Política

PROFESSORA MAÍRA MACHADO

Um programa que de fato enfrente a crise capitalista

No editorial da Folha de São Paulo de domingo (26), o jornal faz um levantamento de propostas “irrealizáveis” pelos principais candidatos a presidência da república. Contudo, longe de dar uma saída para a crise econômica do país na verdade fortalece posições dos golpistas para aplicar cada vez mais ataques à classe trabalhadora e a população.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

segunda-feira 27 de agosto| Edição do dia

Apesar das aparências que alguns candidatos tentam passar, essas não são eleições normais. Ao contrário, a crise do regime e o avanço do bonapartismo do Judiciário, que veta a participação de Lula para escolher a dedo o próximo presidente, demonstram cada vez mais a insatisfação popular que se expressa nos votos brancos e nulos, mas também certo tipo de “resistência passiva” com Lula mesmo preso sendo líder nas pesquisas eleitorais.

Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) dizem acabar com o rombo das contas do governo em um ano. Bolsonaro (PSL) promete fazer isso também em um ano. De fato são propostas irrealizáveis, uma vez que sem uma recuperação econômica qualquer governo que entrar será débil e em menor ou maior medida terá que aplicar os ajustes que a burguesia planeja contra a classe trabalhadora.

Como Bolsonaro que já declarou que realizará privatizações, bem como a reforma da previdência e aplicar a reforma trabalhista, que a vice de Ciro falou que ele próprio defende, assim como Alckmin. Estes são alguns ataques que inclusive já vinham acontecendo nos governos do PT, mas que se aprofundam com o golpe institucional de 2016. E são essas as saídas prometidas pelos candidatos a presidência, mais reformas e privatizações.

Mesmo o programa econômico do PT que fala de melhora das condições de vida, a partir de um programa utópico neodesenvolvimentista de retomada do crescimento, conscientemente esconde a existência de uma crise econômica mundial.

São todas propostas irrealizáveis no cenário que estamos, são realizáveis nos marcos de mais duros ataques à classe trabalhadora, que certamente virão com o próximo governo que entrar. A grande questão é que mesmo que se efetivem podem não significar uma retomada do crescimento econômico, mas na verdade uma sustentação dos lucros dos grandes capitalistas a partir da carestia de vida da maioria da população que tem um objetivo: a continuidade do saque imperialista do país pela via do pagamento da dívida pública.

Nenhum candidato questiona até o fim o pagamento da dívida pública no país. Uma dívida ilegal, fraudulenta e ilegítima que organiza toda a nossa economia para o enriquecimento dos grandes imperialistas, em sua maioria bancos, e controlada por 12 empresas.

A saída para a crise econômica do país só pode se dar pelas mãos da classe trabalhadora, que só tem a perder os grilhões que a prendem à exploração e espoliação capitalista. Um programa anticapitalista que se enfrente até o final com a crise do regime, denunciando a manipulação das eleições que prende Lula, ao mesmo tempo sem defender em nenhum nível a política do petismo, que abriu espaço para o golpe institucional.

Um programa anticapitalista que defenda a revogação da reforma trabalhista e da PEC do teto, bem como que diga não ao pagamento da dívida pública, juntamente com estatização dos bancos e monopólio do sistema financeiro é a única saída realista à crise capitalista que vivemos, para que quem a pague não sejam os trabalhadores e a população, mas os próprios capitalistas que a criaram.




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