Educação

UNE DEFENDE STF E A REMOÇÃO DO DIREITO DA UERJ

UNE exalta a política dos ministros do STF privatistas para a UERJ

Em meio à maior crise financeira da história da UERJ e uma série de ataques do governo, a UNE publicou em sua página no Facebook uma mensagem em apoio à política do STF de separar o direito dos demais cursos. A postagem foi apagada após protestos de estudantes da UERJ.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social e professora da rede estadual

quinta-feira 17 de agosto| Edição do dia

A UERJ passa pela sua maior crise financeira da sua história. Há anos tendo seu orçamento cortado, com quase nenhum investimento e sucessivos atrasos nos pagamentos dos professores, técnicos e terceirizados e bolsas estudantis. O governo do Estado vem precarizando a UERJ, UEZO, UENF, FAETEC e o conjunto da educação pública, querendo nos fazer pagar por uma crise que não é nossa, enquanto segue mantendo seus privilégios e os da casta de políticos parasitas da ALERJ, bem como isenções bilionárias e os imensos escândalos de corrupção.

Não fosse bastante tamanho ataque, há uma semana fomos surpreendidos por uma nota na coluna de Anselmo Góes, no jornal O Globo, que mostra qual a saída de fundo a burguesia quer dar para a UERJ. Nela e em outros veículos de mídia, matérias com um título mentiroso anunciam que ministros do STF se articulam para salvar a UERJ. Na verdade, a proposta organizada pelos ministros Luis Roberto Barroso e Luiz Fux é transferir a pós graduação e a Faculdade de Direito do campus Maracanã da UERJ para um prédio do Tribunal de Justiça do Rio, no Centro. Tal medida não foi sequer debatida pela comunidade acadêmica da Faculdade e amplos setores, corretamente, rechaçam essa ideia.

A medida chamada pelos juristas de “resgate” é na verdade uma mostra de como pretendem resolver o problema da crise da UERJ, isolando a Faculdade de Direito do restante dos cursos, por fora de qualquer debate amplo e democrático, além de interferir na formação dos estudantes, implicando na formação profissional e política e ignorando as condições dos estudantes cotistas, cujas bolsas não vêm sendo pagas, e que tem necessidades de permanência estudantil, numa universidade com uma ampla composição de estudantes negros e trabalhadores.

Além disso, Luis Roberto Barroso, este ano escreveu um editorial no mesmo Jornal O GLOBO, defendendo a privatização da UERJ como “saída” para a crise e recentemente disse que queria transformar a Faculdade de Direito numa universidade igual a Harvard. Claramente sua proposta elitista procura “resolver” a partir de seus interesses os problemas da Faculdade de Direito, querem acabar com um legado de 13 anos de uma universidade pioneira nas cotas e nas criações de cursos noturnos para quem trabalha. São parte do mesmo ataque de Pezão e do governo.

Os estudantes e professores do direito tem se mobilizado contra essa medida privatista e tem ganhado apoio de muitos setores da comunidade acadêmica e na sociedade. Na contramão mão dessa luta, a União Nacional dos Estudantes, fez um post compartilhando e exaltando uma notícia mentirosa: “Sem perspectiva para retornar às aulas, a crise histórica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) está mobilizando até ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Ao invés de cumprir o papel de desmascarar a matéria e o STF, a UNE mostra apoio à medida elitista e autoritária dos ministros privatistas da UERJ. Uma postura vergonhosa para uma entidade nacional, ainda mais por dirigir o Diretório Central dos Estudantes da UERJ. Ao começar a ser denunciada na internet, apagaram o post, mas se negam a publicar sequer uma autocrítica, e mostram como são aparatos totalmente descolados das lutas, pois nem onde dirigem o DCE têm relação real com as demandas dos estudantes. Apagar a postagem não apaga o absurdo de reivindicar as ações de ministros que querem não apoiar a UERJ, mas sim tirar a Faculdade de Direito do seu lugar e transforma-la numa “Harvard”.

Ao responder aos questionamentos, um diretor da UNE disse que foi a equipe de jornalismo desavisada que publicou e por isso foi apagado. Como uma entidade que diz lutar em defesa da educação pública, pode estar desavisada em relação a crise da UERJ, que tem tomado o país nos noticiários e não estranhar que exatamente sejam estes senhores propondo “apoiar” a UERJ? Logo após, a UNE soltou uma nota (uma das poucas que se encontra no site da entidade sobre a UERJ, apesar da nossa resistência de anos) que não se autocrítica e nem toca no ocorrido, apenas fala em “unidade em defesa da UERJ”.

Nós da Faísca, que estamos construindo uma campanha nacional em defesa da UERJ, com apoios de estudantes de várias universidade do país, campanha de lambes pela cidade, panfletagens, vídeos e uma cobertura cotidiana pelo Esquerda Diário, temos colocado a necessidade das entidades nacionais e estaduais como a UNE, UEE, os DCEs, correntes políticas e correntes de esquerda construam uma grande campanha nacional em defesa da UERJ e a educação pública, gratuita e de qualidade. Uma medida que exige muito mais que notas tardias, mas uma construção ativa e cotidiana capaz de se colocar a altura dos ataques dos governos.




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