Economia

Um país vendido na mesa de jantar dos magnatas chineses

domingo 4 de setembro| Edição do dia

Temer, Serra, Meirelles e a corte golpista chegaram à China às pressas. Na mesma tarde da consumação do golpe institucional no Senado, o time partiu à jato para Hangzhou antes do início da cúpula do G20. Os caixeiros não tinham tempo a perder, roíam as unhas e alguns presentes ao vôo noticiaram que o tucano Serra “andava nervoso para e para cá no corredor do avião”. Uma espécie de Síndrome da Pronta Entrega se abatia em nossos campeões.

O objetivo da viagem, como atestam diversos analistas internacionais, não é o peso político que o Brasil terá na cadeia dos jogos capitalistas mundiais, já que todos os chefes de estado o vêem como um “um zelador com mandato fraco” com o qual não carece interagir; e sim a necessidade de mostrar que Temer está disposto a ajoelhar-se diante dos chefes capitalistas do mundo e implorar que seu país seja comprado.

Serra se acabrunhou quando ouviu de outros chefes de Estado que “governos que praticam o protecionismo vem aqui defender o livre comércio”, referindo-se ao Brasil. Contrariada, a equipe de golpistas se aprumou, esticou os bigodes e mostrou a todos que está à venda, abrindo o portfólio da entrega nacional.

“Está tudo em pé, desestatizações e concessões”

Assim Temer se refere às privatizações noventistas que vem preparando com Moreira Franco, em estilo de polimento biônico. Já se assinaram acordos no valor de R$15 bilhões com a China, dentro do portfólio possível de R$300 bilhões.
O Maranhão foi agraciado com o peso chinês. Foi assinado um contrato de serviços no valor de US$ 3 bilhões, entre o governo do Brasil e a empresa CBSteel, para a construção de projetos siderúrgicos no município de Bacabeira (MA). Também foi assinado acordo entre a China Communication and Construction Company Internacional (CCCC) e o grupo WPR, para investimento de R$1,5 bilhão no terminal multicargas de uso privado em São Luis (MA).

Ratificada também está a proposta da chinesa State Grid pela aquisição de participação de 23% na CPFL, distribuidor de energia do Brasil, controlada pela Camargo Correa. O valor do negócio é estimado em R$ 5,85 bilhões.

Um acordo de parceria entre o Banco Modal e a CCCC, por sua vez, estabelece que o banco brasileiro será o assessor exclusivo da companhia chinesa envolvendo projetos e investimentos em infraestrutura no Brasil. Diniz Baptista, dono do Modal, foi um eminente golpista e é recompensado por defender a “moral e a justiça” junto com Bolsonaro, Feliciano e Ronaldo Caiado.

Um acordo para a criação do Fundo de Investimento do Desenvolvimento da Agricultura do Brasil e China, com capital de US$ 1 bilhão, foi assinado também em Xangai. O fundo explorará a cadeia do setor agrícola brasileiro, especialmente em infraestrutura, incluindo armazenamento, logística e portos. O artífice desse acordo com o Ministro da Agricultura e membro da comitiva de caixeiros, o bilionário latifundiário Blairo Maggi. Investigado no STF por lavagem de dinheiro, crimes financeiro e ambientais, Maggi anunciou plano de elevar a participação brasileira nas exportações agrícolas mundiais, de 7% para 10% do total no prazo de cinco anos.

Xie Tao, presidente do grupo Hunan Dakang International Food and Agriculture, que já havia comprado fatia na trading e processadora de grãos brasileira Fiagril, disse ver oportunidades importantes no Brasil. Transações recentes incluem a compra pela chinesa Cofco de participações de controle na trading holandesa Nidera e da unidade de agronegócio do Noble Group, que deu acesso à empresa chinesa a usinas de açúcar e plataformas de produção de grãos no Brasil e Argentina.

Isso num momento em que as gigantes imperialistas Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, perderam seu centenário domínio do mercado de exportação de grãos do Brasil para a China.

O mais ambicioso plano parece remontar os apetites chineses por exportar sua superprodução de cimento, ferro e aço. A China propôs ao Brasil criar uma estatal binacional para levar adiante a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) modelo que poderia ser utilizado em outros investimentos chineses no segmento ferroviário no país. O ministro dos Transportes, golpista Maurício Quintella Lessa, disse que “o governo vai estudar o assunto, pois é algo novo”.

A ideia de Pequim é de que as respectivas estatais - a Valec e a China Railway Corporation - formassem uma holding para administrar a construção da ferrovia, com 1.527 km de extensão, ligando o porto de Ilhéus e as cidades de Caetité e Barreiras, na Bahia, a Figueirópolis, no Tocantins, ponto de interligação com a Ferrovia Norte-Sul, na qual os russos têm interesse. O investimento chinês poderia ser de R$12 bilhões, virtual controle completo da malha ferroviária e do serviço de escoamento de grãos e minérios.

Uma vez que o BNDES “não vai mais financiar 70% dos projetos daqui pra frente”, como diz Quintella, o governo quer parcerias de investimento (e entrega nacional) a todos os países. "Vamos ser muito claros: o cenário no Brasil mudou. Não vai ter mais subsídio do BNDES. Quem se interessa em operar concessões no país vai ter de trazer junto seus investidores".

Cheias de dinheiro, empresas chinesas aproveitam a sede por privatizar de Temer para avançar agressivamente no subcontinente e buscar impor taxas de exploração chinesas aos trabalhadores brasileiros e imigrantes. Um movimento que serve para estimular a disputa entre EUA e China pela América Latina e sua principal economia.

No campo agrícola, nas ferrovias, no mapa de infraestrutura, a ordem do golpismo é uma só: não há preconceito algum em colocar a vida dos trabalhadores e o país na mesa de jantar dos magnatas chineses.




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