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PANDEMIA

Um dia depois das eleições, Doria anuncia que estado de São Paulo regredirá a fase amarela

Com isso, aumentarão as restrições sobre o comércio e shoppings, mas estes não fecharão. Caso fossem mantidas as regras antigas, a Grande São Paulo, incluindo a capital, deveria regredir para a fase laranja, com restrições ainda maiores.

segunda-feira 30 de novembro de 2020| Edição do dia

(Foto: Patrícia Cruz via Fotos Públicas)

Menos de 24h depois das eleições do 2º turno, onde seu aliado Bruno Covas saiu vencedor na capital paulista, o governador João Doria anunciou que as regiões do estado que estavam na fase verde, incluindo a Grande São Paulo, irão regredir para a fase amarela, de maneira que todo o estado ficará nesta fase. No dia 13 de novembro, pouco antes do 1º turno, o governador havia afirmado que era fake news que a quarentena seria endurecida após as eleições.

Na fase amarela, nenhum comércio fechará e inclusive escolas poderão funcionar, mas os horários de funcionamento e a porcentagem de ocupação máxima serão diminuídas. Segundo cálculos da TV Globo, no entanto, os dados da Grande São Paulo seriam compatíveis com a fase laranja, que possui maior restrições, antes da mudança das regras do Plano São Paulo do governo do Estado.

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É uma demonstração claríssima do uso político dos dados da pandemia, pois na semana passada o próprio comitê estadual responsável por monitorar a pandemia havia recomendado a mudança na fase do plano, além do fato de que diversos estudiosos vêm alertando há semanas sobre o aumento dos casos e da ocupação de leitos. Chegou-se ao absurdo de que, durante a campanha eleitoral, a secretária estadual de saúde de São Paulo ficou 5 dias sem divulgar novos dados sobre casos e óbitos, em uma tentativa de criar uma situação de normalidade, em consonância com o que dizia Bruno Covas em seu discurso de campanha.

É fundamental notar também como a quarentena no Brasil existiu para poucos setores da sociedade, e a maior parte da classe trabalhadora, especialmente os mais precarizados, foram obrigados a continuar saindo de casa para garantir seu sustento. Doria, que buscou aparecer enquanto “oposição racional” a Bolsonaro por supostamente defender as recomendações científicas, nada fez em relação à isso, bem como não garantiu testes massivos para a população nem unificou as filas dos sistemas público e privado de saúde.

Fruto dessa política, o estado de São Paulo, nesta segunda-feira (30/11) ultrapassou as marcas de 42 mil mortes e 1,24 milhão de casos de Covid-19, e seguidos aumentos nas taxas de internação nas últimas semanas. Por isso, não se pode confiar nem em Doria, nem em Bolsonaro, que se degladiam sobre qual vacina deve ser aplicada, para levar a frente um combate de verdade contra a pandemia. Somente os trabalhadores, controlando verdadeiramente o sistema de saúde, com recursos suficientes, podem enfrentar o vírus.

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