Gênero e sexualidade

MACHISMO

USP quer processar mulheres que fizeram protesto contra estupros

Mulheres estudantes e trabalhadoras da USP realizaram um ato no último dia 24 denunciando os estupros no campus e a violência contra as mulheres, e rechaçando a PM como suposta solução para o problema.

quinta-feira 27 de agosto de 2015| Edição do dia

Mulheres estudantes e trabalhadoras da USP realizaram um ato no último dia 24 denunciando os estupros no campus e a violência contra as mulheres, e rechaçando a PM como suposta solução para o problema.

Agora, segundo apuração de nossa reportagem, está sendo discutido entre diretores de faculdades utilizar imagens das câmeras de vigilância da Guarda Universitária para identificar as mulheres, estudantes e trabalhadoras, que participaram do ato, para processá-las, em função de pixações nas faculdades denunciando a violência contra as mulheres. A informação ainda não foi confirmada por esses órgãos.

Essa atitude é escandalosa, e deixa algumas coisas claras: a administração da USP usa, de forma oportunista, a violência sofrida pelas mulheres como pretexto para medidas repressivas e de vigilância, mas na verdade não tem nenhuma preocupação real com as mulheres, tanto é que criminaliza a organização das próprias mulheres para denunciar a violência; e por isso mesmo o primeiro alvo das medidas repressivas, como as câmeras, é a organização das próprias mulheres, bem como do conjunto dos estudantes e trabalhadores. Recentemente as mulheres também foram o principal alvo da PM em manifestação de estudantes e trabalhadores.

Em dezembro de 2014, em meio ao escândalo do acobertamento de estupros na Faculdade de Medicina, o reitor Zago já havia manifestado, em reunião do Conselho Universitário, a preocupação de que os estupros não fossem respondidos com "ações inquisitoriais e purificadoras". Ao mesmo tempo, agora a USP ameaça investigar e punir as mulheres que denunciam os estupros.

Sobre o assunto, Diana Assunção, da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores da USP, declarou: "O argumento, perverso, para instalar câmeras é a violência contra as mulheres... e quem as câmeras vão identificar pra punir e criminalizar? As mulheres que se organizam pra luta pelo fim da violência contra as mulheres! Para quem a reitoria ainda conseguia enganar, dizendo que as câmeras não são pra vigiar e reprimir os próprios estudantes e trabalhadores e sua organização política e sindical, isso deve ser um sinal claro. Nos colocamos veementemente contra qualquer processo contra as mulheres por lutarem, e em defesa do nosso direito de organização e manifestação".




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