Sociedade

TRAGÉDIA MUSEU NACIONAL

Absurdo: um juiz do STF ganha mais do que o orçamento do Museu Nacional em 2018

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

domingo 2 de setembro| Edição do dia

Não é possível ficar impassível vendo as imagens do Museu Nacional, um dos mais importantes do país sediado no palácio onde viveu a família real portuguesa construído em 1818, sendo a mais antiga instituição científica do Brasil. O Museu Nacional, que foi consumido pelo fogo no mesmo ano em que completa seu 200 aniversário, era patrimônio histórico tombado desde 1938. Tratava-se do quinto maior museu do mundo em acervo, com mais de 200 milhões de itens, dentre os quais coleções de arte egípcia, 10 mil anos de objetos arqueológicos, o mais antigo fóssil humano encontrado no país, dentre muitas outras riquezas históricas e culturais. Trata-se de um acervo que expressaram milhares de anos de história, não apenas do Brasil como do mundo.

Nesse momento a assessoria de imprensa do Museu Nacional acaba de declarar que toda esse patrimônio que jamais poderá ser restituído, foi completamente destruído pelo fogo. A administração do Museu Nacional estava a cargo da UFRJ, cujas instalações são recorrentemente também acometidas por incêndios, e que há tempos vem alertando para o sucateamento das instalações.

A rapidez com que o fogo está destruindo o Museu Nacional é a mesma com que se espalha a raiva contra o governo do golpista Temer, que em aliança com os governos do Rio, impuseram ataques que já vem acabando com a ciência e a universidade pública no país, e que agora devasta nossa história. Em entrevista à Globonews, o vice-diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte afirmou sem esconder a raiva que nunca teve nenhum tipo de atenção do governo.

Portanto, não se trata de uma simples tragédia. Mas da consequência direta dos ataques capitalistas, que mergulham a cada dia o Rio de Janeiro em uma crise econômica, política e social que vem custando vidas, e agora queima nossa memória, nossa história. É a expressão dos ataques à ciência, do sucateamento da universidade pública, dos efeitos da PEC 55 que congela os gastos públicos em Saúde, Educação, enquanto trilhões são pagos aos banqueiros e monopólios imperialistas com a dívida pública.

Mas dinheiro para sustentar o Museu Nacional não havia, para o governo golpista do Temer e os capitalistas a quem ele favorece. O orçamento do Museu Nacional em 2013 estava estimado em R$ 531 mil. Em 2018 foi de R$54 mil até o mês de Abril. O gasto para a manutenção do Museu Nacional é menor do que recebe a casta de juízes juiz do STF, que sendo generosos com eles mesmos como bem sabem ser, recentemente se deram aumento para ganhar R$ 37 mil reais, ao qual se acrescentam benefícios que chegam à casa dos R$100 mil totais. Ou então um pouco maior que os gastos do Supremo com passagem aéreas, que só em junho de 2018 custou R$ 44.354,81.

Enquanto isso o diretor do Museu Nacional, Alexander Kelnner já vinha denunciando os problemas, e recorreu a uma vaquinha virtual, tendo que contar com doações de pessoas físicas para abrir salas de exposição. Um verdadeiro escândalo.

É preciso combater os ataques dos capitalistas, não pagando a dívida pública, e revertendo a entrega da Petrobras, tornando-a 100% estatal sob gestão dos trabalhadores e controle popular para que haja dinheiro para Saúde, Educação, e Cultura. Não vamos esquecer, nem perdoar que a nossa história queime pela ganancia capitalista.




Tópicos relacionados

Crise no Rio de Janeiro   /    cultura   /    Rio de Janeiro   /    Sociedade   /    Poder Judiciário

Comentários

Comentar