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USP restringe o acesso de trabalhadores terceirizados e moradores da São Remo à Universidade

Na manhã de segunda-feira, 11/12/2017, em mais uma demonstração de elitismo e racismo, a Universidade de São Paulo fixou nos portões de acesso de pedestres uma placa limitando os horários de acesso ao campus.

segunda-feira 11 de dezembro de 2017| Edição do dia

Dois destes portões de acesso ligam a USP à comunidade São Remo e, a partir desta, à Avenida Rio Pequeno. Esses portões são as únicas vias de entrada que os trabalhadores terceirizados, que em sua maioria moram nessa região, possuem para chegarem às unidades de ensino e seus locais de trabalho.

Em inúmeras unidades a jornada de trabalho se inicia as 5h30 da manhã e elas são obrigadas a percorrerem todo o caminho de sua casa ao local de trabalho a pé, pois não possuem o direito básico de utilizarem o Circular com o Bilhete USP (BUSP). Para isso precisam sair de suas casas muitas vezes com uma hora de antecedência, mas agora a USP decidiu que antes das 5h00 estes portões permanecerão fechados.

Como se não bastasse esse desrespeito com essa grande parcela de trabalhadores da USP, a gestão da Universidade também decidiu impedir que os moradores da região que frequentavam a Praça do Relógio e os espaços arborizados com suas famílias pudessem aproveitar o final de semana dentro da USP. De acordo com a restrição, a partir das 14h00 de sábado até as 5h00 da manhã de segunda-feira os portões permanecerão fechados.

Muitos jovens e crianças da comunidade e região aproveitam o final de semana para jogar bola e praticar esportes nos espaços públicos tranquilos da Universidade. Assim como os adultos fazem caminhada e passeiam com seus animais de estimação e suas famílias. Famílias, crianças e jovens que dificilmente terão a oportunidade de sentar nos bancos das salas de aula desta Universidade devido ao já elitista filtro social e racial que é o vestibular, e que agora, sequer passear nos gramados e ruas da USP aos finais de semana lhes será permitido. Se depender da burocracia elitista da Universidade de São Paulo, os moradores da São Remo só deverão entrar na USP pra limpar o seu chão.

No início do ano esse cerco contra a comunidade São Remo já havia se iniciado com a construção de guaritas com a presença ostensiva da Polícia Militar controlando o acesso diuturnamente. Durante esse controle várias denúncias de abordagens racistas foram enviadas ao Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e publicadas em redes sociais, as duas mais escandalosas foram a prisão do Diretor de Base do Sindicato, Zelito, que voltava do seu horário de almoço e o esculacho contra o Diretor da Secretaria de Negros, Negras e Combate ao Racismo, Marcelo Pablito, quando se dirigia pelo portão de acesso para uma reunião da Secretaria.

A sociedade não pode permitir que a Reitoria da USP transforme a Universidade Pública de São Paulo em uma bolha elitista. A alegação de que essa restrição é para garantir a segurança é mais uma mentira, pois as ocorrências de pequenos furtos e assaltos dentro da USP se dão com maior incidência nos períodos das 7h00 às 23h00 e durante a semana.

A intenção real da Reitoria com essa medida é excluir ainda mais a população pobre e negra do acesso à Universidade, seja fechando as portas do Hospital Universitário, seja mantendo um dos vestibulares mais elitistas do país e diminuindo a verba pra permanência estudantil ou, agora, fechando os portões de acesso dos moradores da São Remo e precarizando ainda mais as condições de trabalho dos terceirizados.

Pela reabertura imediata dos portões de acesso de pedestres à Universidade.

Basta de elitismo, racismo e discriminação!




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