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Um caso de exorcismo político no Brasil: Pastor da universal exorciza "entidade de esquerda"

O papel de manipulação e a charlatanice de alguns pastores evangélicos chega a níveis surpreendentes. Depois de fazerem campanha para o candidato racista, homofóbico e machista que defende a tortura e a violência, agora estão fazendo seções de exorcismo em seus fiéis para libertá-los das "entidades de esquerda".

sexta-feira 9 de novembro| Edição do dia

Disse Don Quixote ao seu fiel escudeiro: “Cosas vederes, Sancho, que non crederes”. (Coisas verás, Sancho, que não acreditarás). A frase escrita por Miguel de Cervantes no século XVI, cabe como uma luva para o Brasil atual.

O papel de manipulação e a charlatanice de alguns pastores evangélicos chega a níveis surpreendentes. Depois de fazerem campanha para o candidato racista, homofóbico e machista que defende a tortura e a violência, agora estão fazendo seções de exorcismo em seus fiéis para libertá-los das "entidades de esquerda". Veja o vídeo abaixo:

A religião institucionalizada sempre cumpriu um papel ideológico de manipulação de massa na história. A Igreja Católica, por exemplo, desde o período medieval, sempre posicionou-se ao lado dos donos do poder (nobres, reis), cumprindo um papel chave na dominação das classes exploradas e oprimidas. Todos que se revoltassem contra os reis, diante da exploração e da miséria, estavam pecando contra Deus. Os clérigos esforçavam-se para mostrar que o povo vivia na pobreza por vontade divina e, que a verdadeira libertação e vida plena, só depois da morte. Aqui na terra, deveriam aceitar a própria miséria e rezar para salvar a alma. A religião funcionava como um entorpecente. Como disse Marx: "a religião é o ópio do povo".

Ainda hoje, diversas igrejas no Brasil, como a Assembleia de Deus, a Universal, a Mundial, a rede Record do pastor Edir Macedo, ludibriam seus fiéis cotidianamente, cumprindo assim, um papel reacionário e impondo a ideologia da classe dominante, ou seja, os interesses dos capitalistas e dos ricos sobre o povo. No processo eleitoral desse ano, pastores dessas igrejas se tornaram verdadeiros militantes da extrema-direita e cabos eleitorais de Bolsonaro, fazendo uma "lavagem cerebral" em milhares de fiéis pelo Brasil. Pastores como Silas Malafaia, tiveram papel chave na manipulação ideológica. Nada mais contraditório, de alguém que se diz cristão, mas que apoia candidato que defende a tortura e propaga discurso de ódio.

Em 1991, 9% da população do País se declarava evangélica, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2010, o grupo chegou a 22%. Segundo pesquisa Datafolha publicada em dezembro, os fiéis dessa religião correspondem a 32% dos brasileiros.

Não é a toa, que os políticos estão cada vez mais reivindicando o nome de Deus em seus discursos, transformando a política em um verdadeiro "Show da Fé" (que está mais para Show de horror). Foi assim em toda a campanha de Bolsonaro. O seu pronunciamento após o resultado das eleições foi um verdadeiro culto religioso, começando por uma citação da bíblia ao lado de Ônix "caixa 2" Lorenzoni e com direito a um Magno Malta encarnando um profeta bíblico ao lado de Alexandre Frota (!!!).

Toda essa manipulação pela via da religião, tem um propósito: Bolsonaro precisa usar o discurso religioso porque não pode mostrar o verdadeiro propósito de seu governo: reprimir e retirar direitos dos trabalhadores, aprovar a reforma da previdência e assegurar os interesses dos latifundiários escravagistas e da elite parasitária racista e anti-trabalhador que sempre esteve no poder no Brasil.




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