Educação

OCUPAÇÕES DAS ESCOLAS

Um pouco da força dos LGBTs nas ocupações

Sou André, sou secundarista, sou homossexual e participo da ocupação do Eliseu Narciso em Campinas, que tem sido uma experiência em que nunca pensei que faria parte de uma luta tão grande como essa. A partir da ocupação me tornei uma pessoa mais questionadora, disposto a não deixar nenhuma opressão acontecer, lutando sempre.

sexta-feira 11 de dezembro de 2015| Edição do dia

Na luta dos secundaristas contra a reorganização das escolas pelo governo Alckmin, fica evidente o quanto os LGBT’s, mulheres e negros estão tomando a frente dessa luta. Esses setores estão organizando assembléias e o comando das ocupações, mostrando sua força nessa luta.

A ocupação das escolas, além de mostrar sua força para a derrota da reorganização de Alckmin, uma das maiores vitórias em décadas, deu forças para que mulheres, LGBT’s e negros combatessem inclusive as opressões que sofrem.

As ocupações fez com que muitos estudantes saíssem fortalecidos e não apenas voltem para suas salas de aula para estudar, mas para lutar contra o machismo, racismo e homofobia que acontece todos os dias. A ocupação fortaleceu inclusive LGBT’s para assumir para suas famílias sua orientação sexual, com seus colegas de sala os apoiando.

Ser gay na escola pública não é fácil, uma vez que se sofre diariamente com agressões tanto física e como verbal. Marcando diversos jovens que sofrem com a homofobia. As escolas hoje não tem a estrutura necessária para receber um homossexual, uma vez que nem casos de opressão são combatidos pela direção da escola, ou muitas vezes é a própria direção que oprime esses alunos.

O debate de gênero muitas vezes é proibido de ser feito, reproduzindo continuamente as opressões e incentivando para que mais um homossexual receba uma pedrada todo dia na saída da escola. Tal debate é importante, pois é necessário educarmos os atuais estudantes da existência de diferentes maneiras de expressão da nossa sexualidade, ao mesmo em que questionamos os valores tradicionais de homem e mulher que estão colocados. Não é possível aceitar que mais estudantes sejam discriminados, apedrejados e até mortos, por sua orientação sexual.

É dever da escola fornecer um ensino que englobe o tema LGBT, bem como o das mulheres e dos negros. Chega de ser julgado e punido pelo o que somos ou fazemos. Na construção de uma nova sociedade, é fundamental um ensino que também seja libertador.




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