Sociedade

Um primeiro semestre "produtivo" para a PM assassina de SP

sexta-feira 28 de julho| Edição do dia

O ano de 2017 será marcado pelo primeiro semestre com mais mortes pela policia militar de São Paulo dos últimos 14 anos, em comparação com o mesmo período dos anos anteriores. A cada 2 dois dias, cinco pessoas são assassinadas pela PM, totalizando 459 mortes. Um aumento de 13,8% em relação ao ano de 2016.

Os dados são da pesquisadora Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança, e mostram também que a maior parte das mortes partiram de PMs, 430 óbitos. Do total, 117 foram quando os agentes estavam de folga, quantidade que também é um recorde.

Para Samira "esse fenômeno tem sido ignorado pelo Estado, que é, no mínimo, omisso. Enquanto isso não se tornar um problema para a secretaria, que age de forma pouco transparente, a situação vai continuar."

Ela classifica como "mentirosa" a associação feita entre a alta da letalidade da polícia e a redução da criminalidade. "É uma ideia hiperfantasiosa dizer aos policiais que eles podem ser justiceiros, deixar nas mãos deles a decisão de quem pode viver ou morrer", diz. "Nenhuma sociedade foi capaz de reduzir a violência gerando mais violência."

Já o ex-comandante da PM de São Paulo, que ocupou o cargo entre o fim de 2012 e o início de 2015, coronel Benedito Roberto Meira, discorda e atribui a alta ao crescimento da violência e ao destemor dos criminosos. "Nenhum policial sai às ruas com o propósito de atirar e matar. O confronto hoje acontece porque, para o bandido, isso representa status. Se matou, tem status na facção. Se morreu, foi em batalha, como se não fosse crime", disse.

O brutal assassinato do carroceiro Ricardo Nascimento, de 39 anos, em Pinheiros, e a tortura e o assassinato de Leandro Santos, de 18 anos, na Favela do Moinho, são apenas dois exemplos recentes de centenas de execuções cometidas pela PM de SP, contradizendo a absurda afirmação do coronel. Os dois casos seguem sem punição aos policiais e sem um desfecho da corporação.

Os números odiosos da policia de São Paulo, uma das mais violentas do mundo, não é exceção do estado, em um pais em que os políticos corruptos seguem atacando os direitos mais elementares da população como, saúde e educação, e tirando os direitos trabalhistas, aumentando o trabalho informal, desemprego e a miséria.

A justiça brasileira, instituição que hoje cumpre o papel junto com os políticos nas reformas, também tem a grande tarefa da burguesia de punir "os Rafaeis Bragas" e deixar passar impune os soldados, que como no Rio de Janeiro, matam "as Marias Eduardas", com a desculpa de guerra as drogas. A verdadeira face da polícia militar brasileira hoje é de guerra a juventude pobre e negra.

Em São Paulo, na mesma proporção em que Geraldo Alckmin fecha salas de aula e demite professores, aumenta o aparelho repressor do estado.




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