Política

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Um debate com a Folha sobre as doações eleitorais e o Bolsa Familia

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 18 de outubro| Edição do dia

Aumentou para R$ 1,41 bilhão o montante de doações eleitorais suspeitas nas eleições municipais de 2016. Isso corresponde a mais de todo o dinheiro doado a candidatos e partidos: 2,227. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral que fez este levantamento: ’’Entre os lançamentos suspeitos há um beneficiário do Bolsa Família que aparece como doador de R$ 75 milhões. Outro beneficiário do programa assistencial do governo emerge do cruzamento de dados como sócio de uma empresa de produções que faturou R$ 3,57 milhões por serviços prestados às campanhas’’

Outro doador despejou nas campanhas R$ 50 milhões. Apesar de não constar no cadastro do Bolsa Familia, não possui uma renda compatível com tamanha generosidade. Também existe um levantamento de um prefeito que despejou nas arcas do diretório municipal do seu partido a bagatela de R$ 60 milhões. O número de doadores mortos subiu para 290. Se formos considerar os casos suspeitos somam 259.968 lançamentos.

Esta pesquisa foi o sexto levantamento parcial sobre a contabilidade das campanhas que o TSE divulga. O primeiro veio à luz no início de setembro. As suspeitas de irregularidade somavam então R$ 116 milhões, passou a R$ 275 milhões na semana seguinte. Bateu R$ 554 milhões no dia 27 de setembro, chegou a R$ 659 milhões em 4 de outubro e alcançou a cifra de R$ 1,41 bilhões neste ultimo levantamento

Onde está o problema ? É no Bolsa Familia?

O programa Bolsa Família criado pelo o ex-governo de Lula, é uma medida que tem como o seu principal objetivo conceder benefícios a uma parcela pobre da sociedade e ao mesmo tempo frear o descontentamento dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade, fazendo com que estes setores não lutem por direitos concretos. Do outro lado, o fato do capitalismo impor a miséria para um grande setor da socidade fez com que milhares de pessoas dependesse deste programa para poder viver.

Com a crise econômica e a consolidação do golpistas institucional, os grandes empresários e banqueiros querem tirar todo tipo de benefícios dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade para poder aumentar sua taxa de lucro. A direita para não se chocar com setores de massas fala na mídia que não vai retirar o bolsa família, mas sabemos que com a crise econômica, o programa também está ameaçado.

Neste marco de crise econômica, a propaganda feita pela direita feita contra o Bolsa Família se intensifica. A intenção da Folha ao publicar esta matéria escrita por Josias de Souza contra o Bolsa Familia tem como objetivo dizer que se trata de um programa obsoleto e por isso dá margem para fraudes e casos de corrupção. A pergunta que fica para a Folha e seu colunista é a seguinte: O que está por trás da doação ilegal envolvendo um beneficiário deste programa.

Com o fim do financiamento privado de campanha, os grandes empresários e banqueiros vem buscando formas alternativas para financiar os seus candidatos. Porém como afirmamos aqui, esta medida não foi efetiva, pois agora os grandes capitalistas fazem doações aos políticos em seu nome. Outra maneira que os empresários encontraram para financiar a campanha de seus políticos é fazendo doações ilegais, como mostra a reportagem da Folha.

Estes casos de fraudes só acontecem porque o Estado como um todo está a serviço dos grandes empresários e dos banqueiros. Esta classe dominante é detentora do poder econômico na atual sociedade, logo ela também vai ser detentora do poder político. Não vai ser na base de leis que vamos mudar isso, mas sim através da luta independente dos trabalhadores em conjunto com demais setores populares da sociedade.




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