Mundo Operário

GREVE BANCÁRIOS

Uma greve decisiva para enfrentar os ajustes de Temer e dos banqueiros

Entrevistamos Thais Oyola, bancária da Caixa e delegada sindical da Ag. Sé no centro de São Paulo, sobre o primeiro dia da greve dos bancários.

terça-feira 6 de setembro| Edição do dia

ED: Como vocês têm avaliado as condições da greve este ano?

Thais: Nossa avaliação, pra um cenário que apresenta uma série de ataques, começando pela tentativa dos bancos e do governo Temer de impor uma política arrocho salarial, mas também na Caixa com ameaça de privatização e, de um modo geral, os ataques que vêm contra a previdência e contra os direitos trabalhistas, a preparação para a greve foi bastante aquém do que deveria ser para se enfrentar com esse nível de ajuste que vem. É um cenário difícil onde as pessoas ainda estão olhando com o mesmo rotineirismo, uma greve que tem variáveis muito distintas dos anos anteriores, e onde o sindicato também demonstrou que não tem disposição de luta, por mais que tenha acabado de haver um golpe no país. O próprio Sindicato dos Bancários de São Paulo não colocou nenhum peso em organizar os bancários para serem parte ativa da greve, pelo contrário continuam fomentando a greve de pijama da maneira que podem, fazendo ações descoladas dos bancários. Na verdade, o que a gente avalia é que é preciso que haja uma mudança nessa postura para poder estar à altura do nível de ataques que tá vindo, porque não adianta só brigar pelo salário sendo que outros direitos ainda mais fundamentais tão em jogo, e uma greve como essa de bancários que é nacional, depois do golpe, pode cumprir um papel decisivo no enfrentamento contra esses ataques do governo golpista do Temer.

ED. Como foi início da greve em São Paulo?

Thais: A greve começou bastante parecida com o que a gente viu nos anos anteriores aqui no centro de São Paulo. A maior parte dos locais tão fechados ao atendimento. Em relação a adesão está bastante parecido também, acho que não teve grandes mudanças. Conversando com alguns delegados sindicais, em algumas concentrações parece que teve um pouco mais de adesão do que viram no ano passado. O que a gente viu ainda é pouca disposição dos bancários tomarem a greve para si, ainda estão voltando para suas casas, acompanhando de longe a greve. Esse é o primeiro dia, e não sabemos como que vai ser os próximos.

ED. Quais os passos para fortalecer a greve e enfrentar o novo governo e os banqueiros?

Thais: Bom, primeiro é fundamental que os bancários se coloquem como sujeitos na greve, e não voltem pras suas casas para ficar assistindo de longe, de camarote, o trator das direções burocráticas do sindicato passarem. É fundamental que todos nós tomemos essa greve e organizemos ela a partir dos locais do trabalho junto com nossos colegas para que possa ser uma greve diferente e uma greve que possa se dirigir também a outros setores que estão em campanha salarial nesse segundo semestre, como os petroleiros, os correios, para que a gente possa fazer uma luta unificada porque os ataques estão vindo sobre as cabeças de todo mundo, então a resposta tem que ser conjunta também. É fundamental a gente quebrar essas barreiras que próprias direções burocráticas impõe para nos dividir nesse momento e chamar essas outras categorias a uma greve mais unificada, que possa ser um exemplo para outros trabalhadores do país.




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