O ESTADO É RESPONSÁVEL

Um ano sem Santiago Maldonado. O Estado assassino na Argentina e no Brasil

Hoje completa um ano do desaparecimento e posterior morte de Santiago Maldonado. Diversos protestos denunciando o desaparecimento e a morte do jovem que lutava pela causa mapuche ocorreram em toda a Argentina. O Estado é responsável, assim como aqui no Brasil é o responsável por tirar a vida de Amarildo, Marielle, e tantos outros jovens negros, pobres, trabalhadores, minorias, e setores oprimidos que lutam e resistem.

quarta-feira 1º de agosto| Edição do dia

Um ano do desaparecimento e posterior morte de Santiago Maldonado, que estava desaparecido há 78 dias quando foi encontrado morto no lugar em que fora visto pela última vez, embora anteriormente buscas do governo tenham negado a presença do jovem ali.

Um ano de mentiras, versões falsas, operações midiáticas, encobrimento, contradições, ataques deliberados à família da vítima,à comunidade mapuche e aos organismos de direitos humanos por parte do Governo, o Poder Judiciário e os grandes meios de comunicação.

Um ano de luta pela verdade e justiça. Milhares na Argentina, e no resto do mundo, exigimos que ao governo pela aparição de Santiago Maldonado com vida, mobilizados nas ruas para não permitir Santiago se tornar um novo desaparecido na democracia. Mas a luta continua, porque mais uma vez as forças repressivas tomaram um dos nossos, um jovem que lutava pelas causas justas como a reivindicação territorial Mapuche. Porque o Estado e o Governo são responsáveis, não podemos cruzar os braços, porque não podemos permitir que o crime de Santiago se torne um novo monumento à impunidade.

O desaparecimento é um dos métodos que as forças de segurança utilizam como forma de ocultação de um crime, além de pretender gerar um clima de terror em especial entre os que rodeiam a pessoa desaparecida. Assim como na Argentina, as polícias aqui no Brasil também praticam esse método bárbaro de repressão e violência estatal.

Desaparecido um pouco depois das manifestações de junho de 2013, Amarildo foi o pedreiro que, levado para interrogatório na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da Rocinha, nunca mais voltou para casa, para osfilhos e para a esposa.

O nome do pedreiro ecoou por todos os cantos do Brasil em gritos de“onde está o Amarildo?”. Foram várias manifestações pelo país que denunciavam a responsabilidade do Estado e da Polícia Militar no desaparecimento do morador da Rocinha.

Assim como, recentemente, a vereadora e militante política Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados no Rio de Janeiro e mais uma vez o responsável é o Estado.

O assassinato dela foi a tentativa de uma “morte exemplar” para buscar instaurar um clima de medo e defensiva frente a intervenção federal e toda a miséria, desemprego e precariedade que a população é obrigada a viver no Rio de janeiro. Contudo a ação desatou forças que nem o governo Temer, o exercito e o governador Pezão esperava, por isso até a rede Globo precisou tentar se apropriar da Marielle para desviar a indignação que gerou. Todos eles choraram lagrimas de crocodilo morrendo de medo que os atos de milhões que vimos continuassem e confluíssem com a luta de classes e a indignação da população com a degradação das condições de vida.

O caso Maldonado, o caso Amarildo, e o caso Marielle deixam muitas lições em torno do quanto devemos nos organizar em defesa de nossos companheiros que são perseguidos e assassinados por questões políticas. Esses casos mostram a verdadeira face do Estado burguês contra trabalhadores, minorias, e setores oprimidos que lutam e resistem.

Em todos esses casos, a investigação continua nas mãos da mesma polícia, do mesmo Estado, que oprime e mata, ou seja, nas mãos dos mesmos responsáveis pelas mortes e desaparecimentos. Não confiamos nessa justiça, e sabemos que somente uma investigação independente poderá responder a angústia e revolta de milhões que saíram às ruas em repúdio a essas mortes.




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