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UNE adia data do CONUNE para esvaziar congresso e impedir participação da juventude trabalhadora

O 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune) foi adiado de um feriado para os dias 03 a 07 de julho, que coincidem com a última semana de provas e trabalhos da grande maioria dos estudantes universitários e, por três dos cinco dias do evento serem dias úteis, impedem a plena participação da juventude trabalhadora.

segunda-feira 29 de abril| Edição do dia

O próximo Conune será em Brasília daqui a dois meses. O local é simbólico, e esse congresso deveria ser histórico, frente ao ascenso do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro como fruto do golpismo institucional e do autoritarismo judicial no Brasil, que prendeu Lula arbitrariamente. A juventude e a classe trabalhadora são alvos deste governo misógino, racista, LGBTfóbico, lacaio do imperialismo norte-americano, que tem como prioridade a reforma da previdência para nos fazer trabalhar até morrer. Um congresso nacional de estudantes neste contexto deveria apontar um caminho para fazer a juventude de todo o país emergir como forte oposição política a Bolsonaro. Porém, a direção da UNE, composta pela União da Juventude Socialista (do PCdoB), Levante Popular da Juventude e Juventudes do PT (Kizomba, JPT), atua para que isso não ocorra e a mudança de data do congresso, que objetivamente impede a participação de um amplo setor de estudantes trabalhadores, é expressão de uma política de esvaziamento deste espaço.

Bolsonaro, junto a Guedes, não quer apenas atacar os direitos econômicos da maioria da população, inclusive levando adiante "cláusulas especiais" para a juventude dentro da própria Reforma da Previdência que configuram um aprofundamento da Reforma Trabalhista. Quer atacar os direitos democráticos mais básicos, sobretudo dos setores mais oprimidos da sociedade, como com o pacote assassino de Sérgio Moro, que dá ainda maior licença para civis e militares assassinarem a juventude negra e pobre. Na última semana o presidente afirmou, nomeando seu Ministro Weintraub, que estudam acabar com os cursos de Ciências Humanas. Certamente as decisões de Bolsonaro e sua laia geram indignação e, para evitar que ela se transforme em organização, esse governo também está ávido por atacar as entidades estudantis e sindicatos, com a própria UNE na mira. No ano passado o Judiciário chegou a censurar uma campanha da entidade contra Bolsonaro. Rechaçamos todos os ataques da direita à entidade e ao Congresso de estudantes, que vai se realizar na cidade que simboliza a reunião dos políticos mais odiados pela população, símbolo do poder afastado dos nossos interesses.

Mas, para defender nossas entidades contra esses ataques, é preciso que os estudantes as tomem em suas próprias mãos. Como fazê-lo se a maioria deles são privados de participar do Congresso da maior entidade estudantil do país? O Conune estava previsto para os dias 19 a 23 de Junho, feriado de Corpus Christi, quando, apesar das dificuldades de locomoção e a precariedade dos postos de trabalho da juventude, era um feriado que também possibilitaria à base dos estudantes participar da política sem competir com seu trabalho, suas aulas, e seus estágios (para os que conseguem as escassas bolsas ou podem se manter sem assistência). A direção majoritária da UNE não vê nenhum problema na mudança de data porque está, há anos, completamente afastada dos estudantes, preocupando-se mais com suas próprias correntes, figuras públicas e parlamentares. Mais uma prova de que estão dispostos a fazer com que este Conune não tenha as dimensões e conteúdo necessários para enfrentar Bolsonaro.

Ainda por cima, no site da UNE a direção majoritária simplesmente alterou a nota com a data que havia sido votada no CONEG (Conselho de Entidades Gerais), tentando mascarar sua absurda manobra burocrática que impede a juventude trabalhadora, ampla maioria dos estudantes das universidades privadas, de participar do congresso. Um absurdo tamanho que com certeza deve estar ligado aos interesses mais profundos da burocracia do PCdoB, que prefere negociar com Rodrigo Maia, do que colocar em cena a força da juventude ao lado da classe trabalhadora. Ainda mais quando se avança a votação da reforma da previdência. A proposta de adiamento veio juntamente com a aprovação da reforma de Bolsonaro na CCJ.

