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UFMG paralisa as aulas e estudantes vão pra rua contra cortes e ataques de Bolsonaro

A universidade realizou uma forte paralisação nos dias 2 e 3 de outubro contra os cortes de Bolsonaro às universidades e à educação, contra o Future-se, parando todas as aulas e com atividades em diversos cursos, sobretudo na Biologia. Estudantes, técnicos e professores aderiram a greve, uma grande demonstração de força e exemplo de como derrotar esses ataques.

quinta-feira 3 de outubro| Edição do dia

A mobilização nessa universidade contou a paralisação de estudantes, funcionários e professores. Eles aderiram o chamado a greve nacional de 48h da educação, chamada pela UNE, APG e outras entidades. A paralisação da UFMG deverá confluir com a manifestação a convocada para as 17h dessa quinta-feira, 3, na praça Afonso Arinos, na área central.

No primeiro dia de greve teve apresentações culturais e rodas de conversa no campus Pampulha. Em frente ao campus Saúde, na região central de BH, a calçada da avenida Alfredo Balena transformou-se em consultório e sala de aula durante a maior parte do dia.

O evento Universidade na Praça promoveu testes gratuitos de HIV, glicemia e pressão, além de apresentações de trabalhos acadêmicos de estudantes da pós-graduação. O evento foi organizado pela Associação de Pós-Graduandos da UFMG (APG-UFMG), com apoio dos sindicatos de professores e funcionários da universidade.

O curso de biologia contou com uma série de atividades e organizou um bloco próprio para participar da manifestação, com uma faixa recém pintada, e engrossou um cortejo que chamava estudantes outros estudantes a se somarem a greve. Rechaçando Bolsonaro e seu governo com o mesmo adjetivo ao qual eles se referiram às atividades dos estudantes – balbúrdia – os futuros biólogos seguiram cantando e fazendo seu jogral em outras partes da universidade.

Depois disso, fizeram um almoço coletivo no espaço do Diretório Acadêmico do curso, com a correta preocupação de não usar os RUs da UFMG, onde estavam trabalhando servidores terceirizados que poderiam estar em greve, fortalecendo a luta estudantil contra Bolsonaro e lutando pelos seus próprios direitos, mas mal têm o direito de se organizarem politicamente, fazerem assembleias da categoria e aderirem a greves sem serem perseguidos e provavelmente demitidos.

Neste almoço, os estudantes discutiram um balanço das suas atividades no período da manhã e planejaram as ações para a parte da tarde. No início da noite esse espaço de discussão se repetiu.

À tarde, os estudantes participaram da atividade “Educação e ciência em tempos de resistência”, organizada pelo sindicato dos professores da UFMG. Foi feita uma importante discussão sobre a relação entre os avanços da luta das mulheres, negros, indígenas, LGBTs, com a relação de educadores populares com essas lutas, e os retrocessos do ponto de vista econômico, que hoje colocam vários direitos conquistados em xeque, e que o governo ultra reacionário de Bolsonaro não hesita em mirar nesses setores os seus ataques.

Essa forte paralisação da UFMG, sobretudo na biologia e na Saúde, são exemplo de disposição de luta e de diálogo com a população, com os trabalhadores. Estão juntos com a forte greve que ocorre na UFSC há um mês, com massivas assembleias e comitês de mobilização. Não podemos aceitar que essas lutas fiquem isoladas, é urgente apontar saídas que possam massificar nacionalmente e coordenar as universidades em luta.

Até agora a UNE ignorou a luta na UFSC, pois a universidade aponta os sentido contrário da passividade que vem impondo ao movimento estudantil, em que a UNE impõe as datas de manifestações à revelia do direito dos estudantes terem espaços de debate e organização, que possam decidir os próximos passos da luta.




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