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Ultrapoluidores: Noruega, Alemanha e Bolsonaro negociam futuro da Amazônia

quarta-feira 10 de julho| Edição do dia

Imagine ir em uma festa de aniversário na qual o anfitrião come a metade do bolo e depois disso comunica aos convidados que devem maneirar nas fatias, pois a comida está acabando. É mais ou assim que os países desenvolvidos lidam com os tratados de preservação ambiental. É o caso do Tratado de Pari,s que hoje tem recebido certa atenção pela imprensa nacional burguesa e parte da imprensa progressista de oposição ao governo Bolsonaro.

Recentemente, Bolsonaro e seus assessores pegaram de surpresa alguns analistas, anunciando como uma suposta “vitória” de seu governo o acordo União Européia – Mercosul, aparente mente formalizado no G20, apesar de ainda ter que ser aprovado pelo legislativo de todos os países dos dois blocos. Para tal acordo, Macron e a Alemanha alardearam: “mas o Brasil deve cumprir o acordo de Paris!” – acordo na qual, supostamente, países capitalistas de todo o mundo se comprometeriam à não poluir, não desmatar, não destruir a natureza e um longo etc.

Metas de emissão do CO2 – que afeta a camada de ozônio e aceleram o efeito estufa – junto à políticas de manutenção de matas nativas, mudança da matriz energética dependente da queima de combustível fóssil (petróleo), dentre outras coisas, figuram neste plano. Junto à isso, um mercado de “ativos verdes” – desde o elemento de propaganda e consumo dos “produtos verdes” até mesmo o investimento em reservas naturais que se tornam cada vez mais escassas devido à fome destrutiva do capitalismo. É um fato nada acidental que os mesmos países imperialistas supostamente “preocupados” com a sobrevivência do planeta são os mesmos que mais investem em locais de países sub-desenvolvidos aonde se pode encontrar grandes reservas de água, por exemplo.

A curiosidade do momento: os simpatizantes do terraplanismo, defensores do anti-globalismo, questionadores da veracidade do aquecimento global, Ernesto Araújo e Ricardo Salles agora anunciam (da boca para fora, é claro) que buscarão meios para cumprir tal acordo. Este aparente e momentâneo recuo da “ala ideológica” é o pré-requisito para que Bolsonaro possa seguir anunciando para a opinião pública a sua suposta vitória no G20 - em meio à um importante escândalo com o vazamento das mensagens do Telegram entre Moro e os procuradores da Lava Jato.

Noruega e Alemanha, por sua vez, questionam os Ministros: no novo decreto presidencial, os conselhos responsáveis ao Fundo da Amazônia financiados por ambos países, não existem mais. A Noruega em especial, tem um forte interesse aí, já que investiu em cindo anos, o equivalente à R$ 5 bilhões de reais neste fundo, cujo dinheiro é destinado ao “desenvolvimento sustentável”, ONGs e Universidades.

Mesmo com o recorde de desmatamento e o recorde de liberação de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, que dá exemplo colocando Ricardo Salles, condenado em ação ambiental, como Ministro do Meio Ambiente; Alemanha e Noruega seguem as tratativas e procuram um “consenso ambiental” com o governo Brasileiro. Isto soa absurdo? Só se acreditássemos piamente que todos estes acordos estabelecidos pelo “Imperialismo verde” fossem de fato para proteger o planeta, ao invés de visarem proteger os interesses das potências poluidoras do planeta e frear a independência dos países sub-desenvolvidos.

A Noruega, 13ª exportadora de Petróleo do mundo, 3ª exportadora de gás natural do mundo, preocupada com o meio ambiente? Só com o meio ambiente dentro das cidades norueguesas, já que sua estatal, a StatOIL explora brutalmente o petróleo no Ártico, fornecendo 25% do gás da União Européia.

E a Alemanha, que hospeda em seu território 10 das 30 Usinas Termelétricas mais poluentes da União Européia, movidas à carvão? E que tal a França de Macron que tem como principal fonte de energia as Usinas Nucleares? Isso é apenas a superfície, se formos ver o que as empresas destes países fazem nos outros países, este texto iria longe.

A Noruega, aliás, hoje é a terceira maior produtora de Petróleo no Brasil, graças inclusive à Sérgio Moro, à Lava Jato e consortes, que com sua campanha contra a Petrobras fizeram com que parecesse justo à opinião pública a venda de ativos à StatOIL (sim, o Brasil privatizou a Petrobrás entregando parte dos ativos para uma Estatal de outro país).

Fica claro que o altíssimo “Índice de Desenvolvimento Humano” não tem nada a ver com a cultura “ambientalista” dos países desenvolvidos, muito pelo contrário: vem do saque das riquezas naturais e poluição do chamado “terceiro mundo”, os países sub-desenvolvidos e dependentes. Enquanto isso, a imprensa burguesa oposicionista embeleza acordos como o de “Paris” – que na realidade poderiam ser facilmente assinados por inimigos do meio ambiente como Salles e Bolsonaro, pois foram escritos por inimigos do Meio Ambiente como Noruega, Alemanha, França, etc.




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