As organizações que compõem a Oposição de Esquerda assistem passivamente esse tipo de manobra burocrática, como parte de sua política de convivência pacífica com a burocracia da entidade. É também o que faz o PSOL em suas posições parlamentares, que deveriam estar a serviço de exigir que as centrais sindicais rompam sua trégua ao governo e organizem assembleias nos locais de trabalho para construir uma greve geral contra a reforma da previdência. Convocamos todos os estudantes que se identificam como oposição à essa burocracia a se somarem nesta exigência e nas denúncias contra as manobras burocráticas da direção da entidade.

O próprio Regimento Eleitoral do Conune estabelece prazos que dificultam o envolvimento da maioria dos estudantes, e, como se não bastasse, a UNE segue sem organizar este Congresso desde a base em todas as universidades do país. Isso é a continuidade da trégua que têm dado aos governos, mesmo antes da vitória de Bolsonaro, e desde que o reacionário assumiu não construíram seriamente nenhuma das 5 datas que proclamaram como dias de luta. Apesar da disposição demonstrada pela juventude no 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres e no 14 de Março, um ano do assassinato de Marielle, pelo qual o Estado é responsável e seguimos sem respostas, somente os cursos de Serviço Social e Geografia da UERJ paralisaram suas aulas, batalhas das quais nós da Faísca nos orgulhamos de sermos parte junto à Gestão do CASS-UERJ.

Para a surpresa de ninguém, a proposta de adiamento veio da UJS, que há anos está encastelada na direção da UNE usando dos métodos mais burocráticos nos fóruns da entidade, e é a juventude do PCdoB, organização de Manuela D’Avila, que anda de mãos dadas com Rodrigo Maia. Dividindo a direção da entidade com o PT, cujos governadores já anunciaram apoio parcial à Reforma da Previdência, o PCdoB atua em uma divisão de tarefas: apostam todas as suas fichas no parlamento, repetindo a estratégia falida de conciliação de classes com o novo apelido de “resistência democrática”, enquanto, pela UNE, CUT E CTB convocam manifestações que não constroem e só servem para encobrir sua política traidora, além de consequentemente desmoralizar a reduzida vanguarda que as acompanha. Para coroar, usam a desculpa de que a juventude e os trabalhadores não querem lutar, como se fosse possível para esses setores “negociar com seu patrão” uma licença do trabalho para participar de um dia de lutas ou de um Congresso da UNE.

Mas, para enfrentar os ataques de Bolsonaro, o avanço do imperialismo na América Latina, e fazer com que os capitalistas paguem pela crise, é preciso enfrentar essa burocracia que freia nossas forças onde elas são verdadeiramente potentes: nos locais de trabalho e estudo. Por isso queremos construir, em todas as universidades, uma força real antiburocrática que exija de seus Centros e Diretórios Acadêmicos e seus DCEs uma construção para o Conune à altura dos desafios colocados pelo primeiro ano de bolsonarismo no Brasil, para estar ombro a ombro com os trabalhadores. Desde a participação nos processos eleitorais das chapas às idas ao CONUNE devem ser garantidas a todo estudante que queira, com prazos democráticos e amplamente divulgados e garantia de ônibus em exigência às reitorias. Como viemos levantando em universidades como USP e Unicamp, defendemos que junto a isso é necessário que as entidades construam em cada universidade Congressos de Estudantes que de fato organizem desde a base, sendo parte do desafio de um movimento estudantil que possa se contrapor ao futuro que Bolsonaro e sua corja reservam à juventude e à classe trabalhadora. Convidamos os estudantes a conhecerem nossas ideias e a se juntarem nessa batalha.

Leia também: As perspectivas para uma juventude marxista e revolucionária rumo ao 57º Congresso da UNE




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