Juventude

AUTORITARISMO NA UNICAMP

URGENTE | Reitoria da Unicamp retira autonomia estudantil para escolher seus representantes

Ítalo Gimenes

Campinas

terça-feira 1º de agosto| Edição do dia

(Fotografia da assembleia de 1000 estudantes da Unicamp que debiliberou a greve e ocupação da reitoria em Maio de 2016)

Em votação no Conselho Universitário, a reitoria da Unicamp, em conluio com o grupo Apenas Alunos, deliberou pela determinação do próprio Conselho dos futuros representantes discentes na comissão eleitoral do processo de votação dos representantes estudantis no CONSU e na CCG. Além disso, essa votação passará a ser realizada online.

A proposta, apresentada pelo grupo de estudantes Apenas Alunos em total parceria com o autoritarismo da reitoria e do Conselho Universitário racista, visa tirar a autonomia dos estudantes nas questões que competem à sua própria representação. Os membros da comissão eleitoral, selecionados pela reitoria, são uma forma de controle nos nossos espaços de representação, que somado a instauração das votações online, tem o caráter de desarticular e despolitizar os debates eleitorais dos estudantes, assim como foi feito ainda esse ano na USP.

Ainda hoje será discutida nessa mesma reunião do Conselho Universitário a abertura de novos processos contra estudantes que se mobilizaram na greve de 2016, que arrancou cotas raciais e ampliação da moradia estudantil, além do seu posicionamento claro contra o golpe institucional que acontecia na época. Nessa mesma pauta, será debatido também aumentar ainda mais a pena de um estudante negro, membro do DCE, que já foi sentenciado com uma suspensão de dois semestres com possibilidade de realizar trabalho gratuíto à reitoria como forma de cumprimento da pena. A nova punição implicaria na completa expulsão do estudante, e que simboliza uma forma de perseguição política e racista do movimento estudantil, mirando diretamente em estudantes negros que participaram da greve por cotas.

Nesse mesmo dia, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, ocorrerão marchas em favor da liberdade ao único preso político remanescente das jornadas de Junho de 2013, Rafael Braga, prego arbitrariamente por portar Pinho Sol. A perseguição aos estudantes, em especial aos negros da Unicamp, se liga a luta pela liberdade desse companheiro, por simbolizarem a forma que a burocracia universitária assim como a polícia tratam a população negra nesse país, em especial em momentos de luta que geram conquistas ao movimento estudantil, de juventude e ao movimento negro.

Veja o vídeo de denúncia que os militantes da Faísca, em frente a reunião, fizeram sobre essa votação:




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