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ELEIÇÕES ESTADOS UNIDOS

Último debate: Trump ameaça não reconhecer o resultado das eleições

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

quinta-feira 20 de outubro| Edição do dia

O último debate presidencial, realizado nesta quarta, 19, na cidade de Las Vegas (Nevada, EUA), não trouxe muitas definições acerca dos candidatos. Trancados em suas porcentagens, alimentados menos por sua própria popularidade do que pelo rechaço ao oponente, Clinton e Trump não apostaram em ampliar seu eleitorado mas sim em consolidá-lo.

Trump reafirmou seu perfil antiestablishment em cada uma de suas intervenções, especialmente nas suas críticas a Clinton, a quem responsabilizou pelos fracassos na economia e na política externa dos Estados Unidos, dando voz a frustração que sente grande parte de sua base eleitoral. Clinton, por sua vez, apostou somente em manter a aliança que a apoia, com dúvidas, porém com a certeza de opor-se ao magnata.

A pesquisa pós-debate da CNN mostrou Clinton como vencedora com 52% dos votos, embora muitos recordarem a atuação de Trump durante a primeira metade do debate. Nas primeiras perguntas, encorajado pelo apresentador da Fox News, Chris Wallace, Trump apresentou alguns de seus pontos de seu programa.

O candidato republicano utilizou suas primeiras falas para confirmar aspetos chave de seu programa sobre porte de armas, imigração e o direito ao aborto. Aproveitou o tema do porte de armas para bater em Clinton, no programa democrata de controle e regulação de armas e saudou a seus “amigos da NRA” (Associação Nacional do Rifle, uma das organizações mais reacionárias que defende o livre porte de armas). Defendeu o programa de construção de um muro na fronteira dos EUA com o México para “defender o país”.

Um dos pontos no qual Trump mais insistiu foi seu compromisso de nomear juízes que se oponham ao direito ao aborto e reiterou sua oposição pessoal, inclusive animou-se ao dizer que impulsionaria uma anulação do histórico caso Roe vs. Wade, que garantiu o direito ao aborto em todo o país. Essa intervenção de Trump incendiou as redes sociais e, como suas declarações machistas, fizeram crescer o repúdio entre as mulheres. Vale recordar que Trump chegou a esse último debate atingido por múltiplas denúncias de assédio e abuso.

Os embates mais duros porém se deram ao redor da política externa, a relação com a Russia e os tratados de comércio exterior. Em meio a interrupções e epítetos, Trump abandonou a pose moderada na qual havia se esforçado durante a primeira parte para dar livre vazão ao Trump que ataca a mídia, sua oponente e inclusive contra o sistema eleitoral. Diante da pergunta de Wallace sobre se reconheceria os resultados caso fosse derrotado no 8 de novembro, Trump não quis comprometer-se e lançou uma reposta inédita: “Quando chegar o momento eu verei. Por enquanto manterei em suspenso”

O terceiro debate foi um dos mais “roteirizados” de Hillary Clinton, que tentou responder sem entrar em discussão com Trump, que subia a temperatura na medida que avançavam os minutos. Clinton apostou no mesmo jogo que mantêm desde foi indicada, a dizer, deixar que Trump faça o trabalho sujo, inclusive na própria base democrata, e a apresente por oposição como o “mal menor”. Por que apesar do rechaço que desperta Trump, a democrata não tem conseguido se fortalecer.

Clinton chegou melhor colocada nas pesquisas para o terceiro debate, porém ainda esquivando dos vazamentos de e-mails que alimentam a desconfiança e o descontentamento. Ainda que Clinton evitou uma condenação pela utilização de um servidor privado enquanto era Secretária de Estado, não pode evitar questionamentos sobre a fundação Clinton, sua relação com Wall Street e a relação de sua campanha com a direção do partido democrata.

A reta final da campanha consolidou os perfis de Clinton e Trump, a eleição será entre dois candidatos impopulares, que colecionam mais rechaço do que apoios, confirmando mais uma vez o protagonismo da crise do bipartidarismo estadunidense. Seja na forma de implosão, como aconteceu com o partido republicano, ou de baixo entusiasmo, como acontece com a candidata democrata, o descontentamento com a elite política promete continuar no foco até o 8 de novembro.

Tradução: Pedro Rebucci de Melo




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