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Um gabinete macrista para o peruano Kuczynski

Seguindo os passos do seu par argentino, o novo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, apresentou um ministério neoliberal cheio de banqueiros e CEO de empresas.

quinta-feira 28 de julho de 2016| Edição do dia

O presidente eleito do Peru, Pedro Pablo Kuczynski que assumirá suas funções neste 28 de julho, e que era banqueiro de investimento de empresas nacionais e estrangeiras, apresentou na sexta passada 16 de julho, o gabinete de ministro que irá acompanha-lo. Os ministros convocados tem um perfil similar ao seu quanto a proximidade com os principais grupos empresariais peruanos, e as instituições financeiras internacionais, das quais seis deles são economistas que desempenharam funções como altos funcionários de corporações peruanas e internacionais.

Vários dos nomeados ja foram ministro ou funcionários de governos anteriores, incluindo a ditadura de Aberto Fujimori (1990-2000), embora cabe de assinalar a notória ausência de operadores políticos de peso na equipe ministerial do PPK.

Assim a primeira equipe ministerial do próximo governo peruano nada tem a invejar o gabinete ministerial de Mauricio Macri, com quem Kuczynski tem em comum o pertencimento ao mundo das grandes empresas e seu alinhamento com as politicas econômicas neoliberais. No entanto entre sinais de amizade e boas relações Macri confirmou sua presença para a posse do Presidente Pedro Pablo Kuzcynski na próxima quinta.

Ministros que atendem a ambos os lados do balcão

O papel de principal operador políticos do governo recai sobre o presidente do Conselho de Ministros, o economista Fernando Zavala, de 45 anos, que ocupou cargos no governo de ALejando Toledo e do ex presidente preso Aberto Fujimori.

Quando Zavala era vice-ministro de Economia do governo Toledo (2003) abaixou em 0,02% dos impostos destinados a cervejarias. Parece pouca coisa mas se tratava de uma soma consideravel. Três anos depois, Zavala passaria a integrar a equipe de CEO da maior cervejaria do país a Backus, corporação peruana subsidiaria da SAB Miler, que será absorvida pela transnacional AB-Inbev, um exemplo claro da relação entre as empresas cervejeiras e o governo que se dá também em outros ministérios. Outro alto executivo da cervejeira Backus e Johnston, Afonso Grados, ocupará o Ministério do Trabalho.

O ministro da economia será Alfredo Thorne, economista neoliberal que foi chefe do plano de governo de PPK e que antes trabalhou no J.P. Morgan Chase, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Quando foi indicado como novo ministro da Economia dirigia sua própria empresa especializada em assessoria econômica e financeira e em fusões e aquisições.

O ministério de relações exteriores será ocupado pelo diplomata de carreira Ricardo Luna, que foi embaixador nos Estados Unidos, Reino Unido e Nações Unidas. Assim a politica exterior do novo governo consolidará a atual politica de priorizar a Aliança do Pacifico e as relações privilegiadas com Washington e o enfoque comercial das relações internacionais, dados relevante já que as negociações do TPP são peça chave da agenda do novo governo.

Uma nomeação muito questionada foi a da ministra do Desenvolvimento e Inclusão Social, pasta que se ocupa dos programas sociais no pais. O PPK disse que continuará os programas deixados pelo governo de Humala e os reforçará, mas nomeou como ministra a advogada Cayetana Aljovín, muito ligada ao setor empresarial e sem experiencia conhecida em politicas sociais. Aljovín foi funcionária dos governos de Alberto Fujimori e Alan García (2006-2011), onde esteve vinculada com as questionadas privatizações e concessões, e atualmente é vice-presidente da Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas (Confiep- sigal em espanhol), o principal instituição empresarial do país.

A Ministra da Justiça, será a atual congressista do Partido Popular Critão Marisol Pérez Tello enquanto que o sociólogo Carlos Basombrío ocupará o Ministério do Interior, um cargo que recebe muita pressão devido que a questão da segurança pública é a principal reclamação dos peruanos nas eleições, por conta do aumento de números de assaltos a mão armada e roubos.

Nas demais pastas regressam ao gabinete, ministros de Alejandro Toledo e Alan García. No Comercio Exterior e Turismo entra o empresário Eduardo Ferreyros, que ocupou esse mesmo cargo no governo de García, e o Ministério da Mulher e Populações Vulneráveis foi designado a Ana Maria Romero-Lozada, que foi titular desta pasta no regime de Toledo, gestão durante a qual foi questionada por ter promovido medidas que afetavam os direitos das mulheres. O vice presidente Martín Vizcarra dividirá esse cargo com o ministro de Transportes e Comunicações. O único ministro que pertence a Peruanos pelo Kambio é José Manuel Hernandez, da Agricultura.

Por ultimo igual ao acontecido entre o governo de Macri e a saída do governo Cristina Kirchner, com o caso Barañao que permaneceu na pasta de ministro da Ciências e Tecnologia, mesmo com a mudança de governo, o novo governo de PPK mantem o ministro do governo de Ollanta Humala, o titular da Educação, Jaime Saavedra, um economista que trabalhou no Banco Mundial, o que o põem em sintonia com a nova equipe de governo.

O cenário é sombrio e preocupante. A equipe ministerial de Kuczynski, tão comprometido com o empresário e os grupos de poder econômico internacionais, pode seguir os passos de seu par argentino, levando adiante uma extraordinária transferência de recursos do bolso dos trabalhadores e do povo peruano para os baús dos empresários e banqueiros.

Para não deixar lugar para dúvidas sobre esta perspectiva sombria, o presidente do maior grêmio empresarial, Martín Pérez, expressou: "o novo gabinete abre um espaço de esperança e confiança para as expectativas empresariais."

Tradução: Gustavo Anversa




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