Cultura

MAIO DE 1968 / AS CANÇÕES QUE CANTÁVAMOS NAQUELES ANOS / Nota n.2

Uma canção para Che Guevara: Victor Jara

Che Guevara: uma canção que encantou àquela geração sessentista.

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 17 de maio| Edição do dia

Eu não canto por cantar / nem por ter uma voz bonita / Canto porque o violão / tem sentimento e razão [Victor Jara]

Os leitores do Esquerda Diário estão convidados – neste mês de maio de 2018 – como homenagem aos 50 anos do maio de 1968, a fazerem, conosco, uma viagem ao imaginário musical daqueles tempos.

Vivíamos a estação das músicas de protesto, canções que clamavam pela revolução na América Latina, que cantavam a revolução no Chile, no Vietnã, o maio de 68 na França. Tempos em que canção rimava com revolução.

Nosso repertório vermelho era inesgotável, a fonte de inspiração, mundial - primeiro Cuba, depois o maio de 1968 em um país imperialista, o movimento estudantil no Brasil etc – e nos engajávamos na revolução embalados por estrofes inesquecíveis e inconfundíveis, como era o hino da Unidade Popular, do Chile, que era comum que o cantássemos de cor. Mas também Victor Jara, Vandré, Violeta Parra, Vandré e tantos outros.

O que nos faltava de direção revolucionária, com estratégia política correta, sobrava de poesia musical e disposição de combate. Seguramente tudo isso voltará, a tarefa das tarefas continua sendo a luta por uma reflexão estratégica que nos leve à vitória [para isso tem tratado de contribuir o Esquerda Diário]. Mas seguramente teremos que retomar aquela poesia e elevá-la a um patamar superior nas novas lutas.

Victor Jara foi um dos grandes poetas daquele tempo.

Artista e militante revolucionário, diretor de teatro, cantor e compositor, sua marca sobre a juventude revolucionário do nosso tempo, aqui no Brasil também, foi indelével. Quem, da minha geração, não lembra Te recuerdo Amanda, e tantas outras?

Ele foi o maior cantor de protesto do Chile. Nascido em 1932, foi barbaramente assassinado pela ditadura de Pinochet em 16 de setembro de 1973, com um tiro na nuca depois de ter as mãos cortadas. Em seguida teve o corpo perfurado por 40 tiros.

A ditadura devotava a ele um especial ódio de classe, por suas canções que empolgavam a geração revolucionária chinela e latino-americana. Foi torturado por 4 dias e, sabendo que ia morrer, cantou, cantou com paixão, sendo fuzilado em seguida.

Suas canções homenageavam Ho Chi Min, Allende, Pancho Villa e, a canção que vocês podem ouvir abaixo, em duas versões, homenageia Che Guevara.
Na próxima nota traremos a imperdível Te recuerdo Amanda [Amanda era o nome de sua mãe].

Victor Jara faz parte da memória revolucionária daquele tempo e da minha geração. Deve ser relembrado, revisitado, para que, sobre seus ombros, levantemos a nova canção para as novas revoluções que empreenderemos neste século XXI.

Você pode conferir, abaixo: Zamba del che, de 1969.

Opção remasterizada:

Zamba al Che Victor Jara

Vengo cantando esta zamba
con redoble libertario,
mataron al guerrillero
Che comandante Guevara.
Selvas, pampas y montañas
patria o muerte su destino.
Que los derechos humanos
los violan en tantas partes,
en América Latina
domingo, lunes y martes.
Nos imponen militares
para sojuzgar los pueblos,
dictadores, asesinos,
gorilas y generales.
Explotan al campesino
al minero y al obrero,
cuanto dolor su destino,
hambre miseria y dolor.
Bolívar le dió el camino
y Guevara lo siguió:
liberar a nuestro pueblo
del dominio explotador.
A Cuba le dió la gloria
de la nación liberada.
Bolivia también le llora
su vida sacrificada.
San Ernesto de La Higuera
le llaman los campesinos,
selvas, pampas y montañas,
patria o muerte su destino

***




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