Política

DISCURSO DE LULA

Um discurso que reconecta 1980 e 2018, e exige tirar lições das capitulações do PT

André Augusto

Natal | @AcierAndy

sábado 7 de abril| Edição do dia

Foto: Miguel Schincariol

Simbólica recapitulação de Lula sobre seu próprio passado. Às vésperas de sua entrega pacífica à polícia federal e aos golpistas que cometeram uma série de arbitrariedades, Lula relembra como era considerado pelos trabalhadores em greve, no poderoso ascenso operário de 1978-80, como "pelego".

Frente a isso, Lula "ficou pensando com ar de vingança contra os trabalhadores”.

Relatou com detalhes como queria quebrar a vontade de combate dos trabalhadores na Vila Euclides, que chegaram a fazer um ato com 50 mil em 1980, chamando "assembleias pela manhã porque à tarde havia perigo de que se radicalizassem". Ao relatar sua política de traição da onda de greves, e convencer de que "se ganhava mais na derrota", Lula disse a verdade. Em meio ao ascenso que colocava os trabalhadores como protagonistas da luta por derrubar a ditadura militar, Lula e os "autênticos" bloquearam a dinâmica de um processo revolucionário no Brasil (na autobiografia de FHC, nunca desmentida por Lula, o tucano relata como o petista disse que "era necessário por fim a estas greves").

O irônico é que Lula disse que "Se não confiasse na Justiça, proporia uma revolução no país". De revolução nunca falou, mas de sua confiança no Judiciário golpista temos exemplos plenos. Sendo um pilar do regime da "Nova República" instalado em 1988 e uma das principais válvulas de contenção da luta de classes para que os capitalistas lucrassem "como nunca" na década de 2000, o PT deixa claro que sua defesa é a da governabilidade burguesa, não a batalha contra os ataques golpistas nessa democracia degradada.

A história deu uma volta como ele mesmo reconheceu, retornando as origens em São Bernardo, sem mais os amigos engravatados que lucraram bilhões sob seu governo e de Dilma. E neste 2018 que se reconecta com 1978 e 1980 as lições são cada vez mais necessárias. Ontem como hoje, o PT foge da luta de classes dos trabalhadores como da peste, e quando esta se impõe, busca freá-la a qualquer custo para desmoralizar os trabalhadores e impedir que ponham de pé uma alternativa política independente da burguesia e dos golpistas. É urgente assimilar as lições da trágica estratégia de conciliação de classes para que possamos construir uma organização revolucionária dos trabalhadores, que queira se enfrentar seriamente contra os golpistas, a direita e os empresários, para derrotar o capitalismo.




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