Internacional

ACUSARAM O PAPA DE ENCOBRIR ABUSOS SEXUAIS

Uma "guerra não santa" dentro do Vaticano

Uma carta do ex-comunicador Carlo Maria Viganò acusando o papa Francisco de encobrir as acusações de abuso contra o cardeal Theodore McCarrick, descobre a guerra interna na Igreja.

terça-feira 28 de agosto| Edição do dia

"Algo cheira mal no Vaticano", parafraseando as linhas da famosa obra do inglês William Shakespeare, depois que uma extensa carta do ultraconservador ex-comunicador Carlo Maria Viganò atacou o papa Francisco.

O arcebispo Viganò, ex-comunicador (representante diplomático) em Washington entre 2011 e 2016, acusa em uma carta de 11 páginas a Bergoglio de "cobrir" e silenciar os abusos do cardeal americano Theodore McCarrick e na mesma carta pede que o atual papa "renuncie" por ter olhado para o outro lado.

Viganò, membro da ala da cúria reconhecida por suas posições contra o divórcio ou a homossexualidade, foi o protagonista da primeira notícia do Vatileaks que culminou com a "aposentadoria" do ex-papa Bento 16. O ex-comunicador tornou pública sua carta contra o atual pontífice no meio da visita papal à Irlanda e quando as vítimas de abusos reclamaram pela inação da Igreja contra os agressores.

A carta afirma que ele pessoalmente informou Bergoglio que o cardeal McCarrick havia sido acusado de assédio sexual de um adolescente. De acordo com a carta, a resposta de Bergoglio a Viganò nunca chegou, e o Vaticano não agiu até que o caso viesse a público pela mídia. A acusação não é apoiada por provas, mas é credível, considerando as ações do Papa Francisco em casos semelhantes, como aconteceu no Chile, onde Bergoglio defendeu Dom Barros acusado de encobrir o abuso de menores por padres naquele país.

A relação de Bergoglio com McCarrick não foi circunstancial, de fato, ele se tornou um proeminente conselheiro para as seguintes nomeações de autoridades eclesiásticas nos Estados Unidos para o Vaticano. Além disso, ele também usou isto para a muito boa relação que estabeleceu o atual papa com a administração de Obama. Tudo o que aconteceu foi deixar de lado que, entre 1994 e 2008, bispos americanos, o representante do Vaticano em Washington e até mesmo o Papa Bento XVI foram informados dos abusos do cardeal com seminaristas adultos, segundo informações coletadas pelo New York Times. E tudo aconteceu enquanto McCarrick se tornou um importante promotor da nova política de tolerância zero da Igreja contra o abuso infantil.

"Algo cheira mal ao Vaticano", começando com a hipocrisia de setores da liderança eclesiástica que usa casos de abuso infantil, aos quais todos os altos funcionários da Igreja ajudaram a encobrir, a se livrar da guerra interna.

Uma "guerra santa" que não tem seu centro na disputa entre ultraconservadores e reformadores, como muitos analistas insistem em marcar para dar uma aura "progre" ao papado de Bergoglio o mesmo que soube liderar a "guerra santa" contra o casamento igualitário ou o aborto legal na Argentina, mas tem o objetivo de conquistar o "espólio" da administração do Vaticano e as altas posições da Igreja no mundo.




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