 21 de abril de 2017| Edição do dia

O debate se abriu a partir do informe de Emilio Albamonte, Começou sinalizando que a política nacionalista de que apresenta Trump, ainda que não esta claro em que magnitude e em que tempo, representa uma ruptura com os Governos neoliberais e globalizantes- tanto conservadores como socialdemocratas- que predominou toda a etapa anterior da restauração neoliberal. Esta etapa que teve lugar logo depois da derrota do ascenso de massas a nível internacional (1968-1981), começou com a derrota de Reagan a greve dos controladores aéreos norte-americanos, de Thatcher aos mineiros ingleses e a Guerra das Malvinas. Logo se estendeu aos países semicoloniais mediante ao chamado "Consenso de Washington", e teve sua expressão na restauração capitalista nos ex Estados operários burocratizados, com diferentes consequências na URSS e na China.

Enquanto que a Rússia na restauração levou ao colapso a economia- cujos índices foram comparados ao de uma grande guerra- no caso da China, a migração de centenas de milhares de camponeses as cidades foi utilizada pelo capital imperialista para transformar a China na " ateliê do mundo" com baixos salários e piores condições de trabalho. Logo depois de escancarada a crise mundial em 2008, o crescimento da China se transformou em um fator importante a partir de 2010 para evitar uma depressão da economia mundial em toda a linha.

Frente ao esgotamento deste esquema, e no marco da decadência de sua hegemonia mundial, o grosso do establishment norte-americano, representado na última eleição por Hillary Clinton, apostava na continuidade da tarefa que cumpriu restauração neoliberal de baixo das bandeiras da globalização com uma linha mais agressiva sobre a Rússia, fragmentando sua zona de influencia, para assim poder dar saltos enquanto semi-colonizavam. Uma política que tinha traços aventureiros, no marco da própria crise de hegemonia norte-americana.

Neste marco, o Governo de Trump representa uma tentativa de ruptura da orientação "globalizadora", marcando uma virada no nacionalismo econômico. Abrindo de conjunto um período caracterizado pelas tendências ao nacionalismo econômico ( que tende a chocar-se com a estrutura fortemente globalizadora do capitalismo atual), alianças instáveis, maiores disputas e rivalidades entre as grandes potencias, guerras comerciais e também conflitos militares no que veem envolvidos.

Sobre este ponte de desenvolvimento uma parte da discussão da primeira jornada do Congresso sobre os motores fundamentais deste gira na política norte-americana: até que ponto responde ao repudio contra o establishment de amplos setores perdedores da "globalização" e não das necessidades diretas das frações hegemônicas do capital. Ou se efetivamente responde a divisão no interior do aparato estatal burocrático militar norte-americano, como expressão de uma encruzilhada diante da qual se encontra a burguesia imperialista, que toma por base aqueles setores mais golpeados pela globalização.

Esta e outras polêmicas tiveram, como marco, o fato de que a orientação de Trump está em plena definição, como mostram em ralação a sua política exterior dos recentes bombardeios na Síria e no Afeganistão. O mesmo ocorre em relação a Rússia.

O governo de Trump como bonapartismo débil

Por sua vez, o informe abordou a definição da caracterização do Governo de Trump como bonapartismo débil nos marcos de um regime democrático burguês. Desde a mesma campanha eleitoral Trump tem feito alarde de contar com o apoio de uma parte significativa do comando do exército. No Congresso do PTS se discutiu como esta caracterização, por sua vez, está na base das políticas oscilantes que levaram adiante Trump em sua intenção de arbitrar sobre diferentes frações no marco de um governo que ainda não está estabilizado.

Por outro lado, desde o informe e vários delegados, assinalaram que longe do que pretendem alguns analistas, a política de Trump não é isolacionista. De conjunto, o nacionalismo econômico que propaga Trump implica em uma política imperialista mais agressiva no plano esterno, guiada pelo unilateralismo militarista, e mais reacionária no plano interno, expressada em sua política anti-imigrante, antissindical e anti-democratica em geral.

Elementos de recomposição política do movimento operário

Outra das discussões girou em torno dos elementos de recomposição do proletariado em sua situação atual.

Desde este ângulo, se olhar pela direita vemos setores da classe trabalhadora que votaram no Trump nas eleições passadas norte-americana, tem importantes setores do movimento operário que expressam elementos de uma recomposição política pela esquerda. Fenômenos de primeira ordem para os revolucionários nos quais intervieram, obviamente, direções reformistas e centristas.

Por exemplo, pelas próximas eleições executivas na França, algumas pesquisas mostram a possibilidade de uma possibilidade de uma sabotagem entre a Frente Nacional de Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon. No caso da direita nacionalista e xenófoba de Le Pen, conta com cerca de 7%da intenção de voto entre setores de trabalhadores. Mas por outro lado, pela esquerda, no caso de Mélenchon, apesar de que é um velho membro do Establishment político francês, deve sem embargo sua grande popularidade a um discurso baseado na promessa de uma "ruptura radical" com o atual sistema de governo ( "revolução cidadã"), e a sustentar demandas do movimento operário como a jornada semanal de 32 horas, baixar a idade para aposentar aos 60 anos, entre outras medidas.

Por sua vez, a esquerda de Mélenchon tem se transformado em um fenômeno político, a candidatura anticapitalista de Philippe Poutou ( trabalhador da Ford) pela NPA (Novo Partido Anticapitalista). A enorme simpatia que tem despertado sua candidatura nos lugares de trabalho e de estudo, assim como a popularidade de suas intervenções, mostrando que é possível um discurso e programa anticapitalista e de classe. A luta por conquistar esta candidatura de que formou parte da Courant Communist Révolutionnaire teve que enfrentar a resistência inclusive de setores do próprio NPA que brigavam por não aceitarem candidaturas independentes.

O que mostra o caso francês não é somente a existência de elementos de recomposição política do movimento operário ( depois de décadas de retrocesso subjetivo), senão a saída e a vontade dos revolucionários de disputar- na luta contra aquelas variantes reformistas que buscam moderar- para que tenham sua expressão anticapitalista e de classe. É um exemplo de um fenômeno muito mais amplo. Estes elementos de recomposição política do movimento operário são parte dos principais fenômenos que atravessam a situação mundial. A própria Frente de Esquerda na argentina é uma mostra disso. Estes e outros debates atravessaram a primeira jornada do Congresso do PTS.

Tradução: Tatiana Ramos Malacarne.




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