Política

PEC DO FIM DO MUNDO

Um dia depois de ter feito discurso de ’’democrata’’, Temer reprime as manifestações contra a PEC do Fim do Mundo

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

quarta-feira 30 de novembro| Edição do dia

De acordo com o site do Estadão, na noite da última segunda feira, Michel Temer disse que os protestos são legítimos pois mostram que a população está cobrando mais eficiência nos serviços públicos e privado, mas que o governo não pode ter medo dos protestos. De acordo com ele "Nós não devemos nos assustar com determinados movimentos que pleiteiam cada vez mais eficiência", disse. "Não temos que nos impressionar com movimentos sociais, com aqueles que postulam porque são postulações legítimas. Isso só nos faz ficarmos mais atentos ainda para logo alcançarmos o crescimento do País"

Esta declaração ocorreu um dia antes do protestos das centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda contra a PEC do Teto dos Gastos que foi votada no Senado ontem. O presidente disse que a Constituição garante o direito de manifestações e que se os protestos são organizados e sem violência ’’não há porque reclamar’’ e depois completou "Muitas vezes, estes protestos foram desprezados porque neles ingressaram aqueles que não queriam apenas protestar, mas depredar. Eles não souberam exercitar a democracia", afirmou.

Num seminário chamado Brasil Futuro, promovido pela Consulting House, Michel Temer participou de um painel intitulado ’’Perspectivas para o Brasil’’. O presidente disse no final da sua apresentação que recentemente "verificou uma mudança de chefia" e que "Ao longo do tempo, verificaram-se muitas contestações e por dispositivo constitucional fui alçado a presidente da república". No final da sua fala, Temer termina dizendo que "Se você na democracia não entender que é fundamental o diálogo, democrata você não é"

A postura do governo com as manifestações contra a PEC 241/55 foi totalmente oposta do que discursou Michel Temer. Na ânsia de aprovar rapidamente a chamada PEC do Fim do Mundo, o governo reprimiu violentamente os manifestantes que estavam fora do Congresso. Em nome de defender o lucro dos grandes empresários e banqueiros, Temer sequer esperou o luto pela tragédia ocorrida com o time da Chapecoense.

Mesmo que Temer tente passar uma imagem de ’’democrata’’, ele sabe que para passar os ataques contra os trabalhadores e demais setores populares da sociedade, vai ter que reprimir duramente quem se coloca contra as medidas impopulares que estão em curso. O único dialogo que Michel Temer pretende ter é com os grandes empresários e banqueiros que estão esperando ansiosamente pelos os ataques contra os trabalhadores e demais setores populares da sociedade.

Quando Temer afirma que ’’não devemos nos assustar com as manifestações dos movimentos sociais’’, na verdade ele poderia muito bem dizer que os protestos que ocorreram e que vão ocorrer contra a PEC do Fim do Mundo, não vão impedir que as medidas impopulares desejadas pelos grandes empresários e banqueiros aconteça. Uma mensagem para tranquilizar aqueles que vão sair ganhando com os ataques.

Enquanto acusa as manifestações contra o seu governo e os ataques que estão em curso de violenta, pois ocorrem ’’atos de vandalismo’’, certamente terá uma outra postura com os protestos da direita em defesa da Operação Lava Jato. Ao contrário do que a mídia tenta passar, as manifestações que ocorreram em defesa do impeachment tiveram inúmeros casos de agressão contra pessoas que estavam de vermelho, casos de racismo e até participação de nazi-fascistas e de gente que pede a volta do regime militar.

É preciso dar uma resposta contundente contra a repressão de Temer. É preciso que todos os partidos políticos de esquerda, organização de direitos humanos, sindicatos, organizações estudantis e todos os setores democráticos da sociedade repudiem ativamente o que ocorreu. Além disso, é preciso que a CUT e CTB rompam com a trégua dada a Temer e coloque em pé um plano de luta que seja capaz de organizar uma greve geral efetiva para barrar os ataques.




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