UTIs em Manaus chegam ao limite de atendimento pelo aumento de casos de covid-19

Hoje, o sistema de saúde amazonense atinge seu limite de atendimento pela falta de leitos e de funcionários nos hospitais. Despreparo de infraestrutura, treinamento de pessoal e quantidade de profissionais poderia ter sido evitado se Bolsonaro não tivesse negado os efeitos sociais da doença desde o início. Frente a esse contexto, coloca-se a urgência de testes massivos e da reestruturação do sistema de saúde sob o controle dos trabalhadores. O desgoverno de Manaus não para de contar mortes que poderiam ter sido evitadas.

terça-feira 21 de abril| Edição do dia

Nesta semana o governo do estado do Amazonas, governado por Wilson Lima do PSC, partido conhecido por ser liderado por pastores-empresários próximos à Bolsonaro, declarou que o sistema de saúde está entrando em colapso.
O hospital referência no tratamento da doença em Manaus, Delphina Aziz, está lotado. Os três hospitais de apoio na cidade também. E os prontos-socorros atendem apenas casos considerados muito graves. No interior, o número de contaminados ultrapassa 280 e não há sequer leito de UTI no interior do estado, apenas na capital.
Os números do estado estão subindo. Já são mais de 2 mil casos e quase 190 mortes, segundo dados oficiais, sendo válido pontuar que, possivelmente, o número real de contaminados supera os valores divulgados, visto que a maior parte da população não é testada. A ausência dessa testagem massiva, faz com que o Brasil seja o país com a maior subnotificação de contágio por Coronavírus do mundo, levando-o a ter uma estimativa de contaminados até 15 vezes maior do que os diagnósticos confirmados.
Diversos profissionais da saúde denunciam o descaso do governo que nem equipamentos de proteção estão fornecendo. Os testes para a população, essenciais para planejar a quarentena e fazer um controle racional do coronavírus, não são fornecidos pelos governos federal e estadual. São estes mesmos governos que até agora não prepararam nenhuma medida efetiva de proteção da população pobre, trabalhadora e indígena do estado.
A política negacionista de Bolsonaro continua dando péssimos exemplos. Desde o início ele não vem dando devida atenção e tomando medidas necessárias para enfrentar essa crise. Ele, que é avesso às recomendações da OMS, viola as medidas de isolamento social, convocando manifestações como foi no último domingo, 19/04, aproveitando momentos como esses para passar medidas como a MP 905 que achata ainda mais os direitos da classe trabalhadora em meio à crise.
O sistema de saúde já sentia as consequências de anos de políticas de desmonte e privatização dos governos neoliberais que governavam para aumentar os lucros de empresas e bancos; inclusive com ajuda do Mandetta, antigo ministro da saúde, que era defensor da privatização do SUS. Agora com a crise política e sanitária esses problemas são agravados de forma brutal, fazendo com que a população pague com vidas que não param de ser contadas.
Exemplo desse descaso com a população é novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que criticou a compra de respiradores perguntando o que seria feito com eles depois da crise. Em outras palavras, entre comprar respiradores para salvar vidas, na opinião do atual ministro, é melhor que elas morram. Essa declaração deixa claro a que interesses o ministro responde, certamente não são os da população.
Por esses motivos é necessário um programa que esteja à altura dessa crise que está posta, tendo como centro a estatização e a unificação os sistemas de saúde público e privado e a reconversão da produção para produzir insumos necessários ao combate da pandemia, estando estes sob controle dos trabalhadores, para atender as reais necessidades da população. No entanto, não podemos deixar essa tarefa na mão da burguesia, que já mostrou e continua demonstrando sem nenhuma vergonha disso, sua indisposição em resolver a crise. É necessário que essas medidas sejam feitas com o controle operário com conjuntamente aos especialistas de saúde!




